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O movimento independente ALTERNATIVAcom juntou no restaurante “O Castiço”, em Mouriscas, dezenas de interessados em debater o tema “Raízes, Tradições e Identidade” com Luís Osório – jornalista, comunicador, escritor e consultor – que acabou também por fazer as pazes com o passado e descobrir parte da sua identidade, naquela que foi a sua primeira visita à terra da família materna. Luís recordou quem era “Miguel”, como era tratado pela sua avó Joaquina, que nasceu em Mouriscas, no lugar de Carreira, e onde viveram outros seus antepassados. Antes e durante o serão, à mesa, houve outros reencontros com a identidade, a cultura e a filosofia do ser, marcados pela influência das raízes que importam perpetuar.

O jantar aconteceu na passada sexta-feira, dia 25, e juntou à mesa mourisquenses, abrantinos e não só. Pessoas curiosas pelo tema colocado a debate, mas também com vontade de ouvir Luís Osório, o orador convidado.

[icon name=”user” prefix=”far”] PERFIL | Ainda não tinha 20 anos e já se adivinhava um futuro brilhante para Luís Osório, quando venceu o Prémio Revelação do Clube de Jornalistas e espantava o país com a criatividade de ZappingPortugalmente, programas que criou na RTP2. Depois foi jornalista da Visão e do Diário de Notícias (no mítico DNA), foi diretor d’A Capital, do Rádio Clube Português, do jornal i e do Sol. Aos 40 anos afastou-se do jornalismo e passou a ser consultor na área da comunicação empresarial e política. Mas continuou sempre a escrever: publicou oito livros e conquistou um público fiel nas redes sociais. Assina agora dois novos programas na TSF: “Postal do Dia” e “Só Entre Nós”.

A sessão arrancou sob a batuta de Vasco Damas, líder do movimento independente ALTERNATIVAcom, que explicou naquele que foi o jantar-debate que marcou o regresso às atividades presenciais, após dois anos de pandemia, que o tema “Raízes, Tradições e Identidade” se prendeu, precisamente, com a história familiar do convidado Luís Osório, mas também com o facto de o movimento ter identificado uma “crise de identidade” na cidade e no concelho de Abrantes, vendo ali “oportunidade de melhoria”, e, debate de ideias junto da comunidade.

Vasco Damas, do movimento AlternativaCom, considera que Abrantes precisa de definir a sua identidade Foto: DR

“Já foi Cidade Florida, Cidade Desportiva, Cidade Digital. Hoje estamos numa crise de identidade, não sabendo muito bem o que somos e o que queremos ser e, essencialmente, isto cria-nos um problema. Não sabendo quem somos, como é que comunicamos para fora e como vendemos a cidade e o concelho para que, quem não nos conhece, tenha vontade de nos conhecer e de nos visitar?”, questionou Vasco Damas.

Recordou ainda a proposta recente, enquanto vereador da Câmara Municipal de Abrantes, de se rever e criar uma identidade única para a cidade e para o concelho de Abrantes, defendendo que das 13 freguesias rurais surgem características diversas que talvez merecessem ser localmente distinguidas, divulgando as suas identidades próprias, como parte do todo abrantino.

Neste sentido, entendeu ser oportuno debater a importâncias das raízes e referências para a formação da identidade, crendo Vasco Damas que tal se aplica a indivíduos, mas igualmente para a criação e manutenção de uma identidade para as cidades e para o território.

Luís Osório deu o mote para esta reflexão, uma vez que também ele admite ser produto das suas origens familiares, particularmente da sua referência-maior, a avó Joaquina, natural de Mouriscas. A pessoa por quem chorou a primeira vez com medo que morresse, tinha então 5 a 6 anos.

“Para mim é extraordinariamente especial estar aqui. Porque tudo aquilo que eu escrevi sobre a minha avó é incomparável ao que eu sinto pela minha avó (…) Quando nós amamos verdadeiramente, não há palavras suficientes, porque quando falamos numa linguagem mais próxima de uma ideia de amor, essa linguagem não se faz de palavras ou de um alfabeto. É como um alfabeto sem palavras”, começou por dizer Luís Osório, arrancando com um emotivo momento de partilha.

