"Queremos ser o primeiro país no mundo a aplicar a exibição do cartão branco nos campeonatos profissionais”, afirmou o árbitro João Capela. Foto: mediotejo.net

O árbitro internacional João Capela defendeu em Abrantes um maior incremento da amostragem dos cartões brancos no desporto e afirmou que Portugal pode ser pioneiro a nível mundial na implementação do cartão branco nos campeonatos profissionais de futebol, uma forma de enaltecer e promover o comportamento de ‘fair-play’ dos futebolistas.

O árbitro internacional, e embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED) falava perante cerca de uma centena de pessoas em Abrantes, na União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, que organizou na quinta-feira um colóquio sobre “Comportamentos Éticos no Desporto”, tendo Capela, numa intervenção fluente e atrativa, considerado que este cartão branco será um veículo importante para a cultura desportiva em Portugal.

E não se coibiu de contar episódios pessoais, tendo lembrado os anos em que trabalhou na EMEL, em Lisboa, fardado e a passar multas, referindo que já nesse tempo lhe “chamavam nomes. E ainda chamam”, brincou, para de seguida alertar para a importância de “saber ouvir” e “deixar as pessoas falar e desabafar”. Depois de desabafarem, se nós não respondermos no mesmo tom, as pessoas abrem-se e dialogam. É que, defendeu, “comportamento gera comportamento”.

João Capela, perante a atenção dos muitos dirigentes desportivos, atletas, professores, autoridades e população mais ou menos anónima, abordou os temas mais atuais da violência no fenómeno desportivo numa lógica de ação pedagógica para o futuro. “Temos de refletir porque chegou a este ponto e o que podemos fazer daqui para a frente”, afirmou, tendo elogiado a iniciativa da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, e defendido que essa reflexão sobre a ética desportiva deve ser feita junto da população, sobretudo jovens e crianças, mas também junto de associações, as mais diversas entidades e comunicação social.

Elogiou a amostragem do cartão branco como uma “ferramenta pedagógica destinada a jogadores, treinadores, dirigentes e ao próprio publico, na medida em que valoriza as atitudes éticas e os comportamentos”, tendo, no entanto, feito notar existir alguma “resistência” dos árbitros na sua amostragem.

João Capela. Foto: António Cotrim/Lusa

“Em breve vamos ter o cartão branco nos escalões juniores e queremos ser o primeiro país no mundo a aplicar a exibição do cartão branco nos campeonatos profissionais”, afirmou Capela, relativamente a uma medida do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), uma iniciativa governamental do Instituto Português do Desporto e Juventude e que abarca um conjunto de iniciativas estruturadas e planificadas, que visam divulgar e promover a vivência dos valores éticos inerentes à prática desportiva como a verdade, o respeito, a responsabilidade, a amizade, a cooperação, entre muitos outros.

Foi de tudo isto que se falou numa sessão onde o árbitro Armindo Serras, 57 anos, com 30 anos de futebol, contou ao mediotejo.net como exibiu alguns dos cartões brancos na sua carreira, alguns a jogadores, mas também já o tendo feito ao público, pelo seu comportamento exemplar. “Mostrei muitos e vou continuar a mostrar”, assegurou (ver vídeo).

Armindo Serras, árbitro há cerca de 30 anos, já exibiu diversos cartões brancos, inclusivé ao publico. Foto: mediotejo.net

O evento, que contou com o apoio do abrantino Nuno Pedro, dirigente desportivo, teve ainda intervenção de Jorge Maia, presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém, que destacou o “esforço tremendo” dos árbitros no distrital para assegurar a realização de vários jogos num único fim de semana, e afirmou que “as agressões verbais nos campos tornaram-se uma rotina”. O dirigente lembrou que qualquer árbitro pode errar, como ser humano que é, mas que uma falha é logo rotulada como corrupção. “É difícil estar no lugar do árbitro”, afirmou, tendo feito notar que  o Conselho de Arbitragem dá apoio e ajuda aos árbitros para que não cometam o mesmo erro, e defendido que, “só juntos, mudamos a nossa imagem e forma de estar” no desporto. “Rigor, transparência, verdade e coragem”, foram algumas das qualificações exigidas do árbitro de hoje, frisou.

O colóquio foi organizado pela União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede. Na foto, em pé, Bruno Tomás, presidente de junta. Foto: mediotejo.net

No final da sessão decorreu um período de perguntas por parte do público e respostas por parte dos convidados, tendo Bruno Tomás, presidente da União de Freguesias, enaltecido a qualidade das intervenções da noite, a presença do público em geral e dos agentes desportivos em particular, e assegurou que as iniciativas em torno do fomento das boas práticas e ética no desporto vão continuar em Abrantes.

“É de pequenino que se forma a ética no desporto, em modalidades que vão muito para além do futebol, e a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede vai começar a trabalhar para receber a Bandeira da Ética no Desporto” e ser referência nacional nesta matéria, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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