O Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) permanece em atraso no pagamento do subsídio de férias e parte do ordenado de outubro aos cerca de 100 trabalhadores da instituição. Os graves problemas orçamentais que deixam a instituição em risco são motivo de preocupação do Executivo de Abrantes que levou o CRIA a reunião de Câmara. Nelson de Carvalho diz que o futuro da instituição não está em causa.
Enquanto parceiros da rede social, o Executivo da Câmara Municipal de Abrantes agendou para o início da próxima semana uma reunião com a direção do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) e o diretor regional da Segurança Social, Renato Bento, e uma vogal do Instituto da Segurança Social.
O Executivo garante “estar a acompanhar de forma muito próxima” a situação financeira do CRIA considerada “muito difícil”, disse a presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque, esta terça-feira, 13 de novembro.

A vereadora Celeste Simão, com o pelouro da Ação Social, reuniu recentemente com a direção do CRIA onde esteve presente o diretor regional da Segurança Social e na sequência dessa reunião a Câmara Municipal decidiu pedir uma reunião à vogal do Instituto da Segurança Social com o objetivo de “perceber a forma de viabilizar aquela instituição” que presta serviço a centenas de pessoas com deficiência nos vários concelhos da região do Médio Tejo e limítrofes.
Maria do Céu Albuquerque explica que o CRIA candidatou-se a um Fundo de Emergência, no entanto, esclarece a presidente, a atribuição deste Fundo obriga a “um conjunto de pareceres prévios de várias organizações, o que ainda não aconteceu”, diz reconhecendo “o problema de gestão que tem de ser resolvido” dando conta do “empenho da direção e da Segurança Social” nesse âmbito.
A autarca sublinhou a “importância da sustentabilidade” do CRIA não só para o concelho de Abrantes como para “toda a região”, acrescentando que as verbas em atraso, embora “importantes”, são “pouco significativas” e serão libertadas com a entrega de “documentos complementares”.
Contudo, a presidente reconhece que o pagamento do subsídio de férias e parte do ordenado de outubro aos cerca de 100 trabalhadores da instituição “não resolve o problema” obrigando a “uma resposta” que pode chegar através do Fundo de Emergência.
O vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, manifestou a posição do seu partido dizendo que “está em posição de ajudar sem politizar a situação”, adiantando que o BE já reuniu com a Comissão de Trabalhadores do CRIA.
Por seu lado, Maria do Céu Albuquerque informa que, até ao momento, os trabalhadores “não pediram à Câmara uma reunião” sobre a situação financeira do CRIA, embora saiba o Executivo que a Comissão de Trabalhadores estará presente na próxima sessão de Assembleia Municipal dia 30 de novembro.

A mesma posição foi manifestada pelo vereador Rui Santos, do Partido Social Democrata, que deu conta de também reunir com a Comissão de Trabalhadores e direção do CRIA. “Espero sinceramente não haja nenhum partido a tirar proveito político desta situação” afirmou Rui Santos, concordando com Armindo Silveira quando disse “esta é uma questão social e não política”.
Entretanto, os trabalhadores do CRIA manifestaram preocupação com o futuro da instituição dado o pagamento do subsídio de férias e parte do ordenado de outubro estar atrasado.
Num documento a que o mediotejo.net teve acesso, a Comissão de Trabalhadores do CRIA, instituição particular de solidariedade social com sede em Abrantes, dá conta de que os funcionários foram “recentemente confrontados com graves dificuldades financeiras” que “colocam a instituição num beco aparentemente sem saída”.
Em causa estarão “dívidas de centenas de milhares de euros acumuladas a instituições bancárias, a trabalhadores, com falta de pagamento de subsídio de férias e falta de pagamento do vencimento na íntegra do mês de outubro, e a fornecedores”, lê-se no documento, remetido a todos os partidos com assento parlamentar e às concelhias partidárias.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da direção do CRIA, Nelson Carvalho, confirmou que a instituição “não pagou por inteiro os salários de outubro, num total de cerca de 15 mil euros”, e que tem “em atraso o pagamento do subsídio de férias”, além de “problemas recorrentes orçamentais e de tesouraria”.
Questionado sobre os problemas e o passivo do CRIA, o dirigente associativo apontou para valores “na ordem dos 800 mil euros”, a grande maioria de compromissos bancários, e para um “número excessivo” de funcionários.
Nelson Carvalho defendeu a “necessidade de uma reformulação financeira da instituição, tendo sido já identificadas novas fontes de financiamento, com candidaturas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social”.
O presidente do CRIA Carvalho disse ainda não haver previsão de pagamento das verbas em atraso, tendo assegurado, no entanto, que o futuro da instituição não deve ser posto em causa.
O CRIA tem cerca de 200 associados, uma centena de funcionários, e perto de 1,5 milhão de euros de orçamento anual.

