O grupo municipal do Partido Social Democrata (PSD) apresentou na sexta-feira, 20 de abril, uma proposta de recomendação denominada “Reflorir Abrantes, por uma cidade florida!” na Assembleia Municipal (AM) de Abrantes. A proposta foi aprovada por unanimidade.

Assembleia Municipal de Abrantes. João Salvador Fernandes (PSD)

“Abrantes já gozou da enorme honra de ser uma urbe famosa pelas suas flores, principalmente, os crisântemos. E deveu essa glória, em grande parte, ao mestre jardineiro Simão António Vieira e aos seus discípulos”. Foi desta forma que o PSD iniciou a proposta de recomendação “Reflorir Abrantes, por uma cidade florida!” apresentada em sede de AM, esta sexta-feira.

O PSD, pela voz do deputado municipal João Salvador Fernandes, considera que “uma aposta maior numa Abrantes, cidade florida pode ser um avanço económico para o Município, porque será um incentivo e fomentará, com os devidos apoios, os negócios no sector da floricultura e plantas” e colocar o concelho “no mapa dessa indústria em crescimento”.

De acordo com o Ministério da Agricultura, “no ano de 2016, as exportações deste sector cresceram 22%, apresentando um volume de negócios na ordem dos 460 milhões de euros. Pese embora não tenhamos ainda estatísticas finais referentes ao ano de 2017, os indicadores demonstram que foi melhor do que o ano de 2016”, justifica João Fernandes.

O PSD considera que é preciso recuperar a tradição de ‘Abrantes, Cidade Florida’ e utilizá-la como “um fator diferenciador que traga mais desenvolvimento económico, social e cultural” ao Município de Abrantes.

Assembleia Municipal de Abrantes

Segundo o deputado municipal do PSD, a floricultura apresenta-se como “o sector agrícola que mais mão-de-obra assalariada não-familiar emprega por hectare, isto é, em média sete pessoas e dos que mais tem substituído importações por exportações (redução de 30% das importações)”.

Recorda que “em 1940, a Câmara Municipal de Abrantes conquistou a taça da 1.ª Secção (placas ajardinadas), na 1.ª Exposição Nacional de Floricultura, realizada em Lisboa. Simão António Vieira, na qualidade de jardineiro municipal, foi premiado com 250$00. A esta façanha, confirmando o aludido epíteto, são de juntar as exposições de vasos de crisântemos, uma prática iniciada em 1947 e que, em 1949, conseguiu reunir cerca de três mil vasos”.

Lê-se ainda na proposta de recomendação que “havendo um extenso e importante legado de Simão António Vieira no que diz respeito à criação de crisântemos, é fundamental recolher toda a informação sobre flores tipicamente abrantinas ou intimamente ligadas à sua história e ao seu território, destacando-as enquanto símbolos da cidade e do Município e dando-as a conhecer nos nossos jardins e espaços floridos”.

Nesse sentido, o PSD considera “indispensável” para a política cultural de Abrantes “regenerar a citada tradição, destacar as nossas flores típicas, descobrir o paradeiro da taça da 1.ª Secção (placas ajardinadas) que segundo informou a Câmara Municipal de Abrantes se extraviou e “estabelecer uma exposição permanente Abrantes, Cidade Florida”.

Assim, o PSD propôs que a AM recomende que a Câmara Municipal de Abrantes proceda a esforços para descobrir o paradeiro da taça da 1.ª Secção (placas ajardinadas), galardão correspondente ao triunfo do Município na 1.ª Exposição Nacional de Floricultura em 1940; que a Câmara Municipal de Abrantes reforce, no âmbito da sua política cultural, o papel da Abrantes, Cidade Florida, ou seja, recupere os elementos tradicionais associados a esse património cultural e utilize-os para o desenvolvimento social, económico e cultural do nosso Município.

A proposta daquele partido sugere ainda que se estabeleça uma exposição municipal permanente sobre Abrantes, Cidade Florida ao longo dos tempos, recolha de toda a informação sobre flores tipicamente abrantinas ou intimamente ligadas à sua história e ao seu território, ofertando especial ênfase às variedades criadas por Simão António Vieira, destacando-as enquanto símbolos da cidade e do Município e dando-as a conhecer nos jardins e espaços floridos.

A proposta foi aprovada por unanimidade.

Tal iniciativa “até pode permitir que a Câmara Municipal desenvolva a marca Abrantes, Cidade Florida, apoiando os produtores e vendedores que cumpram determinados requisitos de qualidade, pegando em produtos de excelência, associando-lhes a marca e promovendo os negócios locais e o próprio Município, ou seja, por exemplo, como o Município do Fundão faz com os produtores e vendedores de cerejas”, concluiu João Salvador Fernandes.


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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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3 Comments

  1. Concordo e apoio a proposta.
    Que sejam também cuidados os jardins públicos e particulares e não se deixem ao abandono, tal como está a suceder com aquele que foi o Colégio de Nossa Senhora de Fátima, no qual as ervas jå são tão altas como as portas!
    Haja consideração pela historia que os abrantinos também ali escreveram!

  2. Sou do tempo do Mestre Jardim Simão Vieira…tive o grato prazer, desde os 7 anos de idade, de ter vivido na cidade jardim que é a linda e fresca Abrantes. Andavamos nas ruas todas floridas, nas janelas…nos seus canteiros. nos jardins da República, Actor Taborda e outros. As ruas estavam perfumadas com o cheiro das flores…sardinheiras, roseiras e outras. A minha avó Beatriz até ganhou um 3.º prémio (concurso de janelas floridas). Abrantes era assim…linda…que renasça.

  3. quero fazer uma correcção: Mestre Jardineiro de seu nome Simão Vieira que se não estou errado vivia com a família no Jardim do Castelo.

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