Abrantes reforça meios de prevenção com juntas de freguesia ao nível de kits de primeira intervenção. Foto arquivo: CMA

Onze das 13 juntas de freguesia do concelho de Abrantes vão integrar em 2024 o dispositivo municipal de combate a incêndios rurais, colocando no terreno viaturas equipadas com ‘kits’ de primeira intervenção e rádios de comunicação, tendo a Assembleia Municipal aprovado os protocolos de parceria. O objetivo é criar condições para que as juntas de freguesia, pela sua proximidade, possam avançar com um ataque imediato a um fogo nascente até à chegada de reforços. “Nenhum incêndio nasce grande”, notou o presidente da Câmara.

As carrinhas ligeiras integram o Dispositivo Especial Contra Incêndios Rurais (DECIR), no âmbito municipal, para responder de forma mais rápida e eficaz no ataque aos incêndios, na sua fase inicial, até que cheguem os reforços ao local do fogo, sendo uma mais-valia pela sua proximidade e rapidez.

“Num território tão extenso, como o de Abrantes, precisamos de ter dispositivos em vários pontos do concelho para que, num processo de ignição de um incêndio, possamos ter condições de ataque rápido, na salvaguarda de pessoas e bens”, disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos.

Este ano, a Câmara Municipal de Abrantes reforçou o investimento nos ‘kits’ de primeira intervenção contra incêndios, num total de 180 mil euros, mais 15 mil euros do que em 2023, ano que contou com 10 freguesias envolvidas, passando em 2024 a integrar também a União de Freguesias de Alvega e Concavada.

Desde 2019, o município de Abrantes investiu cerca de um milhão de euros (922 mil euros) nos kits de primeira intervenção para as juntas de freguesia poderem prestar uma resposta mais rápida e eficaz no ataque aos incêndios, na sua fase inicial.

“Nenhum incêndio nasce grande, temos uma área territorial de 714 quilómetros quadrados, temos protocolos com quase todas as juntas de freguesia, além de associações de caçadores, e importa ter estes meios espalhados pelo terreno para detetar e atacar de imediato uma ignição na sua fase inicial”, destacou o presidente da Câmara.

Ainda segundo Manuel Jorge Valamatos, os kits de primeira intervenção “funcionam também como instrumentos de vigilância, desempenhando um papel dissuasor e informativo, junto da população”.

Apresentação em Abrantes do dispositivo especial combate a incêndios rurais em 2023. Foto arquivo: mediotejo.net
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

A Assembleia Municipal de Abrantes aprovou na sexta-feira, 26 de abril, a celebração de contratos interadministrativos para “melhor desempenho de atribuições em matéria de Proteção Civil” com as juntas de Freguesia de Abrantes e Alferrarede, Alvega e Concavada, Aldeia do Mato e Souto, Bemposta, Mouriscas, S. Facundo e Vale das Mós, Rio de Moinhos, Tramagal, Carvalhal, Fontes e Pego.

Não integram o DECIR a União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo e a Junta de Freguesia de Martinchel.

Na nota da autarquia, o presidente da Câmara de Abrantes destaca ainda o trabalho “de grande esforço” das juntas de freguesia que integram o DECIR porque “têm de alocar recursos humanos e algum investimento do seu próprio orçamento”.

O autarca salienta, também, que as freguesias que não disponham dos recursos necessários para levar a cabo estas ações “não deixam de estar protegidas, já que todos os restantes meios no âmbito da proteção civil são alocados em caso de necessidade”.

O DECIR, que arrancou em 2019 com seis juntas de freguesia, engloba hoje carrinhas em 11 das 13 freguesias do município de Abrantes e resulta num apoio financeiro anual de 15 mil euros por ‘kit’ de primeira intervenção, composto por maquinaria, mangueira e tanque com capacidade de 600 litros de água, formação específica a dois operacionais por carrinha e fatos de proteção individual, sendo as mesmas apetrechadas com rádios de comunicação.

Kits das junta de freguesia são peças chave no combate a incêndios rurais. Foto: mediotejo.net

Segundo a Câmara de Abrantes, a parceria com as juntas de freguesia permite criar condições para que possam melhorar “o desempenho” em matéria de proteção civil e no “ataque imediato a um fogo nascente para o debelar ou evitar que tome grandes proporções, até que cheguem os reforços ao local do sinistro”.

No âmbito do DECIR 2024, a ser apresentado oportunamente, as carrinhas das freguesias, nos períodos de alerta laranja e vermelho, comprometem-se a estar pré posicionadas em Locais Estratégicos de Estacionamento (LEE), dentro do limite da freguesia e em horários também definidos previamente pelo comandante dos Bombeiros de Abrantes e pela Proteção Civil Municipal.

O concelho de Abrantes tem uma área de 714 quilómetros quadrados e uma vasta zona florestal.

A Assembleia Municipal de Abrantes aprovou também na sexta-feira os contratos interadministrativos a protocolar com as 12 Juntas e Uniões de Freguesia do concelho, num montante superior a um milhão de euros (1.040.391,00 euros), para realização de diversas obras nos respetivos territórios, durante o ano 2024.

Os valores estão assim discriminados: Bemposta – 90.047€, Carvalhal – 78.057€, Fontes – 78.967€, Martinchel – 78.952€, Mouriscas – 84.325€, Pego – 79.912€, Rio de Moinhos – 77.918€, União das Freguesias de Abrantes e Alferrarede – 125.000€, União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto – 82.162€, União das Freguesias de S. Facundo e Vale das Mós – 90.000€, União das Freguesias de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo: 85.000€, e Tramagal: 90.051€.

No caso da União de Freguesia de Alvega e Concavada, que teve eleições autárquicas intercalares em fevereiro, o protocolo será definido e aprovado em fase posterior.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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