Cineteatro São Pedro em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Depois do primeiro procedimento concursal para as obras de reabilitação e ampliação do edifício do Cineteatro São Pedro, em Abrantes ter ficado deserto, a Câmara Municipal aprovou agora uma nova proposta que estará na base de um novo concurso. De um valor anteriormente fixado nos 1.799.580,00 euros aumentou para 2.850.670,00 (acrescido de IVA à taxa legal em vigor).

Recorda-se que a Câmara Municipal de Abrantes aprovou em agosto de 2021 a abertura de novo concurso público para a obras de reabilitação e ampliação do edifício do Cineteatro São Pedro, em Abrantes, uma vez que não existiram propostas válidas no primeiro concurso lançado pela autarquia. Os concorrentes foram excluídos por apresentarem valores superiores ao preço base estabelecido no caderno de encargos. A autarquia teve por isso de rever o valor em alta, abrindo novo procedimento concursal com intuito de conseguir uma proposta que se enquadre e se avance para a realização da obra. O prazo previsto para execução da obra será de 450 dias.

No final de dezembro do ano passado foi anunciado pela CCDR Centro a aprovação de um apoio financeiro para a obra de requalificação do Cineteatro São Pedro pelo Programa Operacional Regional Centro 2020. A empreitada do Cineteatro São Pedro terá um apoio de cerca de 1.4 ME.

O projeto da empreitada de “Restauro, reabilitação, remodelação e ampliação do edifício do Cineteatro São Pedro”, em Abrantes, foi aprovada tal como a abertura do primeiro procedimento a 27 de abril de 2021. Esperava-se que a obra, que se estimava rondar os dois milhões de euros, arrancasse em seis meses mas tal não aconteceu.

Na última reunião de executivo foi aprovada a proposta com um valor de cerca de três milhões de euros, preço base “obtido através do orçamento elaborado pelos autores de projeto, e complementarmente confirmado através dos custos médios unitários resultantes de empreitadas do mesmo tipo e análogas, anteriormente adjudicadas, em termos de duração do contrato, quantidades e outros aspetos contratuais, tendo ainda sido considerada a atualização dos referidos preços, bem como a sua adequação à realidade”, explica o executivo de maioria PS.

Ou seja, “devido aos valores de mercado”, disse o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, explicação corroborada pelo vice-presidente, João Gomes, que vincou o facto de “não se poder correr o risco hoje de voltarmos a ter um procedimento que fique vazio”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, MANUEL JORGE VALAMATOS:

Segundo Manuel Jorge Valamatos, preocupa “a execução da obra e a relação que temos com os quadros de apoio comunitário porque os timings ‘estão mesmo à pele’ e precisamos verdadeiramente ter uma empresa que agarre este projeto, que execute a obra e que até ao final do quadro de apoio comunitário consigamos ter a obra executada. Precisamos ter o apoio comunitário que tão importante é para esta empreitada”, vincou.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, MANUEL JORGE VALAMATOS:

Do lado da oposição, o vereador do PSD, Vitor Moura, sublinhou “a diferença substancial” entre a primeira fase na qual o concurso ficou deserto “e esta que pretendemos executar. Fiz a conta e são 58% de acréscimo”, disse.

Aproveitou o momento para afirmar que “não foi a pandemia que encerrou o Cineteatro São Pedro, está há mais de 4 anos encerrado e com o tempo previsto para esta empreitada e ainda nem sequer está iniciada. Sabemos de antemão que serão pelo menos seis anos que os abrantinos não terão espetáculos naquela sala e não temos uma sala daquela dimensão alternativa. Abrantes nem sequer cinema tem”, observou.

Vitor Moura voltou a criticar um investimento “numa sala que não responde ao objetivo de poder ali concretizar um espetáculo com alguma dimensão. As grandes produções de espetáculos, mesmo nacionais ou internacionais, não poderão ser presenciadas muitas delas”, disse, referindo a falta de estacionamento no local e reiterando “ a velha mensagem do PSD” ou seja, o pavilhão multiusos “que não é aquele que o executivo pretende construir no antigo mercado diário”.

ÁUDIO | VEREADOR DO PSD, VITOR MOURA:

Em resposta ao vereador social democrata, Manuel Jorge Valamatos nega ter sido o PS responsável pelo encerramento do Cineteatro São Pedro e vinca ser o executivo socialista quem “devolveu” o Cineteatro à comunidade abrantina e “tem o projeto e o vai reabilitar”.

ÁUDIO | VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, JOÃO GOMES:

Após João Gomes explicar as razões do acréscimo de cerca de um milhão de euros, como o valor do mercado, o aumento do preço das matérias primas durante o período da pandemia e até do valor da mão-de-obra, o vereador Vasco Damas, eleito pelo movimento independente ALTERNATIVAcom entendeu alterar o seu sentido de voto, inicialmente pensado para abstenção acabou por aprovar a proposta.

“Fiquei mais tranquilo com as explicações do vice-presidente João Gomes, porque também olhei para este ponto com alguma preocupação”, disse. No entanto, “sei que houve uma inflação brutal tanto nos preços, como nas exportações, como na contentorização e tudo isso fez disparar uma série de preços de matérias primas”, concordou, pedindo para os vereadores da oposição terem acesso ao projeto.

ÁUDIO | VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, JOÃO GOMES:

As mudanças passam pela ampliação em terreno contíguo, de modo a garantir uma melhor acessibilidade ao edifício, nomeadamente, para cargas e descargas, para garantir mais uma saída de emergência e ainda uma zona verde para eventos ao ar livre. Por outro lado, o palco vai ser aumentado, a régie é transferida para o balcão conhecido como ‘piolho’, que deixa de existir com lugares sentados, e o sistema de aquecimento da sala passará a estar debaixo das cadeiras.

O novo Cineteatro contará com um auditório com 386 lugares, sendo 246 na plateia, prevendo “lugares para pessoas com mobilidade condicionada na primeira e na última fila”, explicou no momento da apresentação do projeto o vice-presidente João Gomes.

ÁUDIO | VEREADOR DO ALTERNATIVAcom, VASCO DAMAS:

O palco “será aumentado em toda a sua dimensão”, reduzindo duas filas de cadeiras, e “vai descer, perdendo a ligeira inclinação para ficar nivelado”. Um nível abaixo do palco “nasce uma porta, onde teremos a monta-cargas que irá permitir a sublevação dos equipamentos para os espetáculos”, avançou.

No piso 1, com primeiro balcão e sala polivalente, haverá 140 lugares. E ainda “uma copa de apoio e elevador que permite zona de circulação”, acrescenta o vice-presidente, falando ainda do piso 2, onde ficará a régie.

Historicamente, e segundo a Direção-Geral do Património Cultural, o Cineteatro São Pedro “foi encomenda de um grupo de cidadãos de Abrantes”, que depois se constituiu em sociedade comercial – Iniciativas de Abrantes, Lda.

Foi levantado no local onde outrora esteve edificada a igreja de São Pedro (1708), destruída para a construção do Cineteatro, e abriu as portas a 19 de fevereiro de 1949. O projeto do arquiteto Ruy Jervis d’Athouguia, datado de 1947, foi de alguma forma condicionado quer pela implantação do edifício no terreno, quer pelas fundações já existentes de um primeiro projeto, datado de 1946, da autoria do arquiteto Amílcar Pinto.

Implantado no Centro Histórico de Abrantes, tem a fachada principal virada a Norte, para o Largo de S. Pedro, nas imediações do Adro da Igreja de S. Vicente. Apresenta planta retangular, desenvolvida segundo o eixo Norte-Sul, com corpo de camarins e salão de festas adossado à caixa de palco e parte da plateia. A volumetria é horizontal, com aproveitamento de desnível do terreno, e as coberturas são mistas, em terraço e telhado, escondidas pelo remate murário.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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