A estratégia de salvaguarda do património religioso de Abrantes tem uma nova prioridade: a Igreja de São João Batista. Após a bem-sucedida recuperação da Igreja de São Vicente, o executivo liderado por Manuel Jorge Valamatos quer replicar o modelo de intervenção nesta “jóia” do centro histórico, que apresenta sinais de degradação severa há vários anos.
Em declarações ao mediotejo.net, o autarca não hesitou em classificar o estado do templo como crítico. “A igreja está muito debilitada porque há muitos anos que não há qualquer intervenção. Há um desgaste total, entra lá chuva, entram pombos e as paredes estão muito degradadas”, alertou o autarca, sublinhando que, embora o monumento não tenha sofrido danos com a depressão Kristin, a sua “fragilidade é imensa”.
O presidente da Câmara clarificou que a autarquia quer assumir o papel de “dono de obra”, tal como fez com a Igreja de São Vicente, para agilizar os procedimentos e ser parte ativa no processo.
“Não temos competências para intervir sem ter um projeto devidamente licenciado pelas entidades que tutelam este tipo de estrutura”, explicou, revelando que já reuniu com a CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) . entidade que agora gere o património nacional — para desbloquear o processo.
ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
A Igreja de São João Batista, fundada no século XII, é um monumento nacional afeto ao Estado, mas a Câmara de Abrantes assume-se como parceiro decisivo na procura de financiamento. “Estamos à espera do projeto nacional para podermos fazer uma candidatura e ir à procura de fundos europeus de valorização do património. Queremos dar-lhe toda a dignidade que ela merece”, reforçou o edil.
Esta intervenção, à semelhança do que aconteceu na Igreja de São Vicente em 2021 (que envolveu um investimento superior a 130 mil euros apenas na segunda fase de restauro interior), prevê-se que seja uma “empreitada de grande robustez” e com um envolvimento financeiro “muito significativo”.

Para Manuel Jorge Valamatos, esta é uma peça fundamental para o posicionamento turístico de Abrantes, integrando-se na Rede de Museus e no roteiro que já inclui a Igreja da Misericórdia e o Panteão dos Almeida. “A Igreja de São João é um património muito importante para a cidade, para o concelho e para o país. Queremos que esta articulação entre as instituições aconteça urgentemente”, concluiu.
A reabilitação estrutural deverá seguir as normas mais rigorosas de conservação e restauro, visando travar o desgaste de décadas num edifício que é um dos pilares da identidade abrantina.
A Igreja de São João Batista não é apenas um local de culto, mas um dos pilares da fundação da então “Vila de Abrantes”. Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a sua origem remonta a 1149, ano em que terá sido mandada edificar por D. Afonso Henriques após a conquista do castelo aos mouros.
Embora tenha sofrido profundas reformas no século XVI, sob a égide da Ordem de Cristo, o templo conserva a imponência do estilo maneirista e um património de “excecional interesse nacional”.
No seu interior, o destaque vai para o retábulo-mor em talha dourada e para a riqueza das suas capelas laterais, que testemunham séculos de história e de devoção da comunidade abrantina.
A igreja é também um exemplar único da arquitetura religiosa da região, apresentando uma estrutura robusta que, apesar do atual estado de degradação, ainda deixa transparecer a harmonia das suas naves e a elegância dos seus elementos decorativos em pedra.
Integrada na zona histórica de Abrantes, a recuperação de São João Batista é vista pelo autarca como fundamental para a coesão do património edificado da cidade e do desenvolvimento turísitco. A sua salvaguarda permitirá não só travar a destruição de um legado de quase nove séculos, mas também consolidar a estratégia municipal de transformar o centro histórico num roteiro de excelência para o turismo cultural e espiritual no Médio Tejo.
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