CRIA reabre de forma faseada e com apoio às famílias mais carenciadas. Foto: mediotejo.net

O Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) inicia as respostas sociais suspensas ou “a funcionar de forma diferente” devido à pandemia de covid-19 na próxima segunda-feira, 1 de junho. É o caso do Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). A direção confirmou ao mediotejo.net a aprovação de descontos nas mensalidades das famílias mais carenciadas, apoio esse definido, comunicado aos encarregados de educação e implementado para os dois meses “em durou o período de contingência”.

Alguns pais de utentes do CRIA manifestaram-se descontentes com o pagamento integral das mensalidades apesar das respostas sociais suspensas por causa do novo coronavírus. Sem indicação governamental quanto ao pagamento de mensalidades durante o período de pandemia, as instituições que atuam no âmbito social tomaram decisões. Tal como o mediotejo.net noticiou, a direção do CRIA decidiu estudar a possibilidade de aplicar descontos nas comparticipações familiares e aprovou esse apoio diferenciado.

Segundo o presidente da direção, a instituição “teve de definir critérios” e os descontos couberam “às famílias com menos recursos, com vários escalões desde não pagar, 100% de desconto, de 50%, 30% e 40%”.

Nelson de Carvalho deu conta de reuniões presenciais com os pais na semana passada e, entretanto, os utentes beneficiados foram informados por carta. O acerto de contas com esses descontos, referentes a dois meses [abril e maio] em que “durou o período de contingência”, terá lugar “nos próximos meses”, acrescentou o responsável.

Nelson de Carvalho avançou ter solicitado “apoio extraordinário da Câmara Municipal de Abrantes para colmatar essa perda de receita”. A autarquia decidiu apoiar, mas o presidente da direção do CRIA não conseguiu precisar o valor correspondente à eventual perda de receita da instituição. Sublinhou apenas não ter havido “impacto orçamental, não houve perda de receita graças à ajuda da Câmara sem a qual era muito difícil fazermos esta operação”.

Após dois meses “estamos a reabrir de forma parcial, de acordo com as orientações da Segurança Social. Vamos reabrir várias unidades, incluindo o CAO, no dia 1 de junho. Uma semana de ensaio para respeitar o máximo possível a segurança”, indicou.

Assim o CRIA reabre em três fases: “primeiro com os utentes que têm os pais a trabalhar, que não têm condições mínimas de estar em casa sozinhos, depois no dia 8 alargamos em 50% alternados de 15 em 15 dias devido às regras restritas de distanciamento social dentro das salas. Para além dos prioritários que vêm sempre, haverá turnos” quinzenais, avançou, fazendo notar que a decisão “foi pacifica” entre os encarregados de educação.

“Aliás, há pais que querem manter os filhos em casa por questões de segurança”, observou.

A última fase será a do regresso à normalidade mas depende da evolução da situação epidemiológica. “Terá de ter evoluído bastante para nos desobrigar do cumprimento daquelas distâncias. Hoje todos temos de andar a dois metros”, lembrou, falando nas salas mas também nos transportes. “Não se pode encher nem as salas nem os autocarros” no cumprimento das orientações da Segurança Social.

Até lá a instituição terá de cumprir “os distanciamentos, os cuidados com a roupa, o uso de máscara e utilização de produtos desinfetantes”, deu conta Nelson de Carvalho, anuindo que tais medidas de combate à covid-19 implicam custos acrescidos. “Em material de higiene e limpeza e outro material necessário”, referiu, indicando que o CRIA, apesar das ofertas de material de proteção, “foi obrigado a adquirir”.

No momento em que o mediotejo.net falava com Nelson de Carvalho a instituição colocava fitas de segurança no chão para redefinir circuitos. O CRIA “vai funcionar em quatro blocos separados e estanques, com entradas distintas, portas fechadas para não haver misturas entre diferentes respostas”, disse o responsável.

Tendo em vista os procedimentos necessários para a reabertura, a direção “redefiniu o plano de contingência para a instituição funcionar de acordo com as orientações” que Nelson de Carvalho definiu como “muitas” e “complexas”.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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