O ALTERNATIVAcom criticou hoje a politica de transportes em Abrantes e apresentou 12 pontos relacionados com transportes e comunicações para o concelho.
Em comunicado, o movimento independente afirma ter “plena consciência dos esforços, dos custos e do tempo” mas avança com de conjunto de medidas, “algumas das quais poderão requerer mais de um mandato garantindo”, assegurando que “correspondem a muito mais do que meras promessas ou boas intenções”.
Segundo o movimento independente, que se candidata à Câmara Municipal de Abrantes nas eleições autárquicas de 2021, as medidas apresentadas “traduzem uma alteração profunda nas prioridades autárquicas, uma determinação e coragem políticas que há muito faltam a Abrantes e o compromisso firme de quem tem a convicção de que poderá vir a assumir a responsabilidade de governar o município, trabalhando lado-a-lado com todos os abrantinos, independentemente das cores partidárias”.
Falando numa “pesada herança da governação autárquica PS” dá conta de ter solicitado em 24 de junho de 2020 uma reunião com o Ministério da Coesão Territorial, “o qual ignorou” a solicitação. O movimento reforçou o pedido “em abril e maio do corrente ano, tendo a reunião sido recusada e endossada para a CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro”.
Afirma que “a política de transportes do município de Abrantes tem sido um verdadeiro desastre, caracterizada pela escassez de meios, desfasamento de horários e falta de segurança dos passageiros, situação que se agravou com as restrições impostas pela crise de pandemia (p.e. crianças a viajar de pé), que o município não soube gerir convenientemente”.
E o aBUSa “está longe de dar resposta às legítimas necessidades e expetativas de uma população cada vez mais envelhecida e com mobilidade reduzida, contribuindo negativamente para a crescente desertificação do centro histórico da cidade e declínio do comércio tradicional”.
Assim, assumindo o compromisso de “tudo fazer, tanto no que de nós depender, como no que haverá a influenciar e pressionar junto de outras instâncias e entidades” enumera as tais prioridades:
“1- Criar um serviço de transporte público regular, acessível a todos os cidadãos, que cubra toda a cidade e todo o concelho, todos os dias da semana e várias vezes ao longo do dia. É preciso facilitar e promover significativamente a mobilidade, a interação e a coesão social dentro do concelho, acrescentando valor a todos os cidadãos;
2- Com os concelhos vizinhos, a CIMT – Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e os operadores de transporte rodoviário, analisar os resultados do projeto Transporte a Pedido e coordenar soluções inovadoras e mais favoráveis de transporte regional e inter-regional, incluindo carreiras regulares para a capital (Lisboa) e circuitos turísticos;
3- Promover a mobilidade sustentável, designadamente facilitando a circulação segura dos peões, incentivando a partilha de transportes, criando uma rede equilibrada, integrada e segura de ciclovias, garantindo interfaces de multimodalidade e oferecendo soluções de estacionamento onde este mais falta faça;
4- Assegurar, em articulação com as operadoras, 100% de cobertura do nosso território com adequada rede de comunicações, oferecendo bom sinal para telemóveis e boa velocidade de Internet. É preciso facilitar a generalizar a acessibilidade às comunicações móveis e de dados, facilitando o estudo, o trabalho, o consumo e a socialização à distância;
5- Disponibilizar acesso gratuito à Internet no espaço público, em determinados pontos da cidade e em todas as aldeias das freguesias rurais e periféricas;
6- Fixar um prazo definitivo para a construção da nova ponte sobre o rio Tejo em Tramagal, no âmbito da extensão do IC9 até Ponte de Sor ou, em alternativa, criar condições para que a referida ponte (ou sucedânea) seja construída pelos municípios interessados;
7- Realizar as diligências necessárias junto da IP – Infraestruturas de Portugal e outras entidades oficiais para que sejam construídos os viadutos que eliminarão as chamadas “curvas do Tramagal” na EN118;
8- Concretizar a operação estratégica (OE14) prevista no PUA – Plano de Urbanização de Abrantes de construção de variante à EN118/Avenida Avelar Machado, incluindo a requalificação de toda a envolvente em Rossio ao Sul do Tejo;
9- Concretizar as demais operações estratégicas do PUA que façam sentido, depois da revisão deste documento, estando completamente afastada a hipótese de demolição do antigo Mercado, defendendo-se o regresso do mercado diário ao seu edifício original, depois de requalificado;
10- Diligenciar junto da CP – Comboios de Portugal mais e melhor oferta de transporte ferroviário de passageiros (regular e especial/turístico), incluindo a criação de um serviço diário entre Abrantes (ou Ponte de Sor) e o Entroncamento, semelhante ao que existe entre Tomar e o Entroncamento, pensado para quem trabalha na capital (Lisboa) ou em localidades intermédias;
11- Com a IP – Infraestruturas de Portugal e os operadores rodoviários, proceder à renovação de todas as Estações, Apeadeiros e Terminais localizados no nosso concelho, os quais devem constituir dignas e acolhedoras portas de entrada, assim como impressivas montras da nossa riqueza natural e cultural;
12- Continuar a defender a opção Tancos como alternativa ao aeroporto do Montijo, ou mesmo como principal aeroporto internacional de Portugal, movimentando passageiros e carga, mobilizando todas as forças vivas das regiões envolventes para a defesa desta opção”.
O movimento ALTERNATIVAcom entende que “nos territórios interiores e em crescente declínio demográfico, mais do que em quaisquer outros, a mobilidade e as acessibilidades são fatores estratégicos de desenvolvimento, devendo os transportes e as comunicações ser considerados e tratados como um direito básico e universal das populações, acrescentando valor a cada indivíduo, família, empresa e comunidade”.
Isto significa que “todos devem ter acesso facilitado aos transportes e à mobilidade, nomeadamente entre as freguesias rurais/periféricas e a cidade, e entre os bairros/aldeias e os centros históricos e instituições públicas, administrativas e de serviços. Significa, também, que devem ser melhoradas as ligações regionais e à capital (Lisboa)”.
Mas para o movimento independente, Abrantes “revela outras debilidades clamorosas, como por exemplo ter apenas vendido e registado 1 veículo pesado de passageiros (e 7 de mercadorias) em seis anos (2014 a 2019). Ou de ter vendido e registado em 2019 apenas 9 veículos novos por mil habitantes, quando a sub-região do Médio Tejo vendeu e registou 13 (mais 46%). Ou de estar, em acidentes de viação com vítimas, bastante acima da média (+56%) dos treze municípios.
No domínio das comunicações, “todos devem ter acesso facilitado às comunicações analógicas e digitais, usufruindo de razoável sinal de rede móvel e velocidade de dados. Não é aceitável, nem do ponto de vista moral e de coesão social, nem do ponto de vista das estratégias de desenvolvimento local, regional e nacional, que persistam impedimentos, obstáculos e ineficiências de comunicação, designadamente nas povoações mais pequenas e isoladas”.
O ALTERNATIVAcom nota ainda que em “muitas aldeias de Abrantes, não é possível comunicar por voz e mensagem a partir de telemóvel (obrigatório para realizar operações bancárias e outras), a televisão é vista com muitas interferências e a velocidade da Internet é lastimável, apesar de os seus habitantes pagarem tanto quanto um cidadão a residir na capital, com rede 5G e fibra ótica. Mas não só, Abrantes tem cerca de metade dos postos telefónicos públicos e estações de correio, em equivalência de habitantes, quando comparado com a média da sub-região”, conclui.