Lembrou, na sua infância, quando assistia ao desempenhar do ofício da avó, fazendo soutiens na sua máquina de costura Oliva, 12 horas por dia, e até aquele sonho “por antecipação” que o deixou alerta perante a ideia de que “um dia, poderia deixar de existir”.

“Em todos os momentos afetivos da minha vida, até aos meus 20 anos, só a minha avó existiu”, admitiu. “Foi ela que me amparou, passámos grandes dificuldades.”

Luís Osório e Vasco Damas. Foto: DR

Viveu entre a sorte e privilégio de ter duas famílias. Por um lado, com a família paterna, “com um pai muito marcante, comunista, mas absolutamente burguesa”, e a família materna, “muito pobre” e natural das Mouriscas – onde crê também ter nascido a sua mãe.

Agradeceu ao mourisquense João Maia Alves, autor no blogue Mouriscas – Terras e Gentes, que contribuiu para que estendesse mais além este seu conhecimento sobre os seus familiares. “Ajudou-me a compreender quem é que eu sou”, assumiu Luís Osório.

A avó materna de Luís (ou Miguel, como carinhosamente a avó o tratava), dava pelo nome de Joaquina de Matos, e nasceu em 1913 no lugar de Carreira, em Mouriscas. O lugar mais pobre de uma freguesia igualmente pobre. E onde morava a família pobre, do lado da mãe de Luís. Já a avó Joaquina foi filha, neta e bisneta de sapateiros, profissão que perdurou por muitas gerações. A bisavó de Luís, por sua vez, trabalhava ligada à agricultura, na dureza do sol a sol da jorna nas terras de família ou de outros.

Luís Osório lembrou ainda a relação difícil mas igualmente forte com a mãe, numa “ligação umbilical” onde sobressaiu sempre a dimensão afetiva.

“Não me lembro nunca de ter vindo às Mouriscas, esta é a primeira vez. Mas a minha avó veio uma vez às Mouriscas, que eu me lembre. E no dia antes dela morrer, estava mais ou menos inconsciente, e pela primeira vez falou das Mouriscas, no momento em que se estava a aproximar da morte. Foi um momento que eu nunca esqueci, e pensei que em algum momento teria que ir às Mouriscas”, continuou.

Jantar-debate em Mouriscas, com Luís Osório Foto: DR

Desde o momento em que chegou à terra da avó e dos seus antepassados maternos, Luís Osório foi fechando os olhos, procurando “por um sinal da sua vida para lá desta vida”.

“A minha avó chamava-me Miguel, e o Miguel morreu no dia em que ela morreu. De alguma maneira, neste encontro, eu voltei a ser o Miguel”, afirmou Osório.

Ao longo de mais de uma hora de meia de conversa, num restaurante com dezenas de participantes, não deixou de abordar factos e momentos da sua vida, construindo a ponte para o diálogo com os presentes, nunca descurando o comentário à atualidade, ao legado do passado e a forma como influi na identidade e na forma de vida do presente.

Luís Osório crê nas aprendizagens deixadas pelos antepassados, como tantos outros que ainda hoje, fora das grandes cidades, nas aldeias do Interior, têm de se bater pela sobrevivência perante as adversidades e procurando “truques e segredos que também não têm alfabeto próprio”, mas cuja luta advém do legado dos que já partiram.

“Em toda a minha vida olhei sempre para a avó como uma mulher que viveu e nasceu com um bilhete errado. Mas esse bilhete errado não a fez, depois de tantos desequilíbrios que teve, cair para não se voltar a levantar. Ela levantava-se sempre”, contou, vibrando sobre o “grande legado” das pessoas que tiveram vidas difíceis e que deixam grandes ensinamentos.

