Reunião da Junta de Freguesia de Abrantes

O executivo da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede reunido de emergência, na passada quinta-feira, dia 4, decidiu convocar os membros dos vários partidos que compõem a Assembleia de Freguesia para dar conta das diligências tomadas e juntos tomarem uma posição sobre o encerramento do balcão dos CTT em Alferrarede. Segundo o presidente do executivo, Bruno Tomás (PS), o convite deveu-se ao entendimento de ser uma questão “que ultrapassa o Executivo” da Junta de Freguesia.

O presidente da Junta de Freguesia de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede deu conta da reunião na quinta-feira, “com caráter de urgência”, em Lisboa, com o diretor da Área Comercial e Parceiros dos CTT, onde foi “oficialmente informado da real intenção de encerramento do balcão” dos CTT em Alferrarede.

Na passada sexta-feira, reunido com o Executivo e com os eleitos da Assembleia de Freguesia, Bruno Tomás (PS) falou no que representa para a população o encerramento da loja e naquilo que “assenta o serviço público de proximidade” tendo em conta que a loja de Aferrarede situa-se “numa cidade com uma rede de transportes públicos deficitária” e com uma população “maioritariamente envelhecida”.

O presidente da Junta explicou terem sido tomadas algumas diligências nomeadamente “procurar agendar audições com os vários grupos parlamentares representados na Assembleia da República” lembrando o contrato de concessão e o devido “respeito pelo serviço público” lembrando que os deputados da Nação e o Governo “têm obrigação de verificar se está ou não a ser prestado esse serviço público”.

Bruno Tomás lembrou ainda a reunião que a Câmara Municipal terá com o conselho de administração dos CTT, esta terça-feira dia 9, manifestando-se “expectante” com o que poderá sair da mesma.

Sobre a possibilidade da Junta de Freguesia assumir o custo de ter o serviço de CTT nas instalações da Junta, o autarca admitiu ser uma questão para “analisar” mas sublinhou que “a cedência não poderá ser sempre das populações, ou das autarquias locais. As cedências têm de ser das duas partes e a administração dos CTT também tem de ceder” para que o serviço público continue a ser prestado.

Reunião na Junta de Freguesia de Abrantes

Por seu lado, António Cartaxo do Partido Social Democrata disse que “neste momento o PSD considera-se um cidadão de Abrantes e da Junta de Freguesia” sendo a questão partidária “irrelevante”, importando “a defesa dos interesses dos cidadãos”. António Cartaxo lembrou que aquele balcão dos CTT não serve apenas a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede mas também outras freguesias do concelho nomeadamente as rurais como Alvega, à qual “as pessoas se deslocam para levantarem as suas reformas”.

Manifestando-se contra o encerramento do balcão dos CTT de Alferrarede, referiu ser um decisão “imponderada” e exclusivamente “financeira que prejudica os cidadãos de Abrantes”.

Também Miguel Moreira deixou claro que o Bloco de Esquerda “terá as suas formas de luta” contra o encerramento do balcão, afirmando que a “indignação é generalizada” uma vez que “só mesmo quem não conhece é que não percebe a importância que tem” para a população. “Esta decisão da administração dos CTT vem completamente contra as necessidades básicas das populações” disse, deixando um apelo às populações para que “manifestem a sua indignação” para que a decisão de encerramento “não seja irreversível”.

Os eleitos da CDU não estiveram presentes nesta reunião.

Os CTT confirmaram em 02 de janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar 53 postos de trabalho.

A empresa referiu que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas “não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respetivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente”.

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Gondomar), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).

A decisão de encerramento tem motivado críticas de autarquias e utentes.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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