Helena Assis, esposa do autor, declamou parte da obra. Foto: mediotejo.net

Esta iniciativa faz parte do programa de comemorações do 30.º aniversário da Biblioteca Municipal, assinalado no domingo, dia 26 de novembro. Depois de uma sessão sobre Botto e Pessoa em mesa-redonda, e um espetáculo sobre o poeta António Botto, natural de Concavada (freguesia abrantina), as atividades culminaram com o lançamento de uma nova edição do livro ‘Zara’ de José-Alberto Marques, edição que esteve a cargo do município de Abrantes.

O evento arrancou com um pequeno vídeo relativo à apresentação da primeira edição da obra, de 1995, resultante de uma reportagem ‘recuperada’ da TVI, em que o autor falou um pouco sobre si e o percurso de escrita do livro.

Luís Correia Dias, vereador com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Abrantes, foi o primeiro a usar da palavra, e começou por relembrar os presentes acerca do projeto ‘Caminhos Literários’, que surgiu na altura da pandemia, e envolveu os concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal.

“Nessa altura, aquilo que nós procurámos fazer foi homenagear Botto, Camões, Gil Vicente e outros por cá passaram, outros que cá vivem, e outros que cá viveram”, referiu. O vereador falou ainda um pouco sobre o género literário do livro ‘Zara’, que apelidou como ‘geopoema’, uma vez que a obra, “cheia de alma”, fala sobre a “tão bonita” e “afetiva” Abrantes.  

Luís Correia Dias | Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Abrantes

“Reeditamos este magnífico poema ilustrado que fielmente reproduz aquilo que foi feito em 1995”, finalizou o autarca.

O evento contou ainda com a intervenção de Helena Assis, esposa de José-Alberto Marques que, visivelmente emocionada, falou sobre o autor e a sua obra. “Escreveu e foi amigo de muitos dos melhores escritores e artistas ligados sobretudo às artes visuais”, detalhou Helena. “A ele devo o saber e o sabor da vida em todos estes anos”.

ÁUDIO | Helena Assis, esposa de José-Alberto Marques

O final do seu discurso ficou marcado pela leitura de um excerto do final de ‘Zara’, que deu o mote de encerramento da sessão.

Abrantes, cidade sem Ribatejo,

nem Alentejo,

sem Beira nem Eira.

Tens um coração

Que quer se queira, ou não

Bate,

Bate

José-Alberto Marques, ‘Zara’

BIOGRAFIA DO AUTOR

José-Alberto Marques nasceu em Torres Novas, em 1939, e começou por frequentar a licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

No entanto, os ‘impulsos literário’ levaram-no a mudar para um curso de História, que concluiu enquanto deu explicações para conseguir juntar algum dinheiro.

Radicado em Abrantes desde a década de 1960, foi professor efetivo na Escola D. Miguel de Almeida.

Das diversas atividades de intervenção cultural e artística, destacam-se a participação no segundo número da revista Poesia Experimental (1966), Operação 1 (1967) e na Conferência-Objecto (Galeria Quadrante, 1967).

José-Alberto Marques recebeu o 1.º Prémio Nacional de Literatura Infantojuvenil nas comemorações dos 20 anos do 25 de Abril, com o livro ‘A Magia dos Sinais’, em 1996.

Do seu percurso enquanto escritor fazem parte diversas obras como Face do Tempo (1964), Estórias de Coisas (1971), Aprendizagem do Corpo (1983), flexõesREflexões (1985), Loendro (1991), ou Zara (1995). Destacam-se também os romances Sala Hipóstila (1973), O Elefante de Setrai (1977), Nuvens, no Vale (1985) e As Tiras da Roupa de MacBeth (2001), em que mantém sempre o experimentalismo formal.

Considerado o primeiro autor da poesia concreta em Portugal, esteve ao lado de lado E. M. Melo e Castro, na realização da obra Antologia da Poesia Concreta em Portugal, de 1973.

Em 2016 publicou NARRATIVYLÍRICA, um trabalho que classificou na altura como “um jogo literário muito intenso”.

Apaixonada pelo mundo do jornalismo, é licenciada em Comunicação Social pelo Instituto Politécnico de Tomar / Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Acredita que "para chegar onde a maioria não chega, é necessário fazer o que a maioria não faz".

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