Vídeo | Luís Osório partilhou um pouco do que sentiu nesta sua visita às raízes, em Mouriscas, terra natal da família materna, num vídeo publicado no seu perfil de Facebook.

Comentando a atualidade e a sociedade em que vivemos, crê que “só se privilegia quem tem sucesso, quem ganha, quem aparece na televisão. Quem não aparece na televisão é como se não existisse. Quem aparentemente tem uma imagem que seja exemplar, que seja um vencedor, ou que seja bonito, ou que seja magro, ou que seja isto tudo. E nós perdemos muitas vezes a noção do que é verdadeiramente essencial na vida. Todas as pessoas têm um caminho próprio, todas as pessoas têm um caminho que pode ser exemplar, mesmo que morram aparentemente sozinhas ou sem deixar marca nenhuma”.

Fala deste “tempo da urgência das respostas, onde raramente se dá importância às perguntas, à dúvida” e onde “todos nós nos estamos a especializar em ser especialistas de tudo, e portanto não somos especialistas de coisa alguma. Isso é um sinal deste tempo, em que tudo é fast food”.

“Raramente conseguimos estar abertos a ler aquilo que nos incomoda, que nos faz questionar. Lemos sobretudo os livros que não nos incomodam, porque para chatice já nos basta a vida”, prosseguiu na sua reflexão, em voz alta, sob o olhar atento da plateia.

“Cada vez mais, no meio desta coisa toda, acreditamos numa ideia de felicidade (…) Nós não estamos aqui para ser felizes. Estamos aqui para tentar ser felizes, que é uma coisa completamente diferente. Mas este é um tempo que não privilegia só a tentativa, nós queremos é ser felizes. Como não é possível, estamos a formar muita gente que chega à maturidade e falhou. Mas tinha de falhar, porque não podia ser feliz. Estamos a criar condições para uma sociedade de frustrações que poderiam ser evitadas”, salientou.

Dando como exemplo o seu papel enquanto pai, diz que quer que os seus quatro filhos se desequilibrem e caiam, lembrando a altura em que se cruzou com a bailarina de renome internacional que lhe respondeu que “a dança é um desequilíbrio”, porque sem ele não se seguem os gestos e movimentos.

Jantar-debate em Mouriscas Foto: DR

“Como é que se pode desejar outra coisa a um filho? Como é que se pode desejar a um filho que não se desequilibre? Se não se desequilibrar, não pode atingir um dia aquilo que nós, por conveniência da linguagem, podemos dizer que é um ser humano que vale a pena. Um ser humano que vale a pena tem que se desequilibrar, cair e levantar-se”, ainda que os pais acompanhem o caminho dos filhos com “uma rede”, e ainda que eles próprios possam não se aperceber da sua existência, “mas ela está lá, mesmo que caiam”, explicou.

Foi este também um dos ensinamentos da avó Joaquina, de Mouriscas. E naquele instante veio-lhe à memória um dos episódios marcantes, quando o avô – “um homem absolutamente detestável”, natural do concelho de Sardoal – abandonou a avó e levou até a sua máquina de costura, instrumento de trabalho.

“Ficou com dois filhos pequenos, sem forma de sustento possível”, lembrou, frisando que a avó Joaquina figura na sua mente como sendo a “imagem da boa pessoa”, sendo que, para si, o “grande mistério” reside no lado do bem e não no mal.

No canto direito, à frente, Orlando Dias Agudo, octogenário mourisquense e figura do jornalismo português. Foto: DR

Na plateia estava o jornalista octogenário Orlando Dias Agudo, também mourisquense, um ícone da profissão que permaneceu na RTP até se reformar aos 65 anos, em 2001, mas que passou por diversas redações, provações e momentos da História como o 25 de Abril de 74, ao longo de 50 anos de carreira.

Osório disse ser “um grande privilégio” estar na sua presença, lembrando o “momento revolucionário”, quando nasceu a RTP2, e começaram a haver tardes inteiras de sábado e domingo com desporto.

