A situação do edifício do Centro de Respostas Integradas do Ribatejo – Equipa de Tratamento de Abrantes, uma unidade de respostas integradas para comportamentos aditivos e dependências, situada na Rua da Barca, esteve em destaque após denúncias públicas sobre degradação e falta de condições. O tema foi abordado esta manhã pelo presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, durante a reunião do executivo, onde garantiu que os problemas identificados não são recentes e que o município tem vindo a alertar para a situação há vários anos.
“Tem vindo a público na comunicação social esta questão do edifício na rua da Barca, o CRIT do Ribatejo (…). Esta não é uma situação de agora”, afirmou.
O autarca explicou que os primeiros alertas partiram dos próprios profissionais que trabalham no local, ainda antes do processo de transferência de competências. “Foram os técnicos que lá trabalham que me chamaram a atenção muito antes de falarmos das transferências de competências que me chamaram a atenção para a precaridade e para a dificuldade técnica daquele edifício.”
Segundo Manuel Jorge Valamatos, a preocupação levou a contactos diretos com o Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências, sublinhando a importância regional da unidade. “Estas instalações não respondem apenas ao concelho de Abrantes. Estas instalações respondem a toda a região aqui do Médio Tejo e mais alargada, porque inclusivamente há aqui pessoas (…) do Pinhal interior, que também utilizam aqui estas instalações.”
No âmbito da transferência de competências, o presidente clarificou que o município aceitou apenas a gestão operacional do espaço, recusando assumir o edifício devido às suas condições.
“Nós assumimos a operacionalidade, a funcionalidade daquele edifício, com a segurança, a limpeza, os operacionais. Estamos a falar do quadro da luz, o contador de água, tudo aquilo que é funcionalidade, mas (…) nunca aceitámos o edifício.”
Reforçando esta posição, acrescentou: “Não podíamos aceitar uma coisa que nós tínhamos denunciado, que não tinha o mínimo de condições (…). Aceitámos sim a sua funcionalidade, não aceitámos o edifício (…) O edifício não para nós não tem as condições para que os profissionais ali desenvolvam com dignidade a sua atividade.”.
Apesar disso, a autarquia tem vindo a trabalhar numa solução, assumindo a elaboração de um projeto de requalificação. “Dissemos que estávamos disponíveis e estamos a fazer o projeto”, afirmou.
“O projeto está praticamente no final, falta as questões da especialidade (…) O que acordámos foi fazer o projeto, é aquilo que estamos a fazer e depois o Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências, bem como o Ministério da Saúde, tem que encontrar financiamento ou ajudar-nos a encontrar financiamento para esta intervenção”, declarou o autarca.
Manuel Jorge Valamatos revelou ainda que está agendada uma reunião com a presidente do Instituto para esclarecer o processo.
“Hoje vamos ter uma reunião com a senhora presidente do Instituto (…) e queremos obviamente que haja eventualmente aqui uma informação muito esclarecida e que não deixe qualquer dúvidas sobre este processo.”
Relativamente ao estado exterior do espaço, nomeadamente à presença de vegetação, o autarca desvalorizou a questão, enquadrando-a num problema generalizado.
“Obviamente que as ervas nascem, nascem ali, nascem em todo o lado (…) Quando chove e depois fica sol, já sabemos que temos sempre aqui períodos críticos.”
O presidente concluiu reforçando a necessidade de intervenção no edifício, tendo em conta a relevância do serviço prestado. “Há muito que, obviamente, queremos que aquele edifício ganhe a dignidade que merece para o serviço que presta em toda a região e da sua importância.”
Com sede e instalações na Rua da Barca, em Abrantes, a Equipa de Tratamento de Abrantes é constituída por três psicólogos, três enfermeiros, dois assistentes sociais, uma médica, uma assistente técnica e dois assistentes operacionais, num serviço que é público, gratuito, confidencial e também prestado em regime de ambulatório ao nível da intervenção em comportamentos aditivos e dependências de drogas legais (álcool e tabaco), ilegais (heroína e cocaína, por exemplo), e sem substância, como sejam as dependências ao nível do jogo, da internet, compras, e outras).
Sob a dependência do Ministério da Saúde, esta equipa trabalha na área das Dependências de Substâncias Psicoativas Lícitas e Ilícitas, através da Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências, tendo como missão promover a redução do consumo de substâncias psicoativas, a prevenção dos comportamentos aditivos e a diminuição das dependências, na área de abrangência da ARSLVT, IP.
As Unidades de Intervenção Local (UIL) são unidades funcionais prestadoras de cuidados de saúde em matéria de intervenção dos comportamentos aditivos e das dependências, responsáveis, dentro do seu âmbito territorial, e de forma articulada, pelas áreas de intervenção da prevenção, da redução de riscos e minimização de danos, do tratamento, e da reinserção de utentes com comportamentos aditivos e dependências de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas, de acordo com as orientações da DICAD.
O Centro de Respostas Integradas do Ribatejo tem como áreas de missão o Tratamento (que se operacionaliza através das duas ET no distrito (Abrantes e Santarém), a Prevenção, a Reinserção e a Redução de Riscos e Minimização de Danos.
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