FC2TEC inicia nova era empresarial com investimento de 1,2 ME e internacionalização. Foto: mediotejo.net

Passados dois anos desde o lançamento da primeira pedra, os empresários da Fc2Tec – Manutenção Industrial, Lda, juntaram edilidades, parceiros, família, amigos e recursos humanos para a inauguração daquela que é agora a nova casa da empresa, na Via Industrial 1, Lote 61, em Alferrarede, concelho de Abrantes.

Os sócios-gerentes António Ferreira e Paulo Santos Costa não esconderam o entusiasmo, e o frenesim era evidente perante a cerimónia de inauguração que contou com bênção das instalações pelo padre Carlos Almeida, pároco de Alferrarede, e com a participação especial do padre Adelino Cardoso, amigo dos empresários.

Estiveram também presentes o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, os presidentes de junta da UF Abrantes e Alferrarede, Bruno Tomás, e da freguesia de Tramagal, António José Carvalho, bem como Ana Paula Grijó, chefe da Divisão do Desenvolvimento Económico da Câmara Municipal de Abrantes, bem como Domingos Chambel, presidente da direção da NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém e o comandante dos Bombeiros de Abrantes, António Manuel Jesus.

Estas novas instalações fabris serão a casa desta “família” ambicionada e sonhada pelos empresários, que elogia o grupo de trabalho que mantém, seja a mão-de-obra no terreno, seja quem tem funções no setor administrativo.

Um negócio que prospera com “sacrifício” da vida pessoal e onde não falta o apoio incondicional das famílias de ambos os promotores.

Na sessão, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, referiu ter “muito orgulho e muita honra” em estar presente, relembrando o lançamento da primeira pedra há dois anos, frisando a concretização deste projeto dos empresários abrantinos.

Reconhecendo o acréscimo de desafios que os empresários, no geral, hoje vivem, disse que a Câmara de Abrantes está atenta à dificuldade que se prende com os recursos humanos. “Temos, em conjunto com os empresários e sob o olhar atento e cuidadosa da NERSANT, de pensar como podemos olhar o futuro relativamente à formação e à capacidade de atrair pessoas para virem trabalhar para as nossas regiões”, notou.

Assumiu que as questões da demografia o assustam e o preocupam, mas não deixou de notar “um sinal interessante”, que tem que ver com o ganho de mais 53 alunos no pré-escolar e 1º ciclo à entrada do ano letivo 2022/2023.

“Temos de ter a capacidade de atrair novas empresas”, disse, indicando que a autarquia está a trabalhar na expansão e requalificação da zona industrial de Alferrarede, estando ainda no foco da autarquia dar nova dinâmica às zonas industriais do Tramagal e do Pego – esta última, aproveitando a oportunidade que se cria pela conversão da Central do Pego na área das energias renováveis e o encerramento a carvão, com o Fundo para uma Transição Justa e o PRR a permitirem investimento.

Em declarações à comunicação social, Manuel Jorge Valamatos falou num “sinal de esperança” dada a conjuntura económica que se vive nos últimos anos, após a incerteza criada pela pandemia de covid-19, agora a braços com as dificuldades criadas pelo flagelo da guerra na Ucrânia, nomeadamente com a inflação e o aumento brutal dos custos de energia e combustíveis.

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“O que mais impressiona é esta instabilidade (…) isso obriga a alguma contenção e resfriar de ânimos, também para os empresários. Mas aqui surge um sinal claro e evidente de esperança”, notou, salientando a qualidade da maquinação, e elogiando os serviços prestados e a carteira de clientes mantida pela FC2TEC.

Quanto à expansão do parque industrial de Abrantes, o autarca relevou a aquisição de mais parcelas de terrenos para ampliar a Zona industrial de Alferrarede, estando a ser resolvidos “problemas administrativos e jurídicos de algumas empresas devolutas”, havendo intuito de valorização da parte norte e sul.

“Queremos valorizar muito a zona industrial do Pego e a zona industrial do Tramagal, como complemento nesta trilogia de zonas industriais para o concelho. Queremos melhorar as condições das zonas industriais e melhorar as suas acessibilidades e infraestruturas. Hoje, uma zona industrial tem que ter fibra ótica e um conjunto de suportes para a atividade em pleno das empresas”, notou.