“Eu passava os sábados e os domingos fechado no quarto da minha avó Joaquina a ver o Orlando Dias Agudo, na RTP”, disse, confessando ser “uma coisa do caraças”.

Nesta viagem que fez aos 50 anos, também em busca de parte da sua identidade, Osório foi guiado até à casa em ruínas onde viveu a sua avó Joaquina, e onde se crê que esta também terá nascido.

Recordou o facto de ter perdido os pais cedo demais, e revelou o seu entendimento de que todos temos “cemitérios privados” onde é natural que os pais morram antes dos filhos, e onde o contrário é inconcebível e contra-natura.

“Na idade certa precisamos que isso aconteça, porque é uma grande notícia. Vamos poder começar a crescer para dentro de nós. Uma pessoa só é verdadeiramente inteira quando vive à superfície para os outros, mas quando consegue escavar para dentro de si própria e consegue ter um cemitério privado com os seus mortos, que em alguns casos estão mais vivos do que quando estavam vivos”, defendeu.

Ciente de que a “dupla dimensão” da vida é que “nos preenche”, acredita que “não devemos diabolizar algumas coisas, que são negativas, temos que deixar as pessoas ir”.

“O que a minha avó Joaquina viveu, e as Mouriscas, em mim são uma entidade viva. São a minha avó que me chama Miguel, e que um dia eu vou certamente virar-me para trás, e reconhecê-las. Com algum medo de não lhes reconhecer a voz. Porque a primeira coisa que nós nos esquecemos é das vozes, mesmo das pessoas que amamos”, notou, indicando como a sua maior vontade, um dia, quando for chamado pela avó e pela mãe, acudir pelo nome de Miguel. Nessa altura estará de volta às raízes, às origens. Estará, também, de volta às Mouriscas.

A avó Joaquina com o primeiro filho de Luís Osório. Fotografia: Facebook de Luís Osório

[icon name=”arrow-right” prefix=”fas”] Luís Osório nunca teve medo de se expor e, de certa forma, é a forma como reflete publicamente sobre assuntos que raramente saem da esfera da intimidade que lhe valeram, desde sempre, uma grande legião de admiradores. Em 1998 entrevistou o pai, o mais antigo doente com SIDA, na RTP. Em 2018 escreveu uma longa carta à mãe, após a sua morte, no livro “Mãe, promete-me que me lês”. Mas antes, em 2013, escreveu a mais bela declaração de amor àquela que diz ter sido a mulher da sua vida: a sua avó Joaquina.

“A MULHER DA MINHA VIDA” 
*Texto originalmente publicado no jornal SOL, em 2013

“Soube da sua morte pelo telefone. Chorei como se as lágrimas pudessem durar para sempre; ao fim de um longo tempo julguei que elas nunca mais deixariam de me correr. Mas as lágrimas terminam como tudo o resto, como a vida dos que amamos e nos fizeram, para o bem e para o mal, ser estes. Que me fizeram ser este.

A avó Joaquina, mãe da minha mãe. Teria feito 100 anos no princípio desta semana. Teríamos celebrado com um bolo de chantilly e três velas se aquele telefonema não tivesse existido ou eu não o tivesse atendido – pergunto-me bastas vezes se fiz bem em fazê-lo, se porventura poderia ter evitado a sua morte se o preferisse ter ignorado, se não lhe tivesse dado importância. A partir daí mantive-o em silêncio. Na maior parte das vezes, quanto muito, vibra sem tocar.

Foi, num certo sentido, a mulher da minha vida.

