Um dos alunos fez uma caricatura de Donald Trump. Foto: mediotejo.net

A convite da Biblioteca Municipal António Botto, Rachel Caiano realizou na sexta-feira, 20, um atelier de ilustração contando com a presença de 17 crianças, dos 7 aos 9 anos, da Escola EB1 de Rio de Moinhos, e 10 adolescentes do 11° ano da Escola Solano de Abreu. Ela começou por desafiá-los dizendo: “Hoje não vamos ilustrar com lápis de cor e canetas, mas com cartão e papel.”

O material foi distribuído sobre as mesas que já estavam preparadas, para colocarem em prática a sua imaginação. Havia tesouras, cola em tubo, cartão e alguns papéis coloridos. Numa das mesas pequeninas onde as crianças se sentaram à volta, ouviu-se a voz de um dos miúdos: “Vou fazer o Donald Trump!”. E logo o outro ao lado, com certo tom de indignação, inquiriu: “Estás maluco? O Donald Trump está a anunciar a 3° guerra mundial!”

O desafio feito pela ilustradora foi aceite pelas crianças, que criaram as suas caricaturas sem dificuldades. Cada uma ao seu jeito e de acordo com a sua imaginação. Uns criaram expressões mais dóceis, outras caras bravas, algumas sem expressão, mas todas feitas com entusiasmo.

A artista plástica apresentou alguns dos livros que ilustrou e incentivou-os dizendo: “É bom vocês terem um sítio onde possam ir fazendo uns riscos e apontando umas coisas, desenhando e escrevendo.” Afirmou também que deveriam criar as suas imagem sem ficarem preocupados com o resultado e expôs o seu caderno de rascunhos com o esqueleto inicial dos seus desenhos. “Há coisas que também tenho dificuldade em desenhar”, disse. Lembrou que quando inicia algum trabalho não tem a preocupação se o desenho está bem, se está mal ou se está torto.

Rachel iniciou o workshop de maneira participativa envolvendo os pequenos (e os maiores também). Explicou os detalhes do livro “Ombela – A origem das Chuvas”, que tem como autor o escritor angolano Ondjaki. Perguntou se as crianças sabiam o que significava “Ombela”. De forma unânime, responderam “não”. Ela esclareceu então que a palavra não é portuguesa mas sim angolana e que significa “chuva”.

No final da oficina, quando só restavam os adolescentes do 11° ano, explicou que “a imaginação é a fonte da ilustração” e que existem indivíduos que são “analfabetos visuais” e, por isso, não conseguem ler imagens. Rachel fechou a oficina dizendo que “a disciplina de arte deveria ser obrigatória para todos”.

*Vinicius Alevato

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