Vacinação contra a covid-19 no CRIA, em Abrantes. Créditos: CRIA

Depois de autarcas, dirigentes de lares, funcionários da segurança social e do INEM estarem no centro dos vários casos de vacinação indevida denunciados em vários pontos do País, alguns a ser alvo de inquéritos por parte do Ministério Público, outras situações polémicas surgiram também na sub-região do Médio Tejo. Um dirigente do CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes critica quem é vacinado indevidamente. Victor Costa considera que “a utilização de vacinas por qualquer membro” da direção do CRIA seria “um ultraje aos princípios éticos” da instituição.

Para Victor Teixeira da Costa, tesoureiro do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes “a utilização de vacinas por qualquer membro” da direção do CRIA, “seria um ultraje aos princípios éticos que o CRIA se deve reger, seria os diretores a servirem-se do CRIA e não a servir voluntariamente o mesmo”.

A vacinação contra a covid-19 no CRIA (no que se refere aos 20 utentes de Lar, estando ainda por vacinar os utentes do CAO e da formação), tendo em conta a informação publicada na página da instituição na rede social Facebook, decorreu na quinta-feira da semana passada, dia 28 de janeiro. E o mediotejo.net sabe que estiveram presentes na vacinação membros da direção, nomeadamente o presidente.

No entanto, o tesoureiro do CRIA, inclusivamente, segundo disse ao nosso jornal, “para afastar qualquer suspeita” de o próprio ter sido indevidamente vacinado e “para se demarcar da falta de esclarecimentos até ao momento”, tornou público não ter sido vacinado.

Na sua página pessoal na rede social Facebook, identificando-se como tesoureiro do CRIA de Abrantes, Victor Teixeira da Costa afirmou que “nenhum membro da direção tem a necessidade de estar em permanência no CRIA, os membros incluindo o presidente por vida pessoal já esteve ausente diversas vezes com dias seguidos, o CRIA nunca parou”.

Explica que na atual situação da covid-19 “o plano de contingência proíbe a interação entre as áreas – lar, formação, CAO, etc. Logo todos os membros estão automaticamente excluídos do contacto com os utentes”.

Considera que “em caso de haver uma situação de vacinas em excesso para o número de pessoas, seria fácil contactar utentes do CRIA, que moram na área envolvente do CRIA, para estarem presentes num curto período de tempo 5/10 minutos”.

Acrescenta que na hipótese de “não termos disponível utentes para as vacinas extras, qualquer trabalhador do CRIA com contacto direto com os utentes seria a meu ver prioritário, e no fim da lista todos os outros”.

Afirma desconhecer “se algum membro da direção ou dos Órgãos Sociais tomaram a vacina covid” e diz “esperar sinceramente que não o tenham feito, por não haver nenhuma razão plausível para terem tomado a vacina”.

Com o objetivo de perceber se esta é também a posição do presidente da direção do CRIA, e se ocorreu vacinação indevida na instituição, designadamente se o presidente da direção foi vacinado, quais as razões e se outros dirigentes foram igualmente vacinados, o jornal mediotejo.net fez várias tentativas de contacto com Nelson de Carvalho desde o dia 2 de fevereiro, mas até à data o presidente não prestou os esclarecimentos solicitados.

O primeiro caso de vacinação a violar os critérios estabelecidos no plano nacional a ser denunciado envolveu José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, que justificou ter sido vacinado na qualidade de dirigente de um lar.

Situação mais polémica verificou-se no Centro Distrital de Setúbal do Instituto da Segurança Social (ISS), cuja diretora, Natividade Coelho, apresentou a demissão, no dia 29 de janeiro, depois de na véspera a SIC ter noticiado que 126 funcionários daquele organismo público tinham sido vacinados indevidamente.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República foram também já instaurados inquéritos relativamente aos casos que envolvem o INEM de Lisboa e o do Porto.

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse na segunda-feira que o Ministério da Saúde está empenhado em que os casos de incumprimento “sejam tratados adequadamente”, porque o processo de vacinação “não pode sofrer fragilidades”.

Entretanto, o coordenador da ‘task force’ para o Plano de Vacinação contra a covid-19 em Portugal, Francisco Ramos, demitiu-se do cargo esta quarta-feira.

C/Lusa

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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