O executivo camarário de Abrantes, de maioria PS, aprovou por unanimidade na reunião de câmara desta quarta-feira a moção proposta pela vereadora da CDU, Ricardina Lourenço, um documento que defende o encerramento da Central nuclear de Almaraz, e que condena a posição do governo espanhol em autorizar a instalação de um novo armazém de resíduos dessa central, junto à fronteira portuguesa. A moção será remetida para o Presidente da República, Assembleia da República e Ministério do Ambiente.
No documento consta que a “Câmara Municipal de Abrantes, reunida em sessão pública a 15 de fevereiro de 2017 condena firmemente a intenção do Governo Espanhol de autorizar a instalação de um armazém temporário de resíduos da central nuclear de Almaraz. Rejeita a instalação de qualquer nova central ou cemitério nuclear junto da fronteira portuguesa”.
João Gomes, vice-presidente da CMA, que presidiu à sessão na ausência da autarca Maria do Céu Albuquerque, justificou que o executivo, nomeadamente a maioria PS se revê no documento proposto pela CDU na sessão de dia 24 de janeiro, na pessoa da vereadora Ricardina Lourenço. “Revemo-nos no documento e vem ao encontro das tomadas de posição tanto do governo português como da Assembleia da República, que se têm mostrado muito preocupados com este assunto”, disse o vice-presidente, referindo-se nomeadamente ao encerramento da Central Nuclear de Almaraz e “o prolongar da vida da própria central, uma vez que a data de fecho da mesma foi ultrapassada, e a o governo espanhol promoveu o prolongar da data de vida daquela infraestrutura”.
Também a criação de armazém para depósito dos materiais radioativos se revela uma preocupação da parte da CM Abrantes. “Estamos muito preocupados com esta questão, porque estamos a falar de saúde pública (…) diretamente estamos a falar também do Tejo, que é também um bem muito importante para o município de Abrantes e para todos os municípios ribeirinhos, e nós continuamos muito preocupados com esta questão, revemo-nos nesta posição da moção da CDU e iremos continuar a acompanhar este assunto porque é de muita importância e que nos deixa muito preocupados porque não sabemos o que poderá acontecer no futuro”.
Segundo João Gomes é imperativo que se tomem “todas as medidas que estão ao nosso alcance para podermos evitar que aconteça algo de negativo em relação a esta situação”, terminou.
Recorde-se que neste documento são relembrados os acidentes nucleares de Chernobyl e Fukushima, salientando-se “ser o tempo para procurar novas formas de produção de energia”.
A proximidade com Portugal e os efeitos nefastos que podem ser causados no rio Tejo são pontos também incluídos no documento. “A Central Nuclear de Almaraz, colocada apenas a 100 km da fronteira com Portugal, constitui um perigo iminente para as populações, para o território e para as águas do rio Tejo, que utiliza como elemento de refrigeração”, lê-se na moção aprovada por unanimidade.
