A jovem artista abrantina Juju Bento. Fotografia: Irene Kaltenborn

Tendo frequentado o Mestrado em Fine Arts na Malmö Art Academy, em Malmö, vive e trabalha entre a Suécia e Portugal desde 2022. É licenciada em Artes Plásticas, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, e frequentou o Curso artístico especializado em cerâmica na Escola Secundária Artística António Arroio em Lisboa.

Em Abrantes, foi aluna do pintor Massimo Esposito no seu atelier e expôs alguns trabalhos seus na reabertura da Galeria QuARTel, integrando o projeto “A Arte por um fio”, com curadoria do pintor italiano radicado há mais de 25 anos em Abrantes.

Uma das instalações premiadas da artista no PEA 2024, Boiar é Escapar à Gravidade (2023).

“Nascida numa oval no interior tradicional português, Juju Bento (Abrantes, 1999) cresceu num
prisma modulado por luz e sombra. No exterior desse prisma, o seu corpo esteve sempre rodeado em discurso direto com a natureza, enquanto diversas frequências se manifestavam. Influenciando-o. O foco da sua prática está enraizado na criação de narrativas que habita, ao traduzir o exterior para o interior – o natural para o artificial do espaço expositivo. Neste universo, performance, escultura, som e desenho desenvolvem-se em volta da escala do seu corpo, o grau zero da espacialidade dos lugares instalativos que proporciona”, lê-se na biografia da artista plástica.

Já participou em mais de 20 exposições coletivas, em Portugal e na Suécia, entre 2016 e 2024, com passagens por museus nacionais e galerias de arte, caso do Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Malmö Art Academy e KHM2 Gallery, Malmö (Suécia), Museu de Aveiro, Museu do Azulejo, Galeria NovaOgiva (Óbidos) ou no Circuito de Artes Plásticas de Coimbra.

Além dos recentes prémios, conseguiu a bolsa da Academia de Artes de Estocolmo em 2023. Participou ainda em múltiplas residências artísticas entre 2018 e 2024, tendo frequentado a última na Finlândia, na Kilpisjärvi Biological Research Station em coletivo com a Bioart Society Residency.

Um dos mais recentes trabalhos. Solids can also be Fluids, 2024. por Juju Bento

Regressando à cidade natal com frequência, Ana Bento – o seu nome – assume o contributo do território na produção do seu trabalho criativo, num ambiente que afiança não encontrar em mais lado nenhum.

“O que mais gosto de realizar em Abrantes é a minha produção. O envolvimento com uma atmosfera rústica mais pequena torna a minha produção mais íntima, silenciosa, concentrada e partilhada com indústrias/fornecedores/trabalhadores/especialistas ou apenas pessoas com experiências que admiro num ambiente mais familiar. Oferecendo ao trabalho um desenvolvimento único entre matérias, materiais e conversas que não encontro em outros lugares. Aqui o tempo estende-se e isso foi sempre inspirador”, disse a artista ao mediotejo.net.

Talvez por isso não ponha de parte a ideia de uma exposição, num futuro próximo, seja em Abrantes ou na região, que crê estar a progredir na promoção e divulgação da arte contemporânea.

“Em relação a uma futura exposição em Abrantes ou na região, teria todo o gosto em que isso se sucedesse num futuro próximo. Acredito que a região esteja a progredir num circuito artístico contemporâneo do qual não passa despercebido”, reconhece Juju Bento.

Apostando no reconhecimento da sua carreira artística, a jovem submeteu candidatura ao Concurso para Jovens artistas, promovido pela Ler Devagar com mecenato da Fundação Millenium bcp e com apoio do Festival FÓLIO, de Óbidos, e saiu vencedora com o trabalho “A Baía do Ar”, tendo o júri decidido por unanimidade a atribuição deste prémio.

“Esta proposta revelou ser a que melhor traduz um profundo conhecimento da obra Llansoliana. A artista recolhe o título de uma passagem do livro Lisboaleipzig, captando de forma exemplar a respiração, a condição aérea do ser, o envolvimento do silêncio e a vibração luminosa deste texto. O projecto é, também, o que mais se destacou na adequação ao espaço e às condições de criação de um “lugar” para a experiência estética do visitante”, pode ler-se nas considerações do júri composto por João Barrento, Lígia Afonso e Helena Vieira.

A inauguração da exposição decorrerá no dia 10 de outubro, no Centro de Design de Interiores em Óbidos, às 18h30. A obra ficará exposta durante todo o período do Folio, de 10 a 20 de outubro. Na ocasião também será atribuído o prémio à artista, incluindo um prémio monetário de 2000 euros.

Cerimónia de entrega do prémio decorre pelas 18h30 no dia 10 de outubro, no arranque do FOLIO.

O Prémio Millennium bcp – O TEXTO VIVO é uma iniciativa da Ler Devagar no âmbito da programação FOLIO MAIS, do Festival Literário Internacional de Óbidos, em parceria com a Fundação Millennium bcp, e destina-se a jovens artistas (até aos 35 anos) residentes em Portugal.

Já a 8 de novembro, será a vez de Juju Bento ver o seu trabalho reconhecido no livro Portuguese Emerging Art (PEA) 2024. Esta publicação anual visa a promoção do trabalho de artistas portugueses dentro e fora de Portugal e de artistas residentes em Portugal.

Juju Bento integra os 24 jovens vencedores, selecionados pelo júri composto por Isabel Baraona, João Silvério e Sérgio Fazenda Rodrigues, que avaliaram um universo de 160 candidatos nesta edição do concurso.

O PEA 2024 será lançado pelas 19h00, no dia 8 de novembro, na Sociedade Nacional de Belas Artes, contando com a presença do júri de seleção. Refira-se que o PEA é promovido pela EMERGE, uma estrutura financiada pela República Portuguesa/Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Torres Vedras.

“A participação no PEA 2024 surgiu por minha vontade, de me integrar no cenário artístico português e representá-lo da melhor maneira. Considerei a publicação PEA a melhor iniciativa para o fazer. Assim como uma grande responsabilidade enquanto artista nacional dada a dimensão da publicação e o quanto a mesma significa e irá viajar. Decidi por isso concorrer ao concurso com os meus mais recentes trabalhos, as instalações «Aero-Light over Dark-Round, in Habitáculo» de 2024 e «Boiar é Escapar à Gravidade» de 2023″, explicou, dando conta destes seus dois trabalhos a solo, sendo que expôs no início do ano o trabalho «Aero-Light over Dark-Round» na KHM2 Gallery, em Malmö, Suécia.

Para conhecer mais sobre a artista plástica, o seu percurso e o seu trabalho pode fazê-lo através do site www.jujubento.com

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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