Vasco Damas apresentou uma situação relatada por uma cidadã na aldeia da Matagosa, freguesia de Carvalhal, que aguarda o reforço da cobertura de rede que permita à população estar comunicável em condições adversas, caso de situação de incêndio florestal.
Na reunião de 20 de agosto, Vasco Damas deu conta da fraca qualidade das telecomunicações em aldeias remotas do norte do concelho, tendo questionado o executivo de maioria socialista como estaria um pedido para colocação de uma antena Starlink para a aldeia da Matagosa, “idêntica à que existe na aldeia de Água das Casas”, ali ao lado.
Relatando o que fora transmitido pela munícipe Filomena Mendes, “tal como se previa e foi alertado em troca de e-mails entre a cidadã e o presidente de junta da freguesia [de Carvalhal] em março deste ano, no dia do incêndio na Matagosa as comunicações eram péssimas, colocando em risco a segurança das pessoas que não puderam ser avisadas devido à inexistência de rede, incluindo no ponto de encontro, fazendo-nos questionar se a Aldeia Segura não estará, de facto, insegura”.
Segundo o vereador, a cidadã fez também sugestão de melhoria no dia 19 de março na plataforma Abrantes360, “cujo conteúdo se limitava a replicar o conteúdo de um email que terá enviado no dia 11 desse mês ao sr. Presidente de Câmara, supostamente nem o email nem a exposição no Abrantes360 terão sido objeto de análise ou de resposta”, alertou.
Recordando que os municípios “recebem dinheiro do direito de passagem das operadoras, esquecendo-se muitas vezes de exigir contrapartidas que beneficiem a comunicação das pessoas e do território, aproveito a solicitação desta munícipe para pedir um esclarecimento mais alargado sobre as telecomunicações no nosso concelho, perguntando ao sr. Presidente se se sente satisfeito com a qualidade de cobertura de rede nas freguesias do norte do concelho, nomeadamente Fontes, Carvalhal e Aldeia do Mato e Souto, e a sul nas freguesias de Bemposta e São Facundo e Vale das Mós”.
Perante o exposto na reunião de executivo camarário, o autarca Manuel Jorge Valamatos afirmou que a qualidade da rede de telecomunicações e o seu acesso é “um assunto absolutamente extraordinário e vital para os dias de hoje”.
“Enquanto há 20 anos era decisivo fazer a A23 para o desenvolvimento da região, acho que hoje ter fibra ótica, ter boas comunicações, é a A23 que precisávamos há 20 e tal anos de alcatrão e que está aqui nas nossas costas. Hoje as comunicações são decisivas para o desenvolvimento dos territórios, e obviamente que tem havido um esforço incrível“, começou por referir.
O autarca notou que “tem havido um grande avanço a esse propósito, temos melhorado muito significativamente a capacidade das redes de comunicação”, mas não deixou de lembrar que há muito por intervir e melhorar no interior do país.
“O último presidente da ANACOM, que era mourisquense [João Cadete de Matos], tantas vezes referiu isso. Tem que haver equidade no país, equilíbrio. E como sabe as operadoras são estruturas privadas e que não podem comer só a carne e deixar o osso. Tenho dito quer aqui, quer na CIMT, há zonas altamente sustentáveis que dão grande rentabilidade, onde fazem investimento e depois as zonas onde não há tanta gente, onde não há capacidade de retorno financeiro, ficam desprotegidas“, reconheceu.
Ainda assim o presidente de Câmara não deixou de lembrar que a autarquia tem feito trabalho neste âmbito, nomeadamente por via da implementação do projeto de transição digital nas freguesias. “Temos trabalhado muito para contrariar essa situação, vamos continuar a fazê-lo. O nosso serviço de informática tem feito um trabalho absolutamente extraordinário na colocação de equipamentos capazes de aumentar a capacidade de rede, mas nós próprios também não conseguimos chegar a todo o lado”, assumiu.
“O que me comprometo consigo e com todos é que continuaremos neste esforço, para criar mais equidade em todo o nosso território e continuaremos junto das operadoras privadas a «exigir» por essa democratização do território“, disse Manuel Jorge Valamatos, também presidente da CIM Médio Tejo.
“Se há 20 e tal anos a A23 era decisiva para a sustentabilidade e para uma luta difícil com o litoral, hoje as questões das telecomunicações são decisivas. Continuaremos a trabalhar e precisamos da parcimónia e do empenho de todos“, concluiu.
