A exposição dos “Ex-votos” foi inaugurada no dia 7 de abril, sexta-feira, no Castelo de Abrantes, com a presença de apreciadores das peças e artigos agora visitáveis, “mais que religiosos”, com interesse histórico, sociológico, científico, antropológico e artístico.
O Padre Francisco Valente, que representa a Diocese de Castelo Branco, enquanto responsável pela divulgação e valorização dos patrimónios culturais da Igreja Católica, disse que os Ex-votos, “têm um valor científico. E hoje há quem estude os ex-votos na perspectiva da ciência médica, para perceber um bocadinho a incidência das doenças em determinada época, em que eles foram representados, e os meios com que se combatiam essas mesmas doenças”.

“Ex-votos, é um termo latino da antiguidade clássica e nos templos pagãos, dos romanos e dos gregos, mas com a expansão do cristianismo também essas expressões foram cristianizadas”, explicou o padre.

Ex-voto significa uma promessa ou um voto. São, referiu o padre, “uma manifestação de gratidão por uma coisa que se recebeu” que identificavam “a pessoa que recebeu o milagre, o local que ela vivia, o que é que aconteceu e a data em que isso aconteceu, exatamente para dar testemunho, aquilo que me aconteceu a mim, também pode acontecer a vós”, esclareceu o padre Francisco.

Os registos, “podem ser até cabelos, parte do corpo, podem ser esculturas e pequenas esculturas. Esse conjunto que temos aqui é um conjunto de pinturas e desenhos, que estão cronologicamente valorizados desde o século XIX ou desde o século XX”, fez referência o padre da diocese de Portalegre, referindo que existem vários tipos de Ex-votos, apesar da exposição conter apenas pinturas.
E ainda relatou que eles podem ter expressões de ourivesaria e de outros tipos de objetos, como roupa, por exemplo. As noivas, também ofereciam o vestido, de acordo, com o voto que faziam. Os “Ex-votos” caíram em desuso com o aparecimento das fotografias, pois elas representam, “muito mais na realidade, a pessoa e o seu acontecimento”.
Por serem utilizados para realizar estudos, das sociedades da época em que foram pintados, para conhecer os comportamentos, modo de vida, os tipos de doenças e tratamentos utilizados “dizemos que os ex-votos são um manancial de informação a muitos níveis que devem ser preservados e devem ser cada vez mais valorizados”, justificou o Padre Francisco.

Na abertura estavam presentes a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, que deu início à exposição com um discurso breve, e o presidente da Câmara do Sardoal, António Miguel Borges, além do padre Francisco Valente, os padres Carlos e Adelino Cardoso.