Tinha a quarta classe mal tirada. Nascera nas Mouriscas, terra de Abrantes, e aprender a ler e contar era menos importante do que fazer-se à vida. Aprendeu a costurar numa máquina com um pedal, fazia soutiens que depois levava ao patrão. Recordo-me bem. Apanhávamos o 9 em Campo de Ourique, descíamos à Estrela, passávamos pelo Largo do Rato, descíamos ao Marquês de Pombal e atravessávamos a Avenida da Liberdade até alcançar os Restauradores. O patrão trabalhava aí, num prédio alto ao lado do Hotel Avenida, subíamos vários andares num elevador que imaginei num filme de Orson Welles. As meninas faziam-me uma festa enquanto o patrão recebia os soutiens e lhe dava notas em troca. A avó guardava-as no seu porta-moedas. Fazíamos o caminho de volta. Nunca mais haveria de ser tão feliz. Só que não o sabia.

O cheiro do pastelão de ovos ou do frango de fricassé. Tantas vezes ainda o sinto, como se ela tivesse regressado de uma longa viagem, estivesse na cozinha e me fosse outra vez chamar para vir para a mesa.

Chamava-me Miguel. Como toda a família que já existia antes de mim; assim me reconhecia. Após a sua partida, e da morte de minha mãe, passei a ser outro nome, o Miguel deixou de existir.

Levava-me um pão embrulhado num pano ao recreio da escola primária. E acordava-me nas manhãs com um pequeno-almoço que me pousava na cama. Aos fins-de-semana comprava-me o jornal desportivo e nunca se esquecia de me despertar com um beijinho. Quando comecei a sair era com o seu dinheiro – de três em três meses oferecia-me mil escudos que gastava religiosamente em livros e numas cervejas.

A primeira vez que me apaixonei foi ela quem me deu o dinheiro para o jantar. E no rescaldo da tragédia foi ela a tranquilizar-me. A menina achava-me graça mas não a suficiente. Convenceu-me então que os grandes amores ainda estavam para vir. Assim como os grandes projectos.

Morreu a 13 de Setembro de 2000. E o funeral celebrou-se no dia em que fiz 29 anos. Na semana anterior quis ver-me, tinha coisas para serem ditas, não desejava ir embora sem mas dizer. Ouvi-a. Informou-me que não ia durar muito, estava cansada e, mais do que nunca, a sua cabeça estava cheia de imagens de infância, como se sentisse que já não pertencia a este tempo, mas a outro que não entendia bem. Não mo disse nestas palavras, interpretei-as assim e quando as recordo é assim que as recordo.

Queria despedir-se. Dizer-me que guardara para mim o dinheiro que juntara na sua vida. Para mim, para a Zé e para o André que acabara de fazer dois anos. Deu-me o seu porta-moedas. Dentro dele estavam vinte contos: a maior fortuna que poderia ambicionar. Guardei-o como a mais preciosa das jóias. A única coisa que verdadeiramente me pertence, que sinto me pertence.

A avó faria 100 anos.

Não assistiu à morte dos seus dois filhos. Não viu nascer o irmão do André, o meu segundo a quem baptizámos de Miguel em homenagem ao amor incondicional que sentia por mim. Não me viu em divórcios, o que lhe teria sido pesado.

Uma mulher extraordinária. Que me ensinou o valor das coisas que não se têm de dizer. Que se sacrificou por mim como se a sua vida não fosse importante, só a minha. Por isso, cada coisa que faço, penso ou sinto é nela que esbarro – no que não comeu para que eu comesse, no que não viveu para que eu vivesse, no que não sentiu para que eu sentisse.

Um dia, num livro de pensamentos, escrevi: «Uma família empurrava um carro em plena avenida – já não lhes bastava a crise, as arrelias e o preço da gasolina, agora também o motor. Há alturas em que um pequeno problema, somado a um mundo de outras angústias, é capaz de desencadear uma tempestade perfeita. A imagem fez-me regressar a uma madrugada em que, numa esquina perigosa, empurrei um automóvel com a avó Joaquina lá dentro. É a ela que volto quando alguém empurra carros em pequenas ruas ou largas avenidas. Nunca perco a oportunidade de olhar lá para dentro – as pessoas não imaginam que procuro o sorriso de uma avó de quem tenho tantas saudades».

É isso, só isso. O resto é silêncio. Por vezes, ruidoso. Noutras, um mar calmo.”

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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