Os Coiote são de Abrantes mas as suas influências apontam-se universais, com a sétima arte também a entrar na equação da melodia, composta para um contexto global. “Uma música muito visual, é um bocadinho assim que componho”, explica João Jerónimo, um dos guitarristas da banda. Por norma leva “a ideia” até à banda. Depois segue-se o processo de a transformar num tema Coiote.
Reúne “uma progressão de acordes, que pode ser ou não alterada, e uma letra” para que Daniela possa cantar no momento do primeiro encontro com a canção. Explica que “a escrita das letras é, quase sempre, um processo continuo”. Aquando da criação musical quase simultaneamente cria o poema que lhe dará palavras. “Não há um grande hiato de tempo entre uma coisa e outra. É quase como se fosse uma banda sonora… gostamos todos muito de cinema”, justifica.
E “todos” são cinco: Daniela Elias (voz), Nelson Duque (guitarra), Filipe Fernandes (baixo), Duarte Rosa (bateria) e João Jerónimo (guitarra). O álbum conta ainda com um músico convidado: João Louro, tomando como modus operandi, para o processo criativo, uma lógica coletiva com a noção de colaboração claramente inscrita na sua genética artística.
Neste momento a banda prepara a apresentação ao vivo quer a nível do som quer a nível visual “sendo que não temos muito tempo para a produção mas estamos a fazer o melhor possível”, garante João, dizendo que o concerto “talvez tenha uma ou duas surpresas, músicas que estão gravadas mas que ainda não saíram”.

A expectativa da banda abrantina Coiote passa por “aproveitarmos esta oportunidade, convite, para estamos neste Festival e podermos apresentar o álbum em boas condições num espaço muito bonito, interessante e com boas condições para o álbum ser apresentado ao vivo. Porque temos um álbum com uma produção bastante complexa em algumas coisas e vamos tentar fazer o melhor possível para o apresentar ao vivo da melhor maneira”, acrescentou.
O Festival ao Alto é um evento jovem, mas aberto a todas as gerações e públicos, num conceito que se desenvolve à volta dos festivais de verão, marcando o final da época estival e antecedendo o novo ciclo do outono e do regresso às aulas.
Realiza-se num parque urbano icónico, no coração da cidade, espaço ajardinado e arborizado com boas sombras, ladeado por um conjunto de esculturas em ferro.
O “Running Lights” que os Coiote apresentam esta sexta-feira, dia 9 de setembro, é o seu álbum de estreia e foi lançado no dia 1 de dezembro de 2021. Nessa data o mediotejo.net conversou com os músicos e ficou a conhecer a sua ambição de chegar ao mundo e a vontade que têm de cantar em palco para mostrar as suas composições. O elenco permanece o mesmo desde dezembro último e a aceitação do álbum por parte do público tem sido “boa”, garante João.
“As pessoas que nos abordam, ou que já ouviram, ou estiveram nas pequenas performances que já fizemos receberam bem e acharam o trabalho interessante”, diz.
Mas João Jerónimo dá conta que a banda gostaria de apresentar o álbum noutros locais . “É o que estamos a fazer! Estamos neste momento a tentar montar uma equipa” no sentido de entrar em digressão.
ÁUDIO | JOÃO JERÓNIMO, GUITARRISTA DA BANDA COIOTE:
O programa do Festival ao Alto, com entradas gratuitas, tem como cabeça de cartaz Bárbara Tinoco, que atua no sábado, dia 10 de setembro, e um evento que pretende também promover os talentos abrantinos e que conta com um vasto conjunto de atividades paralelas. Os Coiote atuam na noite desta sexta-feira.
O evento marca o fim das férias de verão com muita animação e concertos. Na edição deste ano, o Festival ao Alto tem um conjunto de novidades: o espaço “Altamente” com diversões variadas para todas as idades, com o touro mecânico, bungee run, gladiadores, Slackline e torre de piza, a par com espaços de street food da responsabilidade de empresas locais onde os copos são recicláveis, à semelhança do que aconteceu no Festival das Juventudes e nas Festas de Abrantes 2022.
A vertente cultural não foi esquecida e, em simultâneo com a abertura do Festival, este sexta-feira, dia 9 de setembro, às 18h00, será inaugurada a exposição “Mapa das Pessoas”, um projeto que se desenvolveu no âmbito do projeto intermunicipal “Caminhos Literários” e que estará patente no espaço relvado junto ao Miradouro de Santo António com vista para o centro histórico.
Em 2020, o Festival ao Alto esteve nomeado para a categoria “Best New Festival”, no âmbito do Iberian Festival Awards, evento ibérico que distingue os melhores festivais de música.
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