A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje em Abrantes que o vereador bloquista da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles, “nada fez de errado”, classificando as notícias de alegada especulação imobiliária de “mentiras”.
“Eu ontem (sexta-feira) acordei com uma capa de jornal que dizia que o vereador do Bloco [de Esquerda] tinha ganho milhões de euros numa operação imobiliária e era mentira. Hoje acordei com uma capa de jornal que diz que o vereador do BE tem um apartamento em Saldanha, que, pelos vistos, era uma grande novidade, e é mentira. É a casa onde ele vive, uma casa arrendada”, disse hoje Catarina Martins, em Abrantes, onde se juntou aos 230 jovens no Acampamento da Liberdade 2018, promovido pelo BE, que decorre no parque de campismo de Castelo do Bode, em Martinchel.

Em causa está uma notícia avançada na edição de sexta-feira do Jornal Económico, que dá conta que, em 2014, o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado, avaliado em 5,7 milhões de euros e posto à venda em 2017.
“São dois dias em que há capas de jornal que dizem mentiras sobre o vereador do BE na Câmara de Lisboa e isso acontece na mesma altura em que o parlamento aprovou legislação importante para proteger os inquilinos e em que aguardamos, por exemplo, a promulgação a breve trecho do direito de preferência sobre a propriedade que permite que o inquilino possa comprar só a sua fração quando o senhorio quer vender todo o empreendimento e, por isso, será um grande obstáculo a negócios que estão a ser preparados, nomeadamente a Fidelidade que quer vender um enorme número de prédios em várias zonas do país”, afirmou.
A dirigente bloquista ainda “compreender” que “o que o BE está a fazer está a incomodar interesses imobiliários”.
“Percebo, por isso, que tenham decidido perseguir o BE, mas há duas certezas que eu tenho: a primeira, é que aquilo que fizemos ainda é muito pouco e, portanto, ainda vamos ter de fazer mais para proteger o direito à habitação em Portugal. A segunda, como sabem, é que o BE não se deixa intimidar”.

O Bloco de Esquerda (BE) já havia defendido, em nota enviada à Lusa, que a conduta do vereador na Câmara de Lisboa Ricardo Robles “em nada diminui a sua legitimidade na defesa das políticas públicas que tem proposto e que continuará a propor”.
O BE reiterou que “é falsa a realização de qualquer venda, enquanto coproprietário de um imóvel, Ricardo Robles manteve com todos os seus inquilinos uma relação inteiramente correta, assegurando os direitos de todos”.

Lembrando que foram dadas explicações pelo vereador, Catarina Martins frisou que Ricardo Robles “fez bem em explicar porque, embora não tenha nada de errado, os eleitos do BE devem explicações e, às vezes, é muito complicado explicar a vida da nossa família e, por vezes, as vidas mudam, como mudou a vida da irmã dele, não voltando para Portugal”.
“E ele acabou por dar todas essas explicações, que até são um pouco exageradas face ao que está em causa, mas que se percebem porque é uma notícia que foi complicada e as pessoas precisavam de perceber”, referiu a responsável do partido.

Catarina Martins acusou ainda a concelhia de Lisboa do PSD de hipocrisia” e “cinismo” por esta ter pedido a demissão do vereador bloquista, acusando-o de “falta de ética, seriedade e credibilidade política”, pedido efetuado na sexta-feira.
“Registei também que o PSD, o partido que está a ser investigado por problemas tanto de vistos Gold como de financiamento ao partido através de negócios ligados a obras e a autarquias, decidiu, em vez de tirar consequências das investigações que está a ser alvo, perseguir o vereador do BE que, de facto, não precisou de nenhuma notícia para estar à altura e proteger quem devia proteger. Eu acho que sobre a hipocrisia e o cinismo estamos conversados”, concluiu.
BE defende 1% do PIB para a Cultura e anuncia redução do IVA na eletricidade
O Bloco de Esquerda reclamou hoje a inscrição do valor de 1% do PIB para a Cultura no Orçamento de Estado (OE) para 2019 e anunciou um acordo para a redução do IVA na fatura da eletricidade.
Em Abrantes, a coordenadora do BE participou esta manhã no debate sobre cultura e OE no âmbito do acampamento nacional da juventude do BE, tendo afirmando aos jornalistas que a cultura em Portugal “tem tido um orçamento praticamente inexistente, 0,1% do PIB”.
“Nem com uma lupa se consegue ver, e a cultura é parte integrante do desenvolvimento, da qualificação, da liberdade de um país”, afirmou Catarina Martins, defendendo a importância do debate das políticas e reforço de verbas para o setor.

“Está aqui connosco [em Abrantes] quem tem estado na contestação, no ativismo, a exigir aquele mínimo de decência de 1% para o orçamento da cultura”, observou, tendo destacado ainda, ao nível das políticas fiscais para o setor energético, a redução do IVA na eletricidade.
“Registo que o Governo já aceitou aquilo que é uma proposta do BE há muito tempo, que é a necessidade da redução do IVA da eletricidade”, disse Catarina Martins, tendo feito notar que “o problema não é apenas fiscal, mas também de rendas excessivas” no setor energético.
“Por iniciativa do BE há uma comissão de inquérito parlamentar a essas rendas excessivas que já tem dados que permitem ao Governo cortar já, pelo menos, 500 milhões de euros nas rendas excessivas para o ano que vem e, por essa via, descer a fatura da luz”, argumentou.
Por outro lado, defendeu, é possível “ir mais longe” e “também pela via fiscal” na descida do IVA da eletricidade.
“Não tem nenhum sentido que um bem essencial como a eletricidade pague a taxa máxima de IVA. Devemos reverter essa que foi uma das medidas da direita e da troika, voltar à taxa reduzida de IVA e isto é uma boa notícia: o IVA da eletricidade vai descer no próximo Orçamento de Estado”, assegurou.
O fim da geringonça, a saída do Euro, a precariedade laboral ou as alterações climáticas serão alguns dos temas discutidos no 15.º acampamento Liberdade, organizado pela Coordenadora Nacional de Jovens do BE, que decorre até segunda-feira no parque de campismo de Castelo do Bode, em Martinchel, Abrantes.

Um dos destaques do acampamento – que reúne 230 jovens – é o painel intitulado “Fim do acordo: que outros caminhos pode seguir a esquerda em Portugal?”, marcado para domingo de manhã e que terá como um dos oradores o deputado do BE José Manuel Pureza, e no qual serão discutidos os cenários pós-geringonça, a pouco mais de um ano das próximas eleições legislativas.
Hoje, a coordenadora do BE, Catarina Martins, juntou-se ao acampamento Liberdade para debater “Manifestações da Cultura: o que falta fazer”.

