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O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, deu conta em reunião de executivo que as extensões de Saúde de Alvega e Pego voltaram a ter médico de família, bem como a freguesia de Mouriscas, onde uma profissional de saúde começará a exercer a 01 de março.

Como já foi tornado público, este ano mais de mil médicos de família podem pedir a reforma o que irá agudizar o problema, sendo cerca de 1 milhão e meio os portugueses que, atualmente, não têm médico de família. Para as contas deste número entram os utentes do Médio Tejo (cerca de 40 mil) e, designadamente, do concelho de Abrantes.

Contudo, na terça-feira, 8 de fevereiro, em reunião de executivo, o presidente da Câmara deu conta de regressar um médico aos polos de Saúde de Pego, Alvega e Mouriscas.

A este propósito esclareceu que a solução, para já, passa pela colocação de uma médica no Pego, que presta cuidados de saúde durante quatro dias naquele polo de saúde (segunda, terça, quinta e sexta) e no polo de saúde de Alvega, um dia (quarta-feira). Está previsto que o polo de Saúde de Mouriscas volte a ter médico a partir de 1 de março.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA DE ABRANTES, MANUEL JORGE VALAMATOS:

Estas extensões de saúde integram a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizada (UCSP) de Abrantes sendo que esta “nos últimos meses, se tem confrontado com a aposentação de vários médicos de família”, disse fonte do ACES Médio Tejo ao nosso jornal.

No último concurso de acesso à carreira médica “a vaga da UCSP de Abrantes não foi ocupada, pelo que o ACES Médio Tejo e a ARSLVT tiveram que recorrer ao aumento das horas médicas de prestação de serviços. Esta foi a solução encontrada quer para as extensões do Pego e Alvega, quer para a extensão de Mouriscas que, neste momento, aguarda o regresso de uma médica de prestação de serviços que trabalha com a nossa instituição”, explica.

Uma solução que o ACES Médio Tejo “espera transitória, até que seja possível aumentar o número de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar no ACES e, desse modo, atribuir médico de família aos utentes”.

Indica que em Alvega estão inscritos 1100 utentes e no Pego 1970. “Sendo esta situação alternativa e provisória o número de horas de prestação de serviços médicos é atribuída de acordo com as disponibilidades dos próprios médicos em causa e do número de utentes em cada polo”.

Informa, ainda, que o ACES Médio Tejo e a UCSP de Abrantes “disponibilizam ainda consulta de recurso na sede de segunda a sexta feira”, ou seja, na sede da Unidade Cuidados de Saúde Personalizados de Abrantes.

Questionado o coordenador das Unidades de Cuidados de Saúde Primários (UCSP) de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal, António Novais Tavares fala numa situação “muito critica” no que diz respeito à colocação de médicos. Os clínicos agora colocados são “médicos contratados, que hoje estão e amanhã podem não estar. Muito longe de serem médicos de família”, esclarece.

António Novais Tavares confirma a informação veiculada inicialmente pelo presidente Manuel Jorge Valamatos e explica que em Alvega “a médica prestará serviço de 8 horas. Menos duas do que prestava a médica anterior”.

Perante um cenário “nacional” de falta de médicos, o responsável vinca que o ACES tenta encontrar “a melhor solução possível para os utentes” e refere que a situação vivida no Centro de Saúde de Alferrarede “é preocupante, em termos de utentes sem médico”.

Portanto, por questões de organização, “a médica que será colocada em Mouriscas – não estará lá a tempo inteiro – terá de dar consultas também em Alferrarede”, refere.

Mais esclarece que, apesar de terem cuidados médicos um dia por semana, os utentes de Alvega poderão marcar consulta na extensão de Saúde do Pego ou continuar a recorrer às consultas de recurso, agora já com marcação por telefone, a partir das 08h00, ou presencialmente como tem acontecido.

No concelho de Abrantes são oito mil os utentes sem médico de família. Questionada sobre o número de médicos de família em falta na região do Médio Tejo, a diretora executiva do ACES, Diana Leiria, respondeu que “para garantir cobertura total de médico de família à população servida pelas unidades funcionais do ACES Médio Tejo precisaríamos de mais 23 médicos de Medicina Geral e Familiar, pois neste momento estão cerca de 40 mil utentes sem médico de família neste ACES”, sendo os concelhos de Ourém, Abrantes e Torres Novas aqueles que “neste momento estão mais carenciados”, indicou.

O posto de da freguesia de Alvega e Concavada ficou sem médico no final do ano de 2021 e Mouriscas no inicio do ano 2022, por aposentação do clínico que ali prestava cuidados médicos.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 Comentário

  1. Está visto! os utentes de Alvega só podem ficar doentes um dia por semana, resta saber qual será de 2a a 6af. Isto se não se puderem deslocar a outro centro de saúde, o que acontecerá para todos aqueles que não tiverem condições para se deslocarem, que será a grande maioria, pessoas idosas e com poucos recursos!
    O meu pai, já com 86 anos, mudou-se em outubro de 2021 para a freguesia de Alvega, e infelizmente ressentiu-se muito a nível da sua saúde, pela falta de assistencia médica regular e pontualmente durante algumas crises mais agudas.
    Não fossem as filhas transportarem-no até às urgências do hospital de Abrantes e a situação teria terminado de forma bem mais trágica !
    Quanto à minha mãe, infelizmente o desfecho foi fatal, pela idade avançada, sim mas principalmente pela falta de assistência médica regular e local.
    Uma situação absolutante insustentável para todos, em especial para todos os idosos que residem na zona.

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