O Espalhafitas – Cineclube de Abrantes, inaugura o seu novo site esta terça-feira, 14 de abril, Dia Nacional do Cineclube. Com o novo site, segundo o Cineclube de Abrantes, “ainda em construção”, a secção de cinema da Associação Palha de Abrantes apela “a todos que, se o virem, enviem opiniões e correções às informações que lá estão e que irão sendo colocadas”. O site pode ser consultado aqui
A Federação Portuguesa de Cineclubes (FPCC) propôs à Federação Internacional de Cineclubes (FICC) o estabelecimento do dia 14 de abril como data internacional a ser comemorada, anunciou aquela instituição. Em comunicado, a federação dá conta do mote dirigido à congénere internacional, depois desta terça-feira marcar a segunda vez que se assinala o Dia Nacional do Cineclube, uma data dinamizada “em parceria com os cineclubes portugueses” que visa “ser um momento anual de celebração da atividade cineclubista e lembrar o seu contributo histórico social, educacional e cultural”.
A data assinala-se um dia depois do aniversário de fundação do Cineclube do Porto, razão pela qual a FPCC o assinala com um texto do arquiteto Alexandre Alves Costa, filho de Henrique Alves Costa e antigo membro dos órgãos sociais da associação portuense.
O dia 14 de abril foi escolhido a nível nacional, e agora proposto para todo o mundo, por ser também a data de fundação do primeiro cineclube, que surge em Paris em 1907, um dia antes do surgimento do mais antigo em Portugal, o Clube Português de Cinematografia – Cineclube do Porto.
As comemorações do segundo “Dia do Cineclube”, marcadas para decorrer de segunda-feira a domingo, foram adiadas devido à pandemia de covid-19 “e serão reagendadas para uma altura em que as condições sejam adequadas”, refere a FPCC.
Na carta, o arquiteto e professor catedrático da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto lembra o papel do pai como “o homem de todos os cineclubes”, expressão a ele atribuída em 1987 pela direção da FPCC.
Alves Costa lembra o papel destas instituições “durante o Estado Novo” enquanto “atividade de resistência antifascista” por “mostrar o mundo tal como ele é, sem a máscara inventada pelo regime”.
“O cinema, com a sua inexcedível capacidade de comunicação foi, no plano da cultura possível, o maior inimigo da ditadura. O cineclubismo foi subversivo, pela sua própria natureza”, lembra.

O arquiteto considera ainda que nos dias que correm a sua atividade se preenche de atualidade perante um “mundo globalizado” em que o cinema foi “tomado como indústria do lazer e não pelos seus valores artísticos”, com circuitos de produção e distribuição “dominados por valores estruturalmente comerciais e enfeudados às leis do mercado”.
“Por estas razões, associar cidadãos que lutam pela defesa de um cinema independente e de qualidade, fora daqueles circuitos, proporcionando o seu usufruto coletivo, tem, hoje, um valor de resistência, política e cultural, semelhante ao do passado fascista”, refere.
c/LUSA
