“O que aprovámos foi as alterações para adaptar os estatutos conforme as unidades de participação de cada um dos municípios, até para nós podermos avançar em busca de financiamento para novos investimentos” disse o atual presidente da direção da A.Logos, João Gomes, vice-presidente da Câmara de Abrantes, município que detém 98% de uma associação composta ainda pelos municípios de Constância, Mação, Tomar, e Ferreira do Zêzere.
A atividade principal da A.Logos centra-se no apoio a autarquias, empresas, organismos do Estado e público em geral, desenvolvendo trabalhos no âmbito do controle de qualidade de águas de abastecimento, efluentes, piscinas, géneros alimentícios e alimentos para animais.

João Gomes, deu conta que “o voto era equitativo, cada município tinha um voto e valia exatamente o mesmo”, mas que tal nunca foi impeditivo ou fator de constrangimento para a tomada de qualquer decisão, sendo as mesmas tomadas por unanimidade e de forma pacífica”.
No entanto, notou o responsável, “era chegada a hora de adaptar os estatutos às novas necessidades, à atualidade e ao tipo de associação que somos, já que a forma como foram redigidos os anteriores estatutos, limitavam os nossos propósitos de investimento”.

ÁUDIO | JOÃO CASEIRO GOMES, PRESIDENTE DIREÇÃO A.LOGOS:
“Nós tínhamos essa necessidade de a representatividade do voto ser conforme as unidades de participação de cada um, e toda a gente reconheceu que faz todo o sentido. Tivemos de os atualizar só para essa finalidade”, disse João Gomes, tendo acrescentado que na