O antigo mercado diário de Abrantes foi inaugurado a 1 de janeiro de 1933 e vai ser transformado em espaço multiusos. Créditos: DR

A Câmara Municipal de Abrantes vai lançar em breve um procedimento concursal que tem como objetivo receber propostas para a reabilitação do antigo mercado diário e convertê-lo num espaço multiusos, para exposições e eventos, com estacionamento e cinema. O presidente da autarquia garante que na intervenção será mantida a traça original do edifício, nomeadamente no que diz respeito à fachada.

“Estamos em vésperas de lançar para a rua, através da Ordem dos Arquitetos, um processo concursal para serem apresentadas propostas de reabilitação do antigo Mercado Diário num espaço multiusos onde (…) além de querermos um espaço de feiras, exposições, queremos ter um espaço que nos faz falta na cidade e no concelho”. O anúncio foi feito pela voz do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, na reunião do executivo municipal da passada terça-feira, 27 de outubro.

O autarca deu conta de que “nos próximos dias” sairá um procedimento concursal com o propósito de angariar propostas para o projeto de reabilitação do antigo Mercado Municipal cujo objetivo é o de tornar o respetivo edifício num espaço multiusos. Uma intenção já assumida anteriormente por parte da autarquia abrantina e que pretende dar resposta a “eventos de grande dimensão como a Feira Nacional de Doçaria, o certame do azeite e outros eventos de grande relevância para o nosso concelho e para a região”, confirmou Manuel Jorge Valamatos em declarações ao mediotejo.net.

 

Refira-se que o assunto do antigo Mercado Diário foi novamente trazido a reunião de Câmara pelo vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, que sublinhou a chegada do inverno e a falta de “qualquer movimentação que possa trazer uma nova cara ao mercado”. O vereador referiu que se continua num impasse relativamente a este edifício, questionando o executivo PS sobre se “não será tempo de poder propor a revisão do PUA, alterando a demolição do edifício”.

Constatando que o edifício “está feio” e que “não está qualificado”, Manuel Jorge Valamatos respondeu ao vereador do Bloco de Esquerda que do ponto de vista da estabilidade não se vislumbra “qualquer problema estrutural neste momento”.

Reunião de Câmara Abrantes, 27 de outubro de 2020. Foto: mediotejo.net

Quanto ao projeto do multiusos, o autarca acrescentou que será trazida a próxima reunião de Câmara de forma mais evidenciada aquilo que se pretende fazer, com os pontos mais importantes da reabilitação. Entre os “apontamentos de referência” está perspetivada a construção de garagens e de salas de cinema.

“Obviamente que olhamos para toda a área envolvente, porque foi restabelecida a organização do Vale da Fontinha, e este edifício colide com uma entrada de Abrantes importante e para toda a envolvência do espaço nós desejamos ter programas irreverentes, de qualidade, que o espaço público seja valorizado e é essa a nossa grande aposta. É esperar que do ponto de vista da arquitetura nos possam ser apresentadas excelentes propostas, para a reabilitação daquele edifício (…) com o objetivo de se tornar extremamente útil para o concelho”, disse o autarca ao mediotejo.net.

Uma das condições a ser definida para as propostas a serem apresentadas é a de manter a traça original do edifício no que respeita à fachada para “não descaracterizar algo que é emblemático para todos nós”. “Queremos manter a fachada, isso aparece obviamente no concurso (…) Não vamos mexer na fachada”, disse Manuel Jorge Valamatos.

Até que a concretização do espaço multiusos venha a acontecer, a autarquia assume que fará “as manutenções que se tornem urgentes” no que respeita à conservação do edifício.

Do lado do PSD, o vereador Rui Santos também se pronunciou a este assunto. Reiterando que a posição do partido que representa é a de que “o antigo mercado deveria voltar a ser aquilo que foi”, mas compreendendo que tal não é possível, o vereador manifestou a concordância com o projeto do multiusos e sublinhou que tal não se faz “de um dia para o outro”.

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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