O presidente da Câmara de Abrantes estimou que os prejuízos provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias do Tejo em infraestruturas públicas já ultrapassem os 15 milhões de euros, excluindo os danos em privados.
“O ponto de situação que fizemos indica que os prejuízos relativos à depressão Kristin e às inundações já ultrapassam os 15 milhões de euros no domínio público, e este valor será naturalmente ampliado com os danos em casas de primeira habitação, empresas e estruturas privadas”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.
Segundo o autarca, alguns apoios já chegaram a alguns dos cerca de 100 cidadãos que fizeram candidaturas a arranjos em casas de primeira habitação, com cerca de 50 mil euros distribuídos até ao momento, correspondendo a aproximadamente 20 habitações. “Estes são, neste momento, os únicos apoios efetivamente no terreno”, acrescentou.
Valamatos sublinhou que iria ter uma reunião com a CCDR Lisboa e Vale do Tejo para aferir os mecanismos de apoio do Governo, designadamente aqueles previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PTRR), e disse que o objetivo é assegurar medidas concretas, objetivas e claras para a reconstrução do concelho.
“Precisamos de medidas objetivas e eficazes que nos permitam reerguer a comunidade, tanto no espaço público como no privado, e voltar à normalidade o mais rapidamente possível”, afirmou.
Um dos pontos críticos continua a ser a Estrada Nacional 2, no troço do Espinhaço de Cão, via de grande circulação junto à cidade, que permanece encerrada por questões de segurança devido à fragilidade da encosta do castelo.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
“A análise técnica indica a possibilidade de derrocadas significativas, que podem afetar não só a estrada mas também a ferrovia”, linha que segue abaixo daquela via.
“A prioridade é garantir a segurança das pessoas, mas queremos rapidamente uma intervenção que restabeleça a ligação”, explicou.

O autarca alertou ainda para os impactos nas áreas florestais do norte do concelho, a zona mais afectada pela tempestade.
“Temos uma devastação significativa, com árvores derrubadas e carga combustível acumulada. Estamos a trabalhar com o ICNF, as juntas de freguesia e os proprietários para limpar e desobstruir vias, reduzir risco de incêndio e restabelecer a normalidade na floresta”, declarou.
Valamatos reforçou que a recuperação das zonas afetadas depende da coordenação com entidades governamentais e que o município continua a acompanhar os processos de apoio financeiro para famílias, empresas e infraestruturas públicas.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.
