O CRIA comemorou 40 anos esta quinta-feira, contando com casa cheia e momentos de homenagem àqueles que deram e que dão de si para que a instituição continue a ser uma referência na área da ação social no concelho de Abrantes e limítrofes. Depois de um momento musical com alunos da Escola de Música Acácio Teixeira e um momento de homenagem aos sócios fundadores e trabalhadores com mais anos de casa, seguiu-se um jantar comemorativo e, como em qualquer aniversário, o momento de soprar as velas de um bolo grande de aniversário, a fazer jus ao tamanho do percurso que o CRIA tem percorrido até aos dias de hoje.
Nesta noite, perante utentes e familiares, associados, representantes de instituições e entidades e do poder local, houve ainda um momento solene com o descerrar da placa de homenagem aos Associados Fundadores da instituição, entre os quais Maria de Lurdes Jorge, sócia fundadora e eleita presidente honorária das Comemorações dos 40 anos do CRIA. Nelson de Carvalho ofereceu o primeiro exemplar da revista comemorativa dos 40 anos do CRIA à sócia fundadora, que fora também uma das convidadas em palco.
Em declarações à comunicação social, o presidente da direção do CRIA salientou que “40 anos na vida de uma instituição não é demasiado (…) mas 40 anos já é uma história, já há muita coisa para contar, já se deu muito testemunho de intervenção social. De trabalho para se fazer uma sociedade melhor”.
Reconhecendo que os tempos são difíceis, “dominados pelo sistema financeiro, pela ganância e pela quase exclusiva predominância do lucro como motivação para a sociedade se organizar, onde se esquecem valores fundamentais”, e deste modo, o CRIA tem como missão “o testemunho para uma sociedade mais humana, onde as pessoas se relacionem não só com base na vontade de enriquecer, na ganância, no consumo, mas em olharem uns para os outros no sentido de saber como podemos ter uma vida melhor e ter uma comunidade mais feliz”.
“Hoje, que é o dia do aniversário, quisemos dar-lhe um sentido de homenagem aos nossos fundadores”, disse Nelson de Carvalho. O responsável elogiou ainda a capacidade de rutura com o quotidiano por parte dos fundadores da instituição. “Eles decidiram romper com a não-existência e passar a lançar uma existência que era boa para a comunidade. Hoje estamos a trabalhar para o CRIA, mas estamos a trabalhar num caminho que já tinha sido aberto”, recordou.

“Nós hoje temos que seguir estes exemplos e inventar novos caminhos para a sociedade”, e como tal, existem projetos futuros na mira, nomeadamente no concelho de Mação.
“Nós estamos para já a lidar com projetos com a Câmara Municipal de Mação, um dos nossos principais parceiros, para criar um polo constituído por um lar e por um Centro de Atividades Ocupacionais. O nosso lar é muito pequeno, tem 20 lugares, que estão preenchidos e temos lista de espera. Precisamos de aumentar a resposta. No CAO temos 70 lugares neste momento, mas muitos vêm diariamente de Mação”, esclareceu.
“Criando lugares lá, dá uma resposta à gente daquele território e ao mesmo tempo abre-nos aqui vagas para lidarmos com muitas pessoas e muitas famílias que estão em lista de espera. Esse é o nosso grande projeto neste momento, e é o nosso projeto prioritário”, assumiu o presidente da direção.
Nelson de Carvalho salientou um conjunto de outros novos projetos que estão em consolidação, nomeadamente a RLIS (Rede Local de Intervenção Social) e o CLDS 3G “que começaram em 2015. Temos ainda alguns edifícios que foram lançados há alguns anos, que ficaram semi-feitos, obviamente nós já continuámos e queremos ver se concluímos”, caso do “pavilhão de hipoterapia que é fundamental, e para termos mais uma resposta terapêutica que já vamos tendo, mas com mais condições”.

No caminho da inclusão, segundo o dirigente, ainda há um longo percurso a percorrer. “Nós trabalhamos para uma sociedade inclusiva, porque de facto a sociedade cria mecanismos de exclusão. Nós temos de corresponder de modo muito enérgico e positivo, criando oportunidades de integração, ideias e ações que conduzam a uma sociedade mais inclusiva”, declarou, fazendo notar que a missão das instituições sociais passa por “criar na sociedade este sentimento de que todos pertencemos à mesma sociedade, todos temos que partilhar os problemas, as dificuldades, as coisas boas, são para partilhar por todos. Nós queremos que a população que está ao nosso cuidado se sinta cada vez mais incluída, cada vez mais capaz de partilhar e de participar”.
“Precisamos de instituições e de cidadãos cada vez mais sensíveis e disponíveis para se relacionarem no seu dia-a-dia, no trabalho, com pessoas com caraterísticas que têm que ter algumas adaptações mas que têm imensa qualidade, e que são capazes de fazer muita coisa”, terminou.
Também presente na sessão, este José Silva, coordenador da Comissão de Trabalhadores do CRIA, que reconheceu que os 40 anos da instituição são “de deicação a uma causa nobre e justa”. José Silva também saudou “o grupo de pessoas que teve a coragem e a lucidez de dar os primeiros passos para que fossem possíveis estes 40 anos”.
“Trabalhar no CRIA não é, não pode ser, não funciona, apenas o cumprir o horário e desenvolver as tarefas. Trabalhar no CRIA é muito mais que isto. Assim nascem projetos em que os trabalhadores se envolvem muito além das obrigações laborais e surgem várias atividades que contribuem para o engrandecimento desta obra”, reconheceu, lembrando as cerca de 100 pessoas envolvidas e o objetivo que passa por “proporcionar aos nossos utentes índices de qualidade de vida que aumentem dia após dia o seu bem-estar e felicidade”.
Já Tiago Leite, diretor do Centro Distrital de Segurança Social de Santarém, parabenizou a instituição, dizendo notar que no CRIA se criou além de uma instituição “uma família”, algo que acreditar notar-se “a partir do momento em que se entra neste edifício. Esta casa é gerida como uma família” pelo facto de “todos sem exceção, amam aquele que têm ao seu lado, aquele que é razão de ser desta instituição”. Tiago Leite terminou a sua intervenção pedindo “mais 40 anos, por favor!”.
Maria do Céu Albuquerque, presidente da CM Abrantes, dirigiu-se aos utentes do CRIA em primeiro lugar, dando ainda uma palavra de conforto e reconhecimento, fazendo menção ao ex-presidente de CM Abrantes e um dos responsáveis pela fundação da instituição na década de 70, o Engenheiro Bioucas, que segundo a presidente da CMA, “onde está a esta altura está muito feliz por nos ver aqui a todos e por sentir que continuamos empenhadíssimos para que o CRIA continue a ser uma instituição de referência”.
A autarca frisou que para trabalhar nesta causa “só com muito amor ao próximo, muita dedicação, muito empenho”.
Nesta noite, e citando palavras do discurso de Maria do Céu Albuquerque, ficou a prova de que “Todos diferentes, todos iguais. E todos juntos fazemos a diferença”. Com sala cheia e com convívio em cheio, que com certeza servirá de impulso para que o caminho da inclusão e da igualdade de direitos possa continuar a ser trilhado pelo CRIA, ensinando a comunidade a caminhar de mãos dadas não com a diferença, mas pela diferença. E isso começa por não ser indiferente nos próximos 40 anos.
Para além das atividades lançadas em março por via da comemoração do aniversário, o CRIA desenvolverá um conjunto de ações integradas no programa evocativo dos 40 anos de existência da instituição:
Abril: Atividades dinamizadas pela Comissão de Utentes
Maio: Mês do Centro de Atividades Ocupacionais
Junho: De 13 a 18 – Integração nas Festas de Cidade 2017
Julho: Terceira edição do Projeto “Cantinho Móvel”, Celebrações dos 10 anos do Lar residencial
Agosto: Atividades dos utentes do Lar residencial
Setembro: Atividades com Utentes e família
Outubro: Ação de sensibilização dirigida à Comunidade educativa: “Desenvolvimento normal da criança – sinais de alerta”, “Apresentação dos Projetos CRIA”
Novembro: Semana Aberta do Centro de Reabilitação Profissional; II Jornadas de NeuroDesenvolvimento CRIA
Espreite alguns momentos deste dia de aniversário do CRIA.
