Reunião CM Abrantes

A presidente da Câmara Municipal de Abrantes reuniu esta terça-feira às 18h00, com a administração dos CTT por via do encerramento do balcão de Alferrarede. Maria do Céu Albuquerque levou o assunto a reunião de Câmara e deu conta de algumas informações, nomeadamente do pedido de justificação de encerramento daquela loja e da intenção de poder ceder um edifício público para manter o serviço em Alferrarede.

“Queremos perceber que critérios foram utilizados” para a administração dos CTT “propor o seu encerramento” referiu Maria do Céu Albuquerque durante a reunião e Executivo, esta terça-feira 9 de janeiro, indicando que a loja de Alferrarede “da percepção que temos é das lojas com mais movimento”.

Acredita o Executivo socialista que o encerramento daquele balcão poderá estar ligado o facto “do imóvel não ser pertença dos CTT, ter uma renda associada e a tentativa é de diminuir custos e concentrar serviços”.

Antes de avançar com algumas diligências a autarca disse que irá “ouvir para tentar perceber se há ou não outras razões que não conheçamos” adiantando que a CM levará “algumas propostas, eventualmente que privados possam tomar conta daquele negócio num espaço confinante com a atual localização porque todos temos consciência que é um espaço privilegiado de acesso aos nossos cidadãos e uma zona da cidade em expansão que nos importa acautelar”.

Por outro lado “tentar perceber, e existem edifícios públicos, nomeadamente municipais relativamente próximos daquela instalação, se há abertura para manter aquela funcionalidade noutro local”, acrescentou.

Lembrando tratar-se de uma decisão “unilateral”, mesmo estando  em causa o serviço público, garantiu que a “Câmara foi surpreendida com esta tomada de posição apesar dos colaboradores já terem conhecimento desta decisão há mais de um mês” considerando ter existido “uma falta de respeito institucional para com a autarquia”.

Por seu lado, o vereador Armindo Silveira condenou a decisão do encerramento do balcão dos CTT em Alferrarede e deu conta da posição do Bloco de Esquerda.

“Nada justifica esta decisão a não ser a aposta dos acionistas do CTT privatizados no negócio bancário” colocando o serviço público em “risco”, disse. Entende o BE que “apenas com uma resposta conjunta se poderá evitar os desmantelamento desse serviço”.

Assim, sugere o BE, que sejam contactados “os presidentes das câmaras onde existe intenção de encerrar as 21 estações” no sentido de “marcar uma reunião apelando a formas de luta conjunta”. E ainda “envolver o Governo neste processo e também os partidos políticos ao mais alto nível, envolver a Associação Nacional de Municípios, pedir uma audiência ao Presidente da República, envolver os presidentes de Junta de Freguesia, organizar uma manifestação com carácter nacional em frente à sede da administração dos CTT, Correios de Portugal, como forma de mostrar o desagrado pelo encerramento das estações”. Armindo Silveira considerou “ser prematuro, cedo para cedências”, nomeadamente a proposta do PS de ceder “edifícios públicos” à empresa.

Rui Santos, vereador do Partido Social Democrata, lembrou que o PSD de Abrantes “foi contra a privatização dos CTT, indo contra as orientações a nível nacional do próprio PSD”, sublinhou.

Concordando com as posições manifestadas pelo PS e pelo BE manifestou-se “completamente contra o encerramento” do balcão de Alferrarede. Avançou que os deputados eleitos pelo PSD do distrito de Santarém já questionaram o ministro da tutela. Disse ainda Rui Santos que na qualidade de presidente da concelhia do PSD questionou por escrito a administração dos CTT sobre os motivos do encerramento que a seu ver são exclusivamente financeiros.

A presidente garantiu também que o Governo está envolvido “neste processo” uma vez que o contrato de concessão obriga ao serviço público. Reiterou que a CM teve conhecimento do encerramento através da comunicação social, considerando “humilhante” a CM não ter sido informada antecipadamente.

Armindo Silveira informou ainda que a coordenadora do BE, Catarina Martins, “está disponível para deslocar-se sexta-feira a Abrantes e em conjunto com outros partidos participar numa ação conjunta em frente à estação dos CTT”. Mas Maria do Céu Albuquerque respondeu não se rever “num arruada”, optando antes por perceber “o que está na base do encerramento do balcão dos CTT” no concelho, uma decisão “irreversível” em que a CM não foi ouvida. Maria do Céu Albuquerque deixou claro querer que a autarquia “seja parte da solução” pensando no interesse dos munícipes.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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