O “Efeito Borboleta” é gerado quando o bater das asas deste singelo animal provoca um furacão do outro lado do mundo. A borboleta que simboliza a Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF) esteve presente na Sociedade Artística Tramagalense este sábado, dia 25, nos galardões atribuídos a personalidades e entidades locais – e provou estar tão ativa e resiliente como era há 100 anos.
A Sociedade Artística Tramagalense engalanou-se para homenagear os “seus” no evento que a Junta de Freguesia de Tramagal organiza de quatro em quatro anos. Os elementos da comissão organizadora reuniram-se e decidiram quais as personalidades e entidades locais que merecem figurar na lista que tem aumentado nas últimas oito edições.
O candelabro branco e o móvel onde estavam os 10 galardões entregues ao longo da noite faziam lembrar a sala onde gostamos de receber familiares e amigos. Foi isso que aconteceu com a comunidade a comparecer em peso e a ocupar quase a totalidade dos 350 lugares da Sociedade Artística Tramagalense (SAT) para conhecer os premiados da gala, com simbolismo extra por integrar as comemorações do 30º aniversário da elevação do Tramagal a vila.

Entre os presentes estiveram representantes de entidades ligadas à freguesia com 262 anos, nomeadamente a Câmara Municipal de Abrantes, através da presidente Maria do Céu Albuquerque e dos vereadores Manuel Jorge Valamatos e Celeste Simão. O concelho vizinho de Constância também ocupou a primeira fila com a presença de António Pinheiro, presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada.
Da “casa” esteve Vítor Hugo Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, ao qual se juntaram outras individualidades da vila. Da plateia, todos assistiram à entrega dos galardões com o perfil do Comendador Eduardo Duarte Ferreira e o símbolo da Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), a borboleta, marca que este ano assinala o seu 100º aniversário.

