Natural e residente em Abrantes, Bruno Alves, militar da GNR, sagra-se campeão europeu de Jiu-Jitsu. Foto: Bruno Alves

O atleta Bruno Alves, de Alferrarede (Abrantes), sagrou-se campeão europeu absoluto de Jiu-Jitsu Brasileiro ao vencer na final Rafael Ananias, um ex-campeão do mundo da modalidade. O militar da GNR, de 41 anos, que representa o clube Team Fábio Santos, de Riachos, aponta já ao próximo objetivo: conquistar o título de campeão mundial.

A final da competição, que envolveu cerca de 400 atletas de vários escalões e nacionalidades, foi disputada em Coimbra, no Pavilhão Multidesportos Dr. Mário Mexia, tendo Bruno Alves participado na categoria de -88 kg, onde conquistou o título no escalão dos 40 a 45 anos, tendo conquistado também a final de absolutos (que reúne em prova todos os escalões) arrecadando assim duas medalhas de ouro.

Em declarações ao mediotejo.net, Bruno Alves não escondeu a sua alegria pela conquista de um título europeu que lhe escapava na sala de troféus, tendo dedicado a vitória ao treinador e à sua família, e realçado que esta vitória proporciona alento acrescido para ir em busca de concretizar o sonho de conquistar o título de campeão do mundo.

“Este título para mim representa muito, porque era um título que me faltava, esta Federação veio cá agora a Portugal fazer este europeu em Coimbra, do qual participei e onde estavam grandes atletas a nível europeu e alguns também do Brasil. Juntar o título nacional, que já tenho alguns, com o título europeu, foi bastante satisfatório até porque ganhei o absoluto. O absoluto na minha categoria de peso não é fácil porque lutei com um atleta com mais 50 kg e consegui vencer. Fiquei bastante orgulhosos porque só quem me conhece é que sabe que nunca viro a cara à luta e vou sempre a todas. Fiquei bastante orgulhoso porque se calhar pouca gente acreditava que eu pudesse ganhar aquela luta e fiquei bastante orgulhoso de trazer esse título para casa”, afirmou.

ÁUDIO | BRUNO ALVES, CAMPEÃO EUROPEU JIU-JITSU BRASILEIRO:

Bruno Alves sagra-se campeão europeu de Jiu-Jitsu e já aponta ao título de campeão do mundo

Na final de absolutos sagrou-se campeão europeu perante todos os pesos e categorias?

Sim, o absoluto é os pesos todos juntos. Quem vai ao pódio e se classifica na categoria, depois pode ir ao absoluto e lutei com um atleta com cerca de 50kg a mais que eu e consegui vencer.

Este atleta que foi à final consigo já foi campeão mundial?

Sim, tenho esse conhecimento de que ele já foi campeão mundial, já ganhou vários títulos no Brasil também. É um atleta bastante forte. Consegui superar-me porque não é fácil lutar com um atleta que além de ter muita qualidade, porque já faz Jiu-jitsu há muitos anos, é um atleta com muito peso e o nosso jogo muda por completo.

O que significa para si este título e como encara a modalidade?

O jiu-jitsu para mim é um desporto que eu faço extra o meu trabalho e que não me traz dinheiro nenhum, se formos assim dizer, porque não tenho patrocínios, não tenho nada. Inclusive, para ir lutar, eu tenho é prejuízo porque sai tudo do meu bolso. É só mesmo por puro prazer que eu luto.

Esta modalidade, para quem não está familiarizado com a mesma… o que é o jiu-jitsu brasileiro?

O jiu-jitsu brasileiro foi… isto vem do jiu-jitsu japonês tradicional, vem do tempo dos samurais e os brasileiros, no século passado conseguiram colocar este jiu-jitsu a nível competitivo e como teve resultados muito interessantes e com grandes vitórias, então começou a chamar-se jiu-jitsu brasileiro, começou a haver competições de jiu-jitsu brasileiro que veio para Portugal na década de 90 e que teve o seu crescimento há cerca de 15 anos atrás. Aqui em Portugal, muitos atletas, inclusive a nível mundial, pelo que já ouvi falar, é a modalidade que mais cresceu nos últimos anos.

Pode-se comparar com o judo ou não tem nada a ver?

É assim, o judo até deriva do jiu-jitsu, pode-se comparar com o judo por causa dos kimonos que nós vestimos, apesar de haver duas modalidades no jiu-jitsu. Há com kimono e sem kimono, eu faço as duas coisas. Depois é assim, a luta do judo é muito em pé e se cai de costas no chão acaba o combate ou então se houver uma imobilização durante 20 segundos acabou.

O jiu-jitsu não, vai para o chão e é muito trabalhado… 90% da luta do jiu-jitsu é no chão e o judo tem muitas restrições a nível de regras, no jiu-jitsu vale todo o tipo de chaves, é uma luta de submissão e é muito interessante. É como um xadrez humano.

Já disse que a modalidade está a crescer… e os objetivos do Bruno Alves, até onde poderão crescer?

Olhe, tenho o sonho de ser campeão mundial. Ainda nunca fui a um mundial porque não tenho patrocínios para isso, um dia espero lá ir e como isto é uma modalidade que não é olímpica, há muitas federações, não é uma só, e temos várias competições. Só para ter noção, há um mundial de uma Federação nos EUA, há um mundial de outra Federação nos Emirados…e eu tenho o sonho de um dia participar numa delas e medalhar numa delas. A nível nacional já conquistei tudo o que tinha a conquistar e a nível europeu, faltava-me um título europeu, consegui agora nesta Federação. Estou bastante orgulhoso e agora é continuar a lutar até o meu corpo deixar, porque 41 anos já não são 20 e é tentar ensinar também os mais jovens. Eu acabei de tirar o curso de treinador e também quero ajudar na minha equipa os mais novos.

Este momento de alegria e felicidade, este título, quer dedicar a alguém em particular?

Sim, quero dedicar ao meu treinador Fábio Santos, que tem sido muito importante, a todos os atletas que treinam comigo, porque sem eles era impossível, e à minha família, porque abdico de várias horas em casa para estar a treinar e vai para eles.

Bruno Alves sagra-se campeão europeu de Jiu-Jitsu. Foto: Bruno Alves

Bruno Alves, militar do Comando Territorial da GNR de Santarém, atualmente a exercer em Sardoal, sagrou-se campeão europeu da modalidade de Jiu-Jitsu no dia 21 de outubro, depois de já este ano se ter sagrado campeão nacional ao vencer o campeonato em abril de 2023. No seu percurso desportivo, Bruno Alves já garantiu presença em 14 pódios nacionais, apenas em 2023 e, ainda, no ano 2022, várias presenças em pódios internacionais, nomeadamente em Madrid, Valência, Zurique e Londres.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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