O açude insuflável de Abrantes apresenta uma rutura no vão 2, estando descartada a hipótese de vandalismo. A rutura obriga à devida reparação de um equipamento instalado no Tejo que permanece, no entanto, insuflado, conseguindo manter o espelho de água em dias de caudais “normais”.
O assunto foi avançado durante a reunião de Câmara de Abrantes de terça-feira pelo vice-presidente João Gomes (PS) que deu conta de um rasgo de 70 centímetros no vão 2. Mas contrariamente a situações ocorridas do passado, o presidente, Manuel Jorge Valamatos, garantiu não se tratar de um ato de vandalismo.
O vereador João Gomes começou por justificar os baixos caudais do rio Tejo no último fim de semana, ação “propositada” e concertada com a EDP, após ter sido detetado na manhã do dia 13 de abril, durante uma “visita de rotina”, que o açude insuflável de Abrantes apresentava “um problema” na comporta do vão 2 “ao nível de pressão de ar”.
“Verificamos que o compressor arrancava com continuidade, queria isso dizer que estávamos com uma fuga de ar”, explicou João Gomes.
ÁUDIO: JOÃO CASEIRO GOMES, VICE-PRESIDENTE CM ABRANTES:
O vice-presidente deu conta dos serviços do Município terem de seguida contactado a empresa responsável pela monitorização e acompanhamento das comportas e do bom funcionamento do açude que, em conjunto com os serviços técnicos da Câmara, contactaram a EDP no sentido de baixar o caudal do rio Tejo.
O objetivo passava por “desinsuflar o açude e podermos inspecionar toda a infraestrutura. Verificámos um rasgo de 70 centímetros no vão 2”, explicou João Gomes aguardando agora por relatórios técnicos para perceber “qual o procedimento mais adequado” para resolução do problema identificado e também perceber as causas.
João Gomes dá conta de todas as comportas permanecerem insufladas à exceção do vão 2, que apenas será insuflado após a sua reparação. “Sempre que temos caudais normais conseguimos manter o espelho de água e o bom funcionamento do açude como se verificou ontem [segunda-feira], com caudais acima do normal, com uma tejada das grandes. O açude funcionou dentro da normalidade”, referiu João Gomes.

Segundo o presidente da autarquia, o açude não foi vandalizado “como outras situações” no passado. “O rasgo é junto aos parafusos e ao encaixe e não representa uma situação de vandalismo. É uma questão de manutenção. Temos de perceber que tipo de intervenção vai obrigar. Estas estruturas precisam de manutenção, vamos esperar pelos relatórios”, disse.
ÁUDIO: MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
O autarca notou que “aos fins-de-semana os caudais são muito reduzidos e reforça o que tenho vindo a dizer há muitos anos; sempre falei da poluição e na qualidade da água mas falei muitas vezes sozinho sobre a quantidade da água”.
Para Valamatos, com Abrantes sem açude resta “uma ribeirazinha sem jeito nenhum […] não é possível alguém ter atividades desportivas, de lazer, dinâmicas no nosso rio, nas margens do rio, sem o nosso açude insuflável”, sublinhou, reconhecendo a importância da proatividade “em tudo o que pudermos fazer para melhorar e valorizar o ecossistema”.
Reforçando a explicação do executivo de maioria PS, João Gomes acrescentou que a intervenção será no vão 2 e não no já intervencionado vão 3. “Não tem nada a ver, não é uma reincidência. Toda a monitorização do açude é feito 24 horas sobre 24”, indicou, recordando “o investimento” municipal no açude.
ÁUDIO: JOÃO CASEIRO GOMES, VICE-PRESIDENTE CM ABRANTES:
“Tivemos de fazer uma reparação naquela comporta que ficou danificada para fazer o registo do caudal a nível da entrada da escada passa peixe, temos feito a nível dos compressores, a manutenção do açude tem sido feita quer pelos serviços da Câmara que se deslocam todos os dias ao açude e também pela empresa que nos dá essa parceria de especialização nesse acompanhamento”, explicou o vice-presidente.
Do lado da oposição, o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, explicou que a posição do seu partido passa por defender “uma solução global” para o rio Tejo, no sentido de “permitir soluções locais”. O BE defende “caudais ecológicos para que não haja esta variabilidade de caudais”.
Para Armindo Silveira o rio Tejo “não pode ficar refém de certos investimentos que irão afetar os ecossistemas. Sabemos que existe uma problema gravíssimo que tem a ver com a produção de energia elétrica”, vincou.
Em relação ao açude de Abrantes, o vereador bloquista considerou serem já “demasiados problemas” e aproveitou a ocasião para lembrar o tema do Projeto Tejo levado à discussão em anterior reunião de executivo de Abrantes.
“Se temos este açude e está a ter os problemas que tem, imaginam agora mais quatro ou cinco ou seis açudes ao longo do rio Tejo. Independentemente dos impactos ambientais e outros, os problemas técnicos que trarão e o investimento que tem de ser feito na sua manutenção”, opinou.
ÁUDIO: ARMINDO SILVEIRA, VEREADOR DO BE:
O maior açude insuflável do país foi inaugurado em Abrantes no dia 16 de junho de 2007 numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro de então, José Sócrates, e que constituiu um dos momentos principais de valorização das margens do Tejo.
Este açude permitiu criar um espelho de água com 80 hectares e cerca de três milhões de metros cúbicos de água e correspondeu a um investimento de dez milhões de euros, constituindo uma obra única em Portugal.

O enchimento do açude demora cerca de 45 minutos e o sistema de comportas tem uma zona de passagem permanente de metros cúbicos por segundo de água para garantir um caudal ecológico no rio, foi noticiado na altura da inauguração.