Indicou ainda a intenção de desenvolvimento de comunidades de energia renovável (CER), com o município a trabalhar na sua implementação para atrair novos investimentos, com custos de energia mais baixos e permitindo maior sustentabilidade energética das empresas já instaladas.

Para já está previsto ser instalada uma CER na Zona industrial de Alferrarede, com intenção de alargamento a outras zonas. A expetativa da autarquia é que ainda este ano haja desenvolvimentos sobre este tema.

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Ainda assim, notou que além da capacidade de atrair investimento de fora, também deve ser dada especial atenção aos empresários locais. “Temos de ter a capacidade de atrair pessoas de fora, mas temos de cuidar muito bem daqueles que cá temos. Temos de tentar captar empresas de fora, com todo o interesse e entusiasmo, mas também temos que olhar com muita atenção e muito cuidado para aqueles que já cá temos, que é o vosso caso. Contem comigo para os desafios do futuro”, concluiu o edil abrantino.

Também Domingos Chambel, presidente da NERSANT e também empresário do concelho de Abrantes, deixou palavras de incentivo aos empresários, referindo ser com “imenso orgulho e imensa vaidade” que se constata que naquela zona industrial “há 25 anos não havia uma rua alcatroada, um esgoto, não havia eletricidade, água, gás e isto era simplesmente um olival”.

Mencionou que foi “pela vontade de grandes empresários” que aquela zona “ganhou corpo e alma”, relevando o apoio de entidades como a Câmara Municipal de Abrantes, tecendo agradecimento ao autarca Manuel Jorge Valamatos.

Deixou ainda mensagem, referindo a importância das empresas quer “no seu aparecimento como na sua manutenção”, onde a autarquia tem “desenvolvido papel fundamental ajudando as empresas a ultrapassar dificuldades que o Estado central impõe”.

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Destacou a “resiliência” dos empresários, “que conseguiram construir uma empresa neste momento extremamente difícil e singular”, referindo-se ao contexto de crise económica e de Guerra no leste da Europa e de constrangimentos como “a escassez de material, escassez de pessoal, escassez de condições de transações a nível internacional, com o elevado custo da energia”.

“É de valorizar duplamente a iniciativa, a coragem, que estes empresários tiveram em construir esta pequena nação dentro do nosso concelho. É com estas empresas e com estes empresários que nós construímos o futuro de Abrantes, porque Abrantes não é exceção a nível nacional e a nível distrital. Tem uma população envelhecida, as taxas de natalidade são muito baixas, não há mão de obra qualificada nem não-qualificada [disponível], e para conseguir pôr uma empresa destas a funcionar é preciso ter muita sapiência, muita coragem, muita dedicação, muito empenho a este projeto”, sublinhou Domingos Chambel, empresário à frente da associação empresarial.

Por fim, deixou o pedido para que “continuem a acreditar em Abrantes, continuem a investir em Abrantes”, demonstrando disponibilidade da NERSANT para apoiar e acompanhar estas iniciativas.

A FC2TEC – Manutenção Industrial, Lda, com sede na vila de Tramagal, é uma empresa, criada em julho de 2016 por dois sócios com mais de 30 anos de experiência no ramo, prestando diversos serviços, desde a manutenção industrial, produção e instalação de estruturas metálicas, eletricidade industrial, serralharia em inox, serralharia mecânica, corte e quinagem, corte a plasma CNC, calandragem de chapa, soldadura, tubagem e pinturas.

A experiência dos empresários e os valores pelos quais se pauta a empresa, com padrões de rigor e qualidade e onde se privilegia a satisfação do cliente, permitiu que a carteira de clientes fosse sendo cimentada ano após ano, tendo levado à expansão da atividade para a zona industrial de Alferrarede, onde até serem erguidas as novas instalações, permaneceram num pavilhão alugado.

Hoje, o orgulho por terem construído as suas novas instalações pelas próprias mãos, os sócios-gerentes mostram-se entusiasmados, agradecidos e prontos para fazer face aos desafios e contratos.

Paulo Santos Costa reconheceu estar “um bocado apreensivo” pelo atual contexto, com o aumento dos custos de energia e das matérias-primas – por exemplo, no arranque da construção do novo pavilhão o aço custava 500 euros/tonelada, estando hoje situado na ordem dos 1000 euros.