No palco, a apresentação da gala foi entregue a Sónia Oliveira e Andreia Antunes, acompanhadas pela voz-off de Miguel Pequeno. Entre premiados e discursos, também por ali passaram apontamentos musicais pela orquestra estreante “Vento Lusitano”, que reúne elementos de diversas bandas da região, e o projeto “Viver a Música”, além do pianista Carlos Costa, um “filho da terra”.
O premiado na categoria da saúde foi o primeiro a ser revelado com o nome do antigo médico de família, Doutor Vítor Goucha Jorge. O estado debilitado do antigo médico levou o filho a discursar, salientando a discrição e a simplicidade que pautaram o pai ao longo da longa carreira profissional em que procurou sempre “ser bom e fazer bem”.
Seguiu-se a área social em que se destacou a vocação do pároco que chegou ao Tramagal poucos anos depois da elevação a vila. O padre Ilídio Mendonça revelou a surpresa de receber o prémio e caraterizou os seus anos de serviço religioso com “fiz o que fiz, sou o que sou”, demonstrando a contínua “disponibilidade de servir todas as pessoas, sejam elas quem forem”.
Ao nível da educação, a história contada por Miguel Pequeno teve início em 1979 com a cedência dos terrenos da família Duarte Ferreira para a construção da Escola Preparatória de Tramagal, inaugurada três anos depois. A atual Escola EB 2/3 Octávio Duarte Ferreira recebeu novos alunos e novas leis que ditaram mudanças, assim como prémio conquistado nesta gala que foi recebido pelo diretor e a sub-diretora do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Abrantes, Alcino Hermínio e Isabel Alves.
Depois do “estudo” chegou a animação com a música dos Toc&Foge a receber o quarto galardão nas mãos de atuais e antigos elementos da banda formada em 1985 com o nome SATband. A voz do grupo transmitiu a vontade de continuar a trilhar um caminho que já os levou a atravessar o território nacional, concluindo: “Estamos aqui há mais de 30 anos e queremos continuar.”
A indústria estava no quinto lugar da fila e o vencedor foi anunciado como “uma escola de saber e de experiência feito” que “usa o passado como inspiração para o futuro”. Miguel Pequeno revelava assim os primeiros dados da maior entidade empregadora na freguesia, a Mitsubishi Fuso Trucks Europe. A empresa esteve representada pelo seu CEO, Jorge Rosa, que assumiu a distinção recebida como “uma grande responsabilidade”.
A viragem para a segunda metade dos prémios da noite fez-se com o do apoio ao desenvolvimento local, atribuído à Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Ribatejo Norte e Tramagal. A instituição bancária presente na vila desde os finais da década de 80 agradeceu a homenagem através do presidente do Conselho de Administração, Arnaldo Santos, e da coordenadora da agência local, Maria Armandina Sousa. O primeiro não deixou de destacar que “o desafio é prosseguirmos os sonhos de quem criou esta caixa”.
O apoio ao desenvolvimento voltou a receber a gratidão da sociedade tramagalense, mas na área da juventude, levando ao palco Nuno Oliveira, chefe do Agrupamento 273 de Tramagal, para agradecer o reconhecimento. A um ano de comemorar meio século de vida, esta entidade conta com 50 elementos, maioritariamente jovens que, nas palavras do chefe, são a essência do escutismo e têm como missão “a construção de um mundo melhor”.
Mais recente e coincidente com as comemorações do 30º aniversário da vila é a Associação de Melhoramentos da Freguesia de Tramagal. O jovem Rui Pinheiro Ferreira foi receber o galardão na categoria de infraestruturas desportivas e sociais quatro meses depois de ser eleito presidente da direção e partilhou a distinção com “todas as direções anteriores, sobretudo a última”.
Os dois últimos prémios da noite destacaram a excelência e o ligado às coletividades saiu de cima do móvel para as mãos do presidente da SAT, na terceira vez em que foi ao palco. Nas duas ocasiões anteriores entregou galardões e à terceira “foi de vez” porque a associação cultural centenária apresentada como “catedral da cultura de Tramagal” recebeu a distinção pelas mãos de Maria do Céu Albuquerque. Um prémio que Mário Silva considerou “justo e merecido” pois reconhece “todos aqueles que passaram por esta coletividade e deram o melhor de si”.
O palco encheu-se de discursos e lembranças atribuídas a todos os que tornaram a gala possível, aos quais se juntou pouco depois Bruno Neto. Este foi premiado pela excelência no trabalho desenvolvido, nomeadamente com a fundação da associação CISTUS – Associação Juvenil de Apoio ao Desenvolvimento Local de Tramagal. Este coordenador de programas comunitários viveu em quatro continentes, mas ao receber o galardão revelou que a sua vila “é, e sempre será, o centro do mundo”.

O jovem tramagalense juntou a distinção local às recebidas pelo Presidente da República em 2015 e a Câmara Municipal de Abrantes em 2016. Em declarações ao mediotejo.net, com o galardão na mão, assumiu o lado emotivo associado ao reconhecimento e destacou que não é preciso ir ao fim do mundo para se tentar mudá-lo. O lado lutador, não foi associado diretamente a si, mas à sua terra natal, onde existem 21 associações.
Uma resiliência referida em diversos momentos da noite que Vítor Hugo Cardoso, caraterizou como “uma maneira de agradecer aqueles que ao longo dos últimos 30 anos fizeram alguma coisa em prol desta freguesia” e “para demonstrar que o Tramagal também é capaz de realizar coisas boas”. Questionado se a “garra” é um dos traços que define os habitantes da freguesia que preside, este respondeu: “É ela que nos move para demonstramos em todo o país o que é o Tramagal.”
No país e fora dele, como demonstrou a Gala 30 Anos Tramagal durante a qual a borboleta voltou a bater as asas na “vila convívio”, que se foi renovando a partir de um passado marcado por apogeus e declínios. O inseto que simboliza a transformação regressa em traje de gala daqui a quatro anos, provavelmente depois de termos notícias de alguns furacões, do outro lado do mundo.
