Albufeira de Castelo do Bode. Foto: mediotejo.net

A Assembleia Municipal de Abrantes aprovou, por unanimidade, a proposta do PSD “Água – Um bem escasso, um bem valioso”. Na sessão, os deputados municipais manifestaram preocupação com o atual “período extremamente preocupante de seca” que o país atravessa.

O grupo municipal do Partido Social Democrata propôs recomendar ao executivo municipal que proceda de forma “a robustecer a sua contribuição para minorar os efeitos da grave seca que afeta Portugal”. A proposta de recomendação acabou aprovada por unanimidade.

Na apresentação da proposta de recomendação, o deputado municipal João Salvador Fernandes notou que “as intervenções principais devem ocorrer no regaço das instituições da União Europeia e do governo de Portugal. Contudo, dada a gravidade das circunstâncias presentes, o contributo deve ser de todas as entidades, públicas ou privadas, incluindo os municípios”.

Assim, a bancada social democrata considerou haver “espaço e formas de o Município de Abrantes avigorar a sua participação nesta luta – desigual, é certo” propondo que a Câmara Municipal: “Reforce as suas campanhas de sensibilização e prevenção contra o consumo excessivo de água e seu desperdício; Tome medidas razoáveis para reduzir os consumos e o desperdício de água do próprio Município de Abrantes e das entidades públicas ou equiparadas que o servem; Numa atitude proativa, se dirija ao tecido empresarial, associativo e cooperativo abrantino, com particular incidência nas empresas e coletividades de natureza agroflorestal e industrial, ou seja, aquelas que mais consomem e dependem da água para o exercício das suas atividades, procurando conhecer os seus métodos e meios de captação, consumo, utilização e reutilização de água, de maneira a perceber se é possível ajudá-los na modernização de meios e de práticas, bem como na otimização de recursos para tornar o uso da água mais eficiente e ecológico; Auxilie estas empresas e coletividades a melhor se informarem sobre boas práticas no domínio do aproveitamento e uso da água, bem como na obtenção de fundos europeus ou nacionais para o desenvolvimento de técnicas inovadoras e para a modernização de equipamentos de captação, consumo, uso e reutilização de água nas atividades industriais e agroflorestais; Estude a possibilidade de o próprio Município de Abrantes poder disponibilizar fundos para a inovação e modernização destas empresas e coletividades, no âmbito de um melhor e mais ecológico aproveitamento da água; Apostando nas novas tecnologias, estude a possibilidade de promover o desenvolvimento de uma aplicação informática municipal que permita a pessoas singulares e/ou coletivas monitorizar, o mais possível em tempo real, e de modo fácil e intuitivo, os seus consumos de água e quantificar o respetivo desperdício, o que decerto despertará consciências adormecidas”.

ÁUDIO | DEPUTADO DO PSD, JOÃO FERNANDES

Do lado da bancada do Partido Socialista, que votou favoravelmente, o deputado Paulo Teixeira dos Santos, defendeu que “a Câmara Municipal e os Serviços Municipalizados sempre fizeram, e certamente continuarão a fazer, campanhas de sensibilização para a utilização racional de água” defendendo também ser este “um problema que tem de ser combatido por todos”.

Nessa sequência, Paulo Teixeira dos Santos enumerou “um conjunto de diligências” que a Câmara de Abrantes tomou nos últimos ano no sentido de “combater o desperdício de água”, nomeadamente “a instalação e continuada ampliação da rede de telegestão; a substituição de condutos e de ramais mais antigos e com maior percentagem de fugas; a rega dos espaços verdes de maior dimensão efetuada a partir de furos de captação e não da rede pública de abastecimento de água, como acontece no Parque Urbano de São Lourenço, nos parques ribeirinhos do Aquapolis norte e sul e e nas hortas comunitárias” ou o projeto piloto da Esteveira com “contadores inteligentes que permitem a leitura automática dos contadores e, sobretudo permitem identificar fugas nas casas das pessoas e controlar o consumo de água”.

O deputado do PS lembrou ainda que a empresa Abrantaqua “fez um investimento de cerca de 10 milhões de euros colocando Abrantes no topo ao nível de cobertura de rede. Abrantes possui 96% de cobertura de rede fixa” no que toca ao saneamento.

ÁUDIO | DEPUTADO DO PS, PAULO TEIXEIRA DOS SANTOS:

E concluiu a sua intervenção sublinhando que em Abrantes não se paga “a água mais cara do Médio Tejo” e que são 7 as Câmara Municipais com preços superiores no que toca a consumidores domésticos, sendo que para empresas “apenas um dos municípios tem a água mais barata”.

Também o deputado municipal eleito pela CDU votou favoravelmente a proposta de recomendação do PSD fazendo, no entanto, uma crítica à agricultura intensiva praticada em várias regiões do País e que consomem muita água, considerando ser um “erro estratégico” a merecer correção.

“É um tema extremamente pertinente e importante, acho que todos temos o dever de contribuir para a poupança da água mas é uma pequena gota no oceano. Preocupa-nos imenso as culturas intensivas e superintensivas que são gastador de água, julgo que não será um problema grave em Abrantes, mas no resto do país preocupa-nos imenso”.

ÁUDIO | DEPUTADO DA CDU, LUIS LOURENÇO:

Ainda sobre o desperdício de água nomeadamente na rega, o presidente da Junta de Freguesia de Bemposta (PS) referiu que a preocupação do PSD “é legitima” acrescentando que “todos temos de fazer muito”. A titulo de exemplo recordou um documento aprovado em Assembleia de Freguesia de Bemposta, em 2018, alertando para a plantação de eucaliptos com recurso a sistemas de rega.

Manuel João Alves explicou que todos os deputados da Assembleia da República “tiveram acesso ao documento” e foram, portanto, alertados para esta realidade. “é altura de todos pensarmos um bocadinho onde estamos a gastar a nossa água”, disse na sexta-feira em sessão de Assembleia Municipal.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA JUNTA DE BEMPOSTA, MANUEL JOÃO ALVES:

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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