Reunião de CM de Abrantes

Os documentos de Prestação de Contas Consolidadas do grupo Município de Abrantes relativo ao ano de 2017 foram aprovados esta terça-feira, 12 de junho, pela maioria PS, com duas abstenções do BE e do PSD. Apesar dos documentos mostrarem uma recuperação, no entender dos vereadores da oposição as contas com saldo negativo da A.Logos e da Tagusvalley continuam “preocupantes”.

O grupo Município de Abrantes apresentou um resultado consolidado positivo de 1,6 milhões de euros (ME) no exercício de 2017, anunciou esta terça-feira, 12 de junho, o vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, João Gomes, durante a reunião de Executivo.

Um número que resulta “da venda de algum património, sobretudo de terrenos para acolhimento de empresas” o que significa para o Executivo “um bom sinal” por representar investimento de “empresas, não só de novas mas também de empresas sediadas em Abrantes que querem aumentar as suas instalações”.

O valor resulta ainda de receitas de taxas municipais. O autarca destacou também a diminuição do endividamento do Município em 1,5%, um reconhecimento da “boa gestão financeira” da Câmara Municipal.

Durante a apresentação dos documentos de Prestação de Contas Consolidadas de 2017, os vereadores puderam verificar que o balanço do Município de Abrantes (entidade mãe) representa cerca de 90% do balanço do grupo, seguindo-se os SMA – Serviços Municipalizados de Abrantes (7%), a Tagusvalley (2%) e o A.Logos (1%).

É referido que o ativo líquido diminuiu 0,1% face a 2016 situando-se nos 192.309.057,75 euros, enquanto o passivo atingiu os 34.368.906,31 de euros, o que representa também um decréscimo de 2,8% em relação ao período homólogo passado, muito pelas amortizações de empréstimos, tendo o vice-presidente indicado também que os fundos próprios foram de 157.885.680,46 euros (+0,5%) e o resultado líquido do exercício de 1.660.059,59 euros (+1,547%).

A Câmara Municipal conseguiu um resultado líquido positivo na ordem de 1 milhão e 553 mil euros, enquanto os SMA demonstram um resultado negativo de 157 mil euros atribuído ao pagamento do aumento dos Resíduos Sólidos Urbanos.

João Caseiro Gomes destaca o resultado positivo, que “vem na consequência da nossa política de gestão financeira que tem dado os resultados pretendidos” e salienta ainda a melhoria dos resultados da Tagusvalley e da A.Logos “sendo esse o desejo de todas as partes, a recuperação”, após as manifestações de “preocupação” com as contas destas duas entidades por parte dos vereadores da oposição.

Para o vice-presidente as duas entidades, a Tagusvalley e o A.Logos, representam “uma resposta que o Município de Abrantes tem e que falta a outros municípios. Quando queremos atrair empresas é onde levamos os empresários por ser um fator diferenciador”.

O A.Logos “que compete com privados, dá resposta a análises de todas as nossas empresas da qualidade da água, quer de consumo como das residuais e também alimentar”, tendo João Gomes considerado o mesmo “importantíssimo” na atração de investimento. A.Logos teve em 2017 uma recuperação do resultado negativo (35 mil euros), na ordem dos “25% sem dispensar funcionários”, disse, enquanto a Tagusvalley na ordem dos 9%, de um resultado negativo de cerca de 237 mil euros, acrescentou.

Lembrou que Abrantes tem “um polo tecnológico, de desenvolvimento de apoio às empresas que possam vir para o concelho” tratando-se de “apostas políticas que queremos continuar a fazer e queremos que os resultados continuem a melhorar” seguindo “as boas práticas e a boa gestão feita pelo Município de Abrantes”.

Os documentos de Prestação de Contas Consolidadas de 2017 incluem, além do relatório de gestão, o balanço consolidado, demonstração consolidada dos resultados por natureza, mapa de fluxos de caixa consolidados de operações orçamentais, anexos às demonstrações financeiras consolidadas, incluindo saldos e fluxos financeiros entre entidades alvo de consolidação, e mapa de endividamento consolidado de médio e longo prazos e mapa da dívida bruta consolidada.

Os vereadores da oposição, Armindo Silveira (BE) e Rui Santos (PSD), optaram pela abstenção, observando tratar-se de documentos contabilísticos mas que refletem as políticas do Executivo socialista, justificaram. O BE apresentou mesmo declaração de voto onde se lê:

“Mesmo depois dos esclarecimentos prestados continua a ser uma surpresa o aumento do resultado liquido do exercício em 2017 de cerca de 1.660.000 euros o que representa uma aumento de 1.547% face ao ano de 2016 que se saldou em cerca de 100.000 euros”.

Além disso, preocupa o BE “o endividamento da A-Logos em 513.024 euros e da Tagusvalley em 170.574 euros pela sua reduzida capacidade de gerar rendimentos financeiros positivos. Os documentos em análise, tendo em conta a opinião da Sociedade RJGM, respeita a legislação em vigor nomeadamente o POCAL e a auditoria efectuada de acordo com as Normas Internacionais de Auditoria. Deixam claro que não detectaram qualquer distorção material devido a fraude e outros mas não podem garantir essa segurança a 100%” Com esta constatação, o Bloco de Esquerda, “não quer afirmar que existe fraude ou outra engenharia financeira, simplesmente queremos vincar a nossa total desresponsabilização se no futuro se vier a detectar algo deste género”.

O perímetro de consolidação do grupo Município de Abrantes, integra as seguintes entidades: o Município, os SMA, Tagusvalley e A.Logos.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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