O açude insuflável de Abrantes encontra-se a ser alvo de uma intervenção “programada”, razão pela qual se procedeu à desinsuflação das comportas, verificando-se que o espelho de água deu lugar a uma grande extensão de areal na zona do Aquapolis. A intervenção irá prosseguir até ao final do primeiro trimestre de 2024, estando os trabalhos adjudicados a uma empresa alemã, indicou o município.
A informação foi confirmada em reunião de Câmara pelo vice-presidente, João Gomes, que explicou que a intervenção já se encontra a decorrer, entendendo ser importante confirmar esta ação para que futuros eventos relacionados com o açude não causem dúvidas aos cidadãos.
O vereador informou que se procedeu “à desinsuflação das comportas do açude e vamos aproveitar para fazer monitorização e controlo de verificação de software, controlo de verificação a nível das comportas, vamos aproveitar para cumprir com o que estava previsto”.
Por outro lado também se irá avançar “com instalação do sistema de videovigilância na margem sul para fazer a monitorização da escada passa-peixe, para acompanhamento das comportas e visualização para evitar danos como já aconteceu no passado”, disse, referindo-se a outras situações já registadas naquele equipamento, nomeadamente com atos de vandalismo confirmados em 2016 e com um rasgo que colocou em causa o funcionamento do açude e levou a uma intervenção em 2021.

Todo o trabalho será acompanhado por uma empresa alemã especializada a quem foram adjudicados os serviços, sendo que, tendo em atenção os caudais, se está a “aproveitar a época de inverno, em que não é tão importante reter água como no verão, e daí aproveitarmos este período”.
O maior açude insuflável do país foi inaugurado em Abrantes no dia 16 de junho de 2007 numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro de então, José Sócrates, e que constituiu um dos momentos principais de valorização das margens do Tejo.
Este açude permitiu criar um espelho de água com 80 hectares e cerca de três milhões de metros cúbicos de água e correspondeu a um investimento de 10 milhões de euros, constituindo uma obra única em Portugal.
O enchimento do açude demora cerca de 45 minutos e o sistema de comportas tem uma zona de passagem permanente de metros cúbicos por segundo de água para garantir um caudal ecológico no rio, foi noticiado na altura da inauguração.
