Festas da Ascensão em Bemposta

A quinta-feira da Ascensão é feriado em muitos municípios portugueses. Não é o caso de Abrantes que celebra o seu feriado municipal a 14 de junho, no entanto, em Bemposta o dia do arranque das festividades da Ascensão não sendo feriado, é como se fosse. Os filhos da terra regressam, muitos habitantes tiram férias embora o comércio permaneça aberto, os funcionários da junta de freguesia têm tolerância de ponto, e até as crianças em idade escolar veem o horário reduzido para metade.

São quatro dias de festa cujo primeiro conta com a procissão em honra da Nossa Senhora do Rosário. Este ano a organização é da responsabilidade da Associação de Solidariedade Social Pró-Cultura Professor Silva Leitão.

Bemposta fervilha de cor. As ruas enfeitadas, as janelas das casas com mantas e colchas estendidas, flores de papel ou plástico colorido decoram as paredes exteriores, os muros, e as pessoas convivem nos cafés, nas praças. Reveem familiares, amigos, caminham para a igreja de onde, após a missa, sai a procissão em honra da Nossa Senhora do Rosário.

A acompanhar os devotos a Banda Filarmónica de Muge. As Festas da Ascensão decorrem de 10 a 13 de maio, e começam numa quinta-feira de Espiga que não sendo feriado, naquela freguesia do concelho de Abrantes, parece que é.

O presidente da Junta de Freguesia, Manuel João Alves, revela um cartaz das Festas da Ascensão em Bemposta do ano de 1951, mas provavelmente, diz, estarão perto do centenário.

“São muito importantes para toda a freguesia, conseguem conjugar o sentimento de festividade religiosa essencialmente no primeiro dia de todas as localidades” explica o autarca referindo que na procissão cada uma das localidades está representada carregando um dos andores com as imagens. “Isso revela o envolvimento de toda a freguesia nestas Festas com muita tradição”.

Os festejos iniciaram-se esta quinta-feira com o peditório, com acompanhamento da Banda Filarmónica de Muge e à noite com baile com Marco Morgado.

Ao longo dos anos, nas Festas já decorreram “inúmeras atividades, vamos tentando manter algumas, essencialmente manter a tradição para que não se perca e que reúna, como é o caso, todos os seus” os que estão e os que regressam à sua terra de origem para as festividades.

Manuel João lembra que num passado não muito longínquo Bemposta teve cerca de quatro mil habitantes e agora “infelizmente tem pouco mais de 1500” número que pelas Festas da Ascensão duplica. “Os filhos da terra com gosto, às vezes com lágrimas nos olhos, regressam” todos os anos por esta época.

Em 2018, a organização fica a cargo da Associação de Solidariedade Social Pró-Cultura Professor Silva Leitão. Há uns anos a esta parte “tentamos ajudar e divulgar as associações da freguesia e desta localidade que são as que assumem a responsabilidade de realizar as Festas”.

Dos festejos resultam proventos financeiros, no caso desta Associação de Solidariedade tem a ambição de construir em Bemposta um Lar de Terceira Idade, mas por outro lado “responsabiliza as coletividades, não sendo sempre os mesmos” sendo uma ação “diversificada, no sentido de melhorar as Festas”, explicou o presidente.

Há dois anos outra tradição foi recuperada, premiando a rua “mais embelezada” da aldeia numa espécie de concurso. Uma iniciativa “bem acolhida pelas pessoas. Cada vez mais envolvidas em pôr as ruas bonitas e isso dá mais cor à Festa”.

Na sexta-feira, dia 11, a noite será animada pela banda Império, com Camião Palco e no sábado, dia 12, atuará a banda Opção 4 e às 24h00 Cathy sobe ao palco com bailarina e violino. No último dia das festas haverá aula de Zumba, às 16h00, com Ritmix e a noite de baile será com o Duo Estrada & Várius.

Do programa Manuel João Alves prefere destacar “a realização dos festejos, porque independentemente do programa e dos artistas convidados, as pessoas aderem” uma vez que as Festas vão além do entretenimento, tendo a “missão de ajudar” uma coletividade. Ainda assim, o presidente assume a tentativa de levar aos palcos “artistas que nos dignifiquem” e promovam a diversão. Acredita ser o programa “possível” tendo em conta a conjuntura económica.

Em dia da Ascensão e da Espiga, as crianças do Centro Escolar de Bemposta deslocaram-se ao campo para entenderem a tradição e o seu significado.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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