Não há médicos de família que cheguem para colmatar as aposentações em curso. Foto: DR

São 8 mil abrantinos sem médico de família, dado revelado pela Direção Executiva do ACES do Médio Tejo, sendo que faltam 23 médicos de Saúde Geral e Familiar na região de abrangência do ACES. Abrantes, Ourém e Torres Novas são os concelhos mais problemáticos, tal como o nosso jornal já havia noticiado. A preocupação com a falta de profissionais de saúde foi tema de discussão em reunião de executivo em Abrantes, com a maioria socialista a vincar que quer continuar a ser parte da solução para um problema cuja responsabilidade de resolução lembrou ser do Ministério da Saúde.

O número foi revelado por Diana Leiria, diretora executiva do ACES do Médio Tejo em resposta às perguntas colocadas pelo nosso jornal. São 8 mil os abrantinos sem médico de família, “com especial incidência em Alferrarede, Pego e Alvega”. Sendo que em Mouriscas o médico “está a exercer, mas a aguardar decisão da Caixa Geral de Aposentações relativamente ao seu pedido de aposentação”, avançou a responsável.

Com a saúde na ordem do dia, o tema foi também levado a reunião de Câmara Municipal de Abrantes pelos vereadores da oposição, querendo ambos saber qual o papel da autarquia perante esta carência de médicos de família no concelho de Abrantes.

“Compete ao Estado, neste caso particular ao Ministério da Saúde, dar estas respostas na colocação de médicos de Medicina Geral e Familiar e de enfermeiros. Compete aos municípios acompanhar estas situações, pressionar quem de direito mas no âmbito da transferência de competências, compete-nos tomar conta das infraestruturas. Cá estaremos para colaborar e ajudar em termos de infraestruturas e equipamentos. No que diz respeito às questões técnicas é uma responsabilidade do Ministério da Saúde e não abdicamos disso”, afirmou ao jornal mediotejo.net o presidente da Câmara Manuel Jorge Valamatos, à semelhança do que já havia respondido aos vereadores.

ÁUDIO | VEREADOR VITOR MOURA (PSD):

O vereador do PSD questionou se “deixou de haver consulta médica em Mouriscas”, lembrando a proposta sobre os cuidados de saúde primários levada recentemente a reunião de Câmara pelo vereador do ALTERNATIVAcom.

Sobre a aposentação do médico de Medicina Geral e Familiar em Mouriscas “a confirmar-se é mais uma freguesia que vai ficar sem médico de família. As coisas levam um caminho tal que nos levam a deixar algumas perguntas” nomeadamente “quantas são as freguesias que não têm médico de família em Abrantes e o que está a ser feito pelas pessoas, que assim ficam desprotegidas desse benefício, em termos de consulta, de transporte, de cuidados de enfermagem, aquisição de medicação?”, questionou Vitor Moura.

O vereador social democrata defendeu a necessidade de “encarar a realidade e perspetivar as preocupações futuras e as capacidades da autarquia e do Ministério da Saúde, sendo que somos todos a favor do Serviço Nacional de Saúde, mas um SNS que exista e que responda”, disse.

ÁUDIO | VEREADOR VASCO DAMAS (ALTERNATIVAcom):

Por seu lado, o vereador do ALTERNATIVAcom interrogou sobre “como tenciona o executivo municipal operacionalizar a recomendação sobre Cuidados de Saúde Primários aprovada na última sessão da Assembleia Municipal?”.

Vasco Damas enumerou depois as freguesias sem médico de família como Alvega, Concavada e Pego e segundo o que disse ter conseguido apurar “até ao final de fevereiro é impossível marcar consulta na Unidade de Saúde Familiar D. Francisco de Almeida. Se este assunto era importante, na nossa opinião, passou a ser prioritário”.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS (PS), PRESIDENTE CM ABRANTES:

Em declarações ao nosso jornal, e confrontado com a iniciativa do Município de Torres Novas, o projeto EVA, que leva profissionais de saúde à comunidade, Manuel Jorge Valamatos respondeu que “se a estratégia no futuro passar por termos uma carrinha, isso é outra coisa!” mas a intenção do Município de Abrantes, insistiu, passa “pelo ACES do Médio Tejo que tem responsabilidade sobre a colocação de médicos de saúde pública, e fazer parte da solução”, designadamente “é nossa intenção continuar a trabalhar com o ACES e construir novas Unidades de Saúde Familiar”.

“Mas só podemos fazer um edifício se o ACES do Médio Tejo responder tecnicamente”, frisou, acrescentando que o projeto EVA “não é para resolver” a problemática dos médicos de família, que considerou de extrema importância, “até para tirar as pessoas das urgências dos hospitais”.

Manifestando “preocupação”, o presidente da Câmara de Abrantes garante “acompanhar o processo” e salienta ser um problema nacional.

“Existem municípios com número de utentes sem médicos de família mais elevado do que nós. Até há pouco tempo tínhamos uma situação relativamente pacífica, comparativamente com outros, com as aposentações de alguns médicos a situação complicou-se”, reconhece.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.