As notícias sobre cães que atacam rebanhos essencialmente de ovelhas, no concelho de Abrantes, já não são uma novidade. Mas devido aos mais recentes ataques o vereador do Bloco de Esquerda (BE), Armindo Silveira, levou o assunto à última reunião de Câmara Municipal alertando para o perigo do ataque em plena área urbana. O mediotejo.net foi tentar apurar os números e falou com um dos queixosos, o cidadão Jorge Ferreira Dias, que no mês de dezembro perdeu 60 cabeças de gado na Zona Industrial Norte da cidade.
O vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, alertou na terça-feira, na reunião de Câmara Municipal de Abrantes, para a ocorrência (e recorrência), no concelho, de ataques de cães errantes.
“Cães atacam rebanhos em diversos pontos do concelho de Abrantes. Estas ocorrências são cada vez mais frequentes como noticia a comunicação social. Na encosta do Castelo e junto ao Hospital de Abrantes os casos repetem-se. No mês de dezembro foram dois os ataques em terrenos vedados junto à Zona Industrial Norte de Abrantes. As queixas à PSP e GNR sucedem-se mas, segundo as noticias, estas forças revelam que não têm meios nem competências para resolver estas ocorrências”, disse Armindo Silveira, acrescentando que também o veterinário municipal “revela a sua impotência perante estes casos”.
Nessa sequência, quis saber se o executivo tinha conhecimento destas ocorrências e quais as diligências a tomar dentro das suas competências “até porque inúmeros ataques ocorrem em plena zona urbana”, salientou.
A resposta chegou de Manuel Jorge Valamatos, vereador eleito pelo Partido Socialista, garantindo que o município está atento a estes casos através do Serviço de Ambiente, incluindo a presença no terreno do veterinário e de técnicos do município sempre que são informados pelos agentes de autoridade. No entanto, admitiu tratar-se de “situações muito difíceis de controlar”.
“Estamos a falar de cães selvagens. Cães que se habituaram a atacar rebanhos para se alimentarem e é impossível de todo controlar a situação”, considerou, referindo que ocorrem situações semelhantes noutras zonas do País.
Manuel Valamatos explicou que os animais errantes “refugiam-se na floresta” sendo que a autarquia “não tem nem forma, nem meios” para a captura, no entanto, o município tem contado com o apoio da PSP e da GNR nessa função.

Para minimizar a situação o vereador, imputando “uma responsabilidade acrescida aos proprietários” na cautela dos seus bens, sugeriu “cautela suficiente” por parte dos donos dos rebanhos afirmando que os animais pastam “algo abandonados”. Por outro lado, o abandono de “cães ou gatos, é um problema para a comunidade”.
Um dos munícipes que perdeu cabeças de gado foi Jorge Ferreira Dias, residente na Chainça. Em declarações ao mediotejo.net disse ter perdido no mês de dezembro “28 ovelhas e 32 borregos” na Zona Industrial Norte da cidade de Abrantes, mortos por “cães e javalis”.
Mas este não é o primeiro ataque ao seu rebanho e por isso garantiu ao nosso jornal que vai abandonar a pastorícia. “Não há hipótese. E não posso estar de guarda aos animais. A solução é terminar com o rebanho”, lamentou.
Recuou à sua infância quando “todas as segundas-feiras um funcionário da Câmara Municipal capturava os cães errantes com uma rede” encaminhando-os para o canil. Reconhece, no entanto, que atualmente devido aos condicionalismo da lei essa prática seria “difícil” mas defende que a Câmara deve aumentar a capacidade do canil municipal.
Igualmente o vereador do BE reconhece que a atual legislação “é muito restritiva e retira possibilidade de ação às autoridades” no controlo dos animais errantes.
Contudo, Jorge Ferreira Dias lamenta que em cinco anos tenha perdido “mais de 200 ovelhas” sendo o ataque mais grave em dezembro de 2016, nos Quinchosos, quando de uma vez perdeu 80 ovelhas queixando-se à PSP.
Na resposta, do Comando Distrital de Santarém, o comandante justificou que “os animais aparecem em locais de difícil acesso”.
Na época o núcleo de operações “delineou com o veterinário municipal um plano de intervenção. Definiu-se”, lê-se no documento a que o mediotejo.net teve acesso, “que devido a serem vários animais e os mesmos apareceram sempre em locais de difícil acesso onde pelos meios tradicionais não se consegue garantir a captura dos canídeos, que aqueles serviços iriam solicitar à vizinha Câmara Municipal de Torres Novas uma arma de dardos tranquilizantes para proceder de forma eficaz à captura”.
Jorge Ferreira Dias garantiu que tal nunca aconteceu.
Também Manuel dos Santos, proprietário de um rebanho com cerca de 100 ovelhas em Arrifana, no concelho de Abrantes, manifestou-se “indignado e revoltado” com a morte de algumas das suas ovelhas, que terão sido degoladas e abandonadas no terreno, em dezembro último.
