Foto: mediotejo.net

Após ter sido adjudicada a empreitada do projeto de Restauro, Reabilitação, Remodelação e Ampliação do edifício do Cineteatro São Pedro, em Abrantes, por cerca de 2.8 milhões de euros à firma João António Gonçalves, Engenharia, Lda., e após validação do Tribunal de Contas, a obra iniciou no final de 2022 com a instalação do estaleiro, tendo-se já procedido ao desmantelamento do equipamento no interior, segundo indicou Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, ao nosso jornal.

O presidente de Câmara referiu, após a reunião de executivo de terça-feira, dia 10 de janeiro, que a obra se encontra em “plena ação”, assumindo esperar devolver de vez o cineteatro à comunidade após os 15 meses de intervenção. A obra arrancou nos últimos dias de 2022, com a instalação do estaleiro, tendo-se seguido o desmantelamento dos equipamentos no interior do edifício.

“Neste momento o empreiteiro já está em obra propriamente dita, e desejamos que nos próximos 15 meses que a obra possa estar concluída. Sabemos que esse tempo é muito ambicioso. Nós próprios andamos um pouco a jogar contra o tempo, porque temos compromissos de quadros comunitários de apoio. Sabemos que não é fácil para as empresas, neste momento, sobretudo na aquisição de materiais, mas temos a esperança que as coisas possam correr bem e que rapidamente possamos devolver de forma definitiva o cineteatro à nossa comunidade”, afirmou.

O autarca recordou ainda as várias fases do processo, desde logo com a aquisição e posse por parte do município do Cineteatro S. Pedro, após acordo com a sociedade Iniciativas de Abrantes, até então detentora daquele equipamento.

O impasse negocial residia na diferença de verbas que as partes defendiam, tendo a Sociedade Iniciativas de Abrantes proposto inicialmente um valor na ordem dos 800 mil euros, ao que a autarquia, então presidida por Maria do Céu Albuquerque, contrapôs com uma proposta de 275 mil euros. Foto: arquivo/mediotejo.net

Também se referiu ao projeto, que não é apenas de requalificação, havendo lugar a ampliação e renovação de acordo com as normas atuais para os equipamentos culturais. “Conseguimos chegar a acordo com a Paróquia para aquisição de um terreno contíguo com o cineteatro, e agora lançamos a empreitada”, focou, acrescentando que a autarquia está a “fazer enquadramentos financeiros necessários” para que o cineteatro volte a estar “ao serviço da cultura, da comunidade, da região e até do país”.

Recorde-se que o edifício está encerrado desde 30 de janeiro de 2018 e, dois anos depois de um impasse negocial, em dezembro de 2019, foram encontradas as condições necessárias para a compra do Cineteatro São Pedro por parte do Município à sociedade detentora daquele edificado.

Dois dias antes do encerramento terminara o contrato de comodato de cedência do imóvel que a CMA mantinha através de um protocolo com a sociedade comercial, proprietária da sala de espetáculos. O contrato havia sido celebrado por um período de 19 anos, com gestão municipal do edifício, visando a reabilitação do teatro.

O Cineteatro São Pedro passou definitivamente para o património do Município, em contrato formalizado no dia 21 de julho de 2020. O presidente da Câmara Municipal de Abrantes e os representantes da sociedade Iniciativas de Abrantes Lda. assinaram naquele dia a escritura de compra e venda do imóvel.

Assinatura do contrato de compra e venda o Cineteatro São Pedro, em Abrantes. O presidente, Manuel Jorge Valamatos e os gerentes da sociedade Iniciativas de Abrantes, Nuno Delicado Moura Neves, José Luís Albuquerque Carreiras e José Alberty. Créditos: CMA

O valor da aquisição foi de 470 mil euros, cujo pagamento será formalizado com 71 mil euros a pagar depois do necessário visto do Tribunal de Contas. O restante valor será pago em seis prestações de 66.500 euros cada, até 2026.

O novo Cineteatro contará com um auditório com 386 lugares, sendo 246 na plateia, prevendo-se lugares para pessoas com mobilidade condicionada na primeira e na última fila.

A intervenção prevista inclui uma ampliação em terreno contíguo, de modo a garantir uma melhor acessibilidade ao edifício, nomeadamente para cargas e descargas e para garantir mais uma saída de emergência.

No piso 1, com primeiro balcão e sala polivalente, haverá 140 lugares. E ainda “uma copa de apoio e elevador que permite zona de circulação”, segundo explicado pelo vice-presidente na altura da apresentação do projeto, falando ainda do piso 2, onde ficará a régie.

Haverá também reabilitação do espaço exterior, desde a cobertura, pinturas e todas as intervenções de caixilharia.

Projeto Cineteatro São Pedro, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O projeto prevê também a ampliação do palco. Além dos camarins localizados no piso 0, o plano prevê a construção de novos camarins ao nível do piso menos 1, de forma a criar condições para diversos tipos de espetáculos. As escadas de acesso à teia serão reconstruídas e irá ser instalado um monta-cargas de apoio ao palco.

A plateia será remodelada e terá um novo perfil de inclinação, cadeiras novas, o sistema climatização da sala (AVAC) passará a ser feito pelo pavimento, de modo a ter uma melhor rentabilidade e melhor conforto aos utentes do espaço e incluirá tratamento acústico das paredes e restauro do teto falso.

A régie, sendo fundamental para o controle da qualidade do som da sala, irá ser instalada no 1º balcão, trazendo a bancada de controlo de som para dentro do auditório.

O balcão conhecido como ‘piolho’ deverá ficar inicialmente fechado, e por cima do segundo balcão estará, então, a régie [cabine para controlo técnico de um espetáculo], que se situava na parte inferior.

Também as acessibilidades às coberturas serão revistas, e será remodelada a iluminação.

Cineteatro São Pedro em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Historicamente, e segundo a Direção-Geral do Património Cultural, o Cineteatro São Pedro “foi encomenda de um grupo de cidadãos de Abrantes” que depois se constituiu em sociedade comercial – Iniciativas de Abrantes, Lda.

Foi levantado no local onde outrora esteve edificada a igreja de São Pedro (1708), destruída para a construção do Cineteatro, e abriu as portas a 19 de fevereiro de 1949. O projeto do arquiteto Ruy Jervis d’Athouguia, datado de 1947, foi de alguma forma condicionado quer pela implantação do edifício no terreno, quer pelas fundações já existentes de um primeiro projeto, datado de 1946, da autoria do arquiteto Amílcar Pinto.

Implantado no Centro Histórico de Abrantes, tem a fachada principal virada a Norte, para o Largo de S. Pedro, nas imediações do Adro da Igreja de S. Vicente.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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