“Mas temos compromissos com clientes multinacionais com os quais iremos sempre honrar os nossos compromissos e fazer sempre o que estiver ao nosso alcance para continuar a trabalhar”, referiu, apesar de assumir não ser fácil.

No verão de 2016, relembra António Ferreira, o arranque da empresa deu-se numa altura em que se pensava que o desenvolvimento económico ia melhorar, mas a pandemia veio travar o alcance das metas traçadas.

“A pandemia trouxe imensos problemas, mas até conseguimos aguentar pelo desenvolvimento de outros trabalhos, com produção de lavatórios e até grelhadores”, disse, confirmando a necessidade adaptação da produção na altura.

Seguiu-se a guerra entre a Rússia e Ucrânia, e o crescimento e desenvolvimento da empresa tem vivido “tempos conturbados”, com adaptação constante e onde “cada dia é diferente”.

“Por exemplo, realizámos um trabalho em 2017 e voltámos a fazer em 2023, mas agora com 70% de aumento derivado ao aumento dos preços das matérias-primas”, deu conta.

A nova casa da FC2TEC foi fabricada e montada pela própria empresa, nas antigas instalações, com um projeto feito à medida dos dois promotores. “Dá-nos uma grande honra”, frisou António Ferreira.

Mas apesar das contrariedades, tudo indica que a atividade vai de vento em popa, com a empresa a entrar em velocidade cruzeiro perante a carteira de clientes com quem mantém negócios.

Aliás, chega a ser caricato: as novas instalações recém-inauguradas são já insuficientes para o volume de encomendas da empresa, com um segundo lote praticamente cheio de materiais.

“Estamos a trabalhar muito com Itália, na área da manutenção industrial, com montagem de máquinas e equipamentos”,

Na região a FC2TEC regozija-se por manter clientes multinacionais a quem presta assistência, caso da Hitachi (antiga Bosch) em Alferrarede e a Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE) no Tramagal, juntando-se a Hutchinson, no ramo automóvel e aviação, em Campo Maior.

“Futuramente vamos começar a trabalhar na área da manutenção com a FontSalem em Santarém, empresa no setor da fabricação de refrigerantes e cerveja. Em Itália, além de fazer desmontagem de uma linha para recondicionar e montar em Portugal, também temos a montagem de uma linha de fabricação de sapatos, para marcas prestigiosas como a Louis Vuitton, Dior, Balenciaga e Hermès. O dono da instalação ficou tão feliz com o nosso trabalho que, em abril e agosto, lá estaremos outra vez”, indicou Paulo Santos Costa, visivelmente orgulhoso do feito, reconhecendo que este foi “um muito bom cartão de visita” para aqueles país.

A FC2TEC destaca-se por disponibilizar “um serviço customizado”, havendo da parte da empresa “capacidade de ir ao encontro das necessidades do cliente”.

“A pessoa apresenta-nos um problema e nós resolvemos, apresentamos a solução”, reconheceu Paulo Santos Costa .

Foto: mediotejo.net

Conta atualmente com 22 trabalhadores, sendo que recorre a contratação de mais trabalhadores quando o volume de encomendas o justifica. Porém, nem sempre é tarefa fácil encontrar mão de obra disponível.

“Não temos mais porque não há pessoal qualificado para trabalhar, a oferta de mão de obra qualificada é muito reduzida. É um problema; devia-se repensar as antigas Escolas Industriais, ou núcleos de aprendizagem nas próprias empresas. Nós próprios estamos abertos a isso, que se criem polo de aprendizagem a nível de soldadura, eletricidade industrial, o que seja necessário para colmatar as nossas dificuldades e carências, que são grandes”, defendem os empresários.

A pensar na formação e capacitação da mão de obra, a empresa conta com uma sala de reuniões/formação, e tem intenção de, no futuro, incluir no pavilhão um polo de soldadura. Os empresários creem que deveria existir apoio de entidades para que as empresas possam avançar com esses programas de formação, que se tornariam muito “dispendiosos” sendo desenvolvidos a custas próprias.

O investimento rondou os 1,2 milhões de euros, com candidaturas a apoios comunitários no âmbito do Centro 2020/Portugal 2020, para a nova unidade industrial para expansão e internacionalização e no âmbito da medida SI2E – Promoção da integração social e combater a pobreza e qualquer discriminação.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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