Foto: mediotejo.net

Foi a primeira escola profissional agrícola a ser criada em Portugal, e o seu pioneirismo tem dado frutos e feito vingar a instituição dentro e fora de fronteiras. A Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA), situada em Mouriscas, no concelho de Abrantes, comemorou esta semana os seus 32 anos de existência. Motor de desenvolvimento sustentável local e regional, assume como missão prioritária a formação dos jovens para a cidadania. Os desafios no futuro passam precisamente por continuar este trabalho, assente num projeto que se quer coeso, desafiante e desafiador, e sempre de portas abertas à comunidade.

É um dos principais polos de ensino profissional no Médio Tejo, e ministra cursos profissionais de nível 4, funcionando como uma opção à frequência de ensino regular, com equivalência ao 12º ano de escolaridade. Além da certificação profissional, a frequência dos cursos de educação e formação (CEF) permitem o prosseguimento de estudos no ensino superior.

Festejou entre os dias 22 e 23 de março mais um aniversário, promovendo diversas atividades que demonstraram um pouco do que se faz na Herdade da Murteira, entre os diversos cursos ministrados, contando com envolvimento direto dos alunos, docentes e técnicos.

Após uma pequena introdução de boas-vindas no Pavilhão Agro-alimentar, porque a chuva – muito bem-vinda – caía certeira nessa tarde, partiu-se para uma visita pelos diversos polos da EPDRA na extensa herdade.

Aqui, Marly Serras, nova diretora da instituição desde 2021, deixou agradecimentos a todos os que ao longos dos anos têm feito parte desta grande família e dado de si para manter esta escola profissional enquanto polo de ensino diferenciador e marcante na vida dos alunos, ajudando-os a trilhar caminhos para alcançarem os seus sonhos.

ÁUDIO | Discurso de Marly Serras, diretora da EPDRA

Os visitantes puderam contactar com os workshops promovidos no programa comemorativo do aniversário, nomeadamente sobre métodos de produção de cogumelos shitake em troncos de eucalipto, e ainda com a produção, em laboratório, de sabonetes artesanais e biológicos a partir de glicerina, azeite, leite de cabra e diversos produtos biológicos e endógenos, numa ótica de rentabilização de recursos e reaproveitamento de produtos.

De seguida, subindo ao picadeiro e à zona de atividade equestre, foi tempo de assistir a uma demonstração de volteio artístico, com exercícios de ginástica sobre um cavalo em movimento e onde os alunos puderam demonstrar a sua bravura e destreza, a par de um conjunto de alunas que com os equídeos puderam demonstrar a arte do hipismo e a disciplina e laço que tem de ser criado entre humano e cavalo para que ambos saiam bem sucedidos, como exemplo, nas provas de saltos e obstáculos.

Por fim, tempo para uma demonstração de atividades no âmbito da Proteção Civil, com presença de diversos meios e forças, desde os Bombeiros, Sapadores Florestais, GNR (GIPS e Grupo de Intervenção Cinotécnico), Exército, Proteção Civil Municipal, prontos a agir nas diversas esferas da proteção civil e serviço à comunidade, com dispositivos montados para acudir desde à destruição de ninhos de vespa asiática, ao combate e prevenção de incêndios florestais, à busca e resgate, ao auxílio da população em emergência.

De regresso ao pavilhão Agro-alimentar, cantaram-se os parabéns à Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, com direito não a um, mas a vários bolos incrivelmente preparados pelos alunos dos cursos de Cozinha/Pastelaria, inspirados nas tendêndias de cake design, mas que tinham a surpresa da manutenção do uso de produtos, aromas e sabores tradicionais e locais.

Acompanhados da produção vinícola feita e aprimorada na adega da escola, hoje a aposta já vai mas além, com passos a serem dados na produção de cerveja artesanal.

O dia terminou numa sala cheia, onde era visível a ligação próxima entre estudantes e direção, e ali se deu uma explosão de emoção e alegria contagiantes. Apagadas as velas, ficaram os desejos de cada um para que o sucesso continue presente num caminho que se quer longo, no futuro.

Foto: mediotejo.net

Marly Serras já havia definido a EPDRA como podendo ser traduzida em “Ensino, Partilha, Dinamismo, Rigor e Amizade”. Mas no dia em que se assinalaram os 32 anos de existência, dos quais ali foi docente cerca de 28 anos, falou orgulhosamente da “Família EPDRA”, onde todos rumam ao mesmo objetivo.

“Estes 32 anos representam uma longa caminhada, mas uma caminhada que tem sido feita com muito prazer e muita satisfação. Porque esta escola temos uma vantagem, que é trabalharmos todos para um só objetivo. Aqui não temos objetivos individuais. Temos um objetivo comum, que é a formação dos jovens e que eles concretizem o seu sonho”, começou por referir.

Acrescentou ainda que o objetivo passa por trabalhar para que da escola saiam “cidadãos de pleno direito, ativos, intervenientes na sociedade, e prontos para enfrentar o mundo do trabalho”.

Foto: mediotejo.net

Áudio | ENTREVISTA a Marly Serras, diretora da EPDRA em Mouriscas 

No ano letivo de 2021/2022 a EPDRA pôde contar com um universo de 143 alunos, havendo um acréscimo em relação ao ano anterior, tendo sido 126 os alunos que frequentaram a escola nessa altura.

Novidade é a certificação atribuída ao curso profissional de Bombeiro, que estreou no ano letivo 2021/2022 e que voltará a abrir no próximo ano letivo. A escola irá agora proceder a protocolo com a Escola Nacional de Bombeiros e Direção-Nacional, que permita aos alunos do curso da EPDRA, após o término do mesmo, ingressar logo numa corporação de bombeiros, sem ter de repetir módulos que já são dados no decorrer do curso.

Para o próximo ano, a oferta formativa irá manter-se, oferecendo os cursos profissionais de Técnico de Produção Agropecuária; Técnico de Gestão Equina; Técnico de Cozinha/Pastelaria; Técnico de Turismo Ambiental e Rural.

Já no que toca aos Cursos de Educação e Formação(CEF) em que os alunos fazem três anos em dois, correspondente ao 7º, 8º e 9º ano de escolaridade, mantém-se a oferta com abertura dos cursos de Padeiro/Pasteleiro, Mesa-Bar, Operador Agrícola (Horticultura e Fruticultura) e Tratador/Desbastador de Equinos.

As comemorações contaram com presença de diversos convidados, representantes de entidades e instituições locais, nomeadamente do presidente da CM Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e da vereadora com o pelouro da Educação, Celeste Simão.

O autarca discursou na iniciativa, relevando a existência da escola profissional de Mouriscas, enquanto “escola de referência local, regional, nacional e internacional”.

Também Susana Castanheira Lopes, Diretora-Geral da Administração Escolar, marcou presença, tendo enaltecido o papel da EPDRA no panorama do ensino profissional a nível nacional.

A EPDRA, antiga Escola Profissional de Agricultura de Abrantes (EPAA), foi criada em 1989, através de um contrato-programa celebrado ao abrigo do Decreto-Lei n.º 26/89, de 21 de janeiro, e foi a primeira escola profissional agrícola de natureza pública a ser criada em Portugal. A escola iniciou a sua atividade no ano letivo 1989/1990 com uma turma de 20 alunos do ensino profissional do curso Técnico de Gestão Agrícola.

A instituição intervém num contexto formativo local, regional, nacional e transnacional. Desde que iniciou o seu funcionamento, já formou alunos de todo o território nacional (ilhas incluídas), do espaço lusófono (Guiné, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Timor) e do espaço europeu (França, Alemanha, Itália, Finlândia, Hungria, Roménia e Bulgária).

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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