Pouco passava das dez da noite do feriado municipal de Abrantes, 14 de junho, quando a agitação tomou conta do muito público presente no Hipódromo dos Mourões, em Rossio ao Sul do Tejo, num amplo espaço relvado e de enquadramento natural com o rio Tejo. A festa estava de volta a um local emblemático do qual andava arredada há vários anos e cujo regresso foi saudado de forma eloquente pelos abrantinos, que, de coração cheio, agradeceram a iniciativa da Câmara Municipal em devolver aquele espaço à comunidade, para em concerto, e em comunhão, celebrarem o Dia da Cidade. Para Luís Dias, vereador da Cultura, o momento foi “apoteótico”.
“Foi um momento apoteótico que encerrou os festejos do Dia da Cidade, com intérpretes extraordinários e num local excecional. Foi o culminar de um dia fantástico, devolvendo o rio às pessoas, e foi um concerto muito conseguido”, disse Luís Correia Dias ao mediotejo.net, não escondendo também a sua satisfação pela reação emotiva dos abrantinos de poderem festejarem o Dia da Cidade num local que há muito ansiavam regressar.
Em excelente iniciativa, o regresso ao Aquapólis teve a chancela de Mafalda Veiga, Tim e Três Bairros, acompanhados pela Orquestra Ibérica, num espetáculo preparado exclusivamente para esta celebração, com fogo de artifício cuidadosamente selecionado e a brilhar ao ritmo dos compassos musicais. O tema dos Xutos e Pontapés, interpretado por Tim, ‘Não sou o único” [a olhar o céu], foi disso exemplo (ver video abaixo/Pedro Guiomar)
Os concertos e os espetáculos de fogo de artifício nos Mourões eram uma imagem de marca das festas da cidade, local amplo e aprazível que acolheu espetáculos que ainda hoje estão na retina dos abrantinos, como sejam os The Kelly Family, The Waterboys, Mariza, entre muitos outros.

Abriram o palco os Três Bairros, projeto com génese em Santarém em 2015. Com o fogo de artifício a fazer a sua precoce aparição, em sintonia com a música, João Correia (viola), Guilherme Madeira (voz) e Ricardo Gama (guitarra portuguesa) apresentaram temas como “Anoitecer no Tejo” e “Grilo Coceirão” que o público se habituou a ouvir, nomeadamente no Youtube. Com uma linha melódica combinando vários géneros e formas de abordar a música este projeto foi uma agradável surpresa para quem não conhecia.

Em crescendo de entusiasmo o público tributou a grande ovação da noite aquando da entrada do emblemático vocalista dos Xutos & Pontapés, Tim. Revisitando vários projetos onde participou como os Tais e Quais, Resistência e Rio Grande, além do seu percurso a solo. A iconográfica banda Xutos & Pontapés foi alvo de especial exigência do público. “Homem do Leme”, “A Fisga”, “Timor”, e “Não sou o único” tiveram um coro de milhares de vozes.

Com intermitências na carreira, Mafalda Veiga, é um nome importante do panorama da música portuguesa. Com uma carreira já longa, iniciada em 1987 por influência do tio paterno, o guitarrista Pedro da Veiga, a cantautora continua a despertar paixões.
Com duetos com Luís Represas, Ala do Namorados ou Jorge Palma foi sem espanto que se viu partilhar o palco com Tim e os Três Bairros. A emblemática canção “Pássaros do Sul” ainda baila no ouvido de muita gente e muitos foram os que fizeram coro com Mafalda.

O fogo de artifício voltou a iluminar as águas do Tejo enquanto os artistas se despediam do público em delírio. Este regresso aos Mourões foi uma aposta ganha que terá, acreditamos, continuidade no futuro.
A Cidade de Abrantes, em dia de aniversário, voltou a ter um grande espetáculo no magnífico cenário da beira-rio. Está de parabéns a Câmara Municipal de Abrantes pela organização do evento.

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