Inês Geraldes e Ana Catarina de Oliveira assinam o livro com os ensaios filosóficos

Este é o terceiro ano que alunos da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, são premiados pela Associação Portuguesa e Ética e Filosofia Prática pelos seus ensaios. Ana Catarina de Oliveira, do 12º, venceu este ano o 1º lugar da V Edição do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática. A aluna Inês Geraldes, a frequentar igualmente o 12º ano, mereceu uma menção honrosa, com prémio de mérito de publicação.

“Serão os robôs os cidadãos do futuro?“, foi o tema proposto pela Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática e tratado por Ana Catarina de Oliveira e Inês Geraldes. Os prémios atribuídos pela Associação de Braga, foram entregues na quarta-feira, 13 de junho, na Escola Dr. Manuel Fernandes. Em 2018 concorreram 32 ensaios de 26 escolas de todo o País (cada escola podeia concorrer com dois ensaios).

Os textos das duas alunas foram editados em livro pela Associação de Ética e Filosofia Prática, a exemplo do que sucedeu com os vencedores dos anos anteriores, mas esse prémio, que para o vencedor do primeiro lugar é aliado a um cheque de duzentos euros e um certificado, “não é o que mais entusiasma” os alunos que se propõem concorrer, diz o diretor do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes, Alcino Hermínio, mas sim “participar! Sentirem que fazem parte de uma história, que são capazes”. A publicação dos ensaios em livro “é o reconhecimento”.

Entrega de prémios da V Edição do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática.

Ana Catarina de Oliveira venceu este ano o 1º lugar da V Edição do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática. A aluna Inês Geraldes mereceu uma menção honrosa, com prémio de mérito de publicação.

Nos seus discursos de agradecimento na entrega dos prémios Ana Catarina e Inês explicaram o seu interesse pela Filosofia e a importância da mesma no quotidiano, sendo caraterizadas pela sua professora de Filosofia, Cláudia Nascimento, como, a primeira, “sistemática, rigorosa, com pensamento em flecha, perante o tema proposto preocupada com as sociedades que irão amanhecer nomeadamente no mundo do trabalho” A segunda pensou a questão “projetada pela história. Que democracias? Que cidadãos? Que mundo? Com uma vontade genuína de participar neste tipo de projetos”, explicou a docente.

Questionado pelo mediotejo.net sobre a invulgar capacidade dos jovens de refletir sobre questões profundas, Alcino Hermínio lamenta a existência na sociedade atual “do desconhecimento daquilo que se faz nas escolas. Deixa-se passar a ideia de que os professores ensinam mal os alunos ou não desenvolvem neles as competências que são necessárias para o futuro”.

Inês Geraldes

Admitindo que as duas premiadas encontram-se “entre os melhores dos melhores” alunos, Alcino Hermínio recusa ainda assim “uma visão pessimista que muitas vezes se transmite das escolas”. A prova desse trabalho está plasmada na conquista de prémios pelo terceiro ano consecutivo nas Edições do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática, sendo intenção da Escola continuar a participar na iniciativa.

“Definimos como estratégia de motivação para os alunos e professores agarrar as oportunidades”, revela, nomeadamente os desafios que chegam do exterior da escola “seja em que área for da ciência à tecnologia”. Reconhecendo ser impossível responder a todos os reptos, a escola mostra “essa preocupação” com o objetivo de motivar estudantes e corpo docente.

“O trabalho de um professor é muito duro, tal como o trabalho de ser pai ou mãe. É difícil!”, considerou. Pelo que os professores “necessitam de estímulos que quebrem a rotina” no sentido de “lidar melhor com as dificuldades do dia a dia, e estes desafios têm esse papel importante”, referiu.

Entrega de prémios da V Edição do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática. Ana Catarina de Oliveira com Alcino Hermínio, Eugénio Oliveira, Cláudia Nascimento

Presente na cerimónia de entrega dos prémios, em representação da Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática, o professor Eugénio Oliveira explicou que o propósito da Associação é “promover a ética, a filosofia e a escola”. Sendo este o quinto ano que a Associação atribui prémios, Eugénio Oliveira regista um crescendo no “interesse das escolas em concorrer”.

Considerou a filosofia “demasiado importante” para as sociedades democráticas, pela preservação da paz e dos direitos humanos, “se a filosofia acabar termina o pensamento crítico”. E observou que “o livro tem um valor inestimável. Para os alunos terá um valor para toda a vida”. Lamentou o fraco reconhecimento do trabalho dos professores pela comunidade portuguesa, dizendo que, apesar de serem funcionários públicos, “o mal dos professores é não estarem no espaço público”.

Comentando o terceiro ano que a Escola Dr. Manuel Fernandes conquista prémios, Eugénio Oliveira atribui essa conquista à “professora Cláudia que criou na escola um ambiente propício à filosofia. Abrantes concorre com excelentes ensaios e está sempre em condições de ser premiada”.

Entrega de prémios da V Edição do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática. Ana Catarina de Oliveira

Por seu lado a Cláudia Nascimento “não se revê no agradecimento” ao seu trabalho. “O meu trabalho tem sido praticamente zero” disse, acrescentando que passa pela “divulgação” aparecendo alunos interessados em participar. A construção de um ensaio filosófico é aprendido desde o 10º ano.

Em representação do Município, a presidente Maria do Céu Albuquerque referiu ser o prémio “o reconhecimento de toda uma comunidade educativa”. Segundo a autarca, os alunos encontram uma oportunidade para crescerem no espaço público. “A Educação é o melhor investimento que podemos fazer” E o investimento na Educação, deve acontecer desde o pré-escolar ao ensino superior com “aprendizagens cada vez mais eficientes, que possamos ensinar a ser, a saber e também a fazer”.

Maria do Céu Albuquerque lembrou serem aos professores que “os nossos filhos estão entregues. É com eles que passam mais tempo, muitas vezes sem o reconhecimento e valorização dos próprios pais”. Agradeceu a existência e trabalho de Associações como a que agora premeia o trabalho das alunas da Escola Dr. Manuel Fernandes pois “valorizam o papel da filosofia para uma sociedade mais justa, mais igual” dando oportunidade “a todos de mostrar o que são capazes de fazer por si e pelos outros”.

Da parte das premiadas, Ana Catarina de Oliveira considerou o tema de 2018 mais “fácil e cativante” do que o do ano anterior. “É importante pensarmos em todas as mudanças e consequências” que as novas tecnologias, incluindo a robótica “terão no futuro”. A aluna focou-se nas áreas da sociedade onde a robótica terá grande implicância, nomeadamente no trabalho. Durante o seu ensaio percebeu estar a ser pensada a construção de uma máquina com ética. “Isso deveria preocupar-nos!”, exclama receosa. A cidadania foi outro tema igualmente trabalhado pela aluna, traduzida “no exercício de direitos e deveres que não podemos dissociar da democracia”. Ana Catarina manifestou-se “assustada com o futuro que aí vem”.

Por seu lado, Inês Geraldes agarrou esta oportunidade para refletir sobre a sociedade atual mas essencialmente “na sociedade que queremos viver”. Agradeceu à professora pela consciência que hoje tem de si e do mundo. E fez da cidadania “a parte mais importante” do seu ensaio filosófico.

Na IV Edição do Prémio Nacional em Ética e Filosofia Prática, em 2017, Ana Catarina de Oliveira, então no 11º, conquistou uma menção honrosa.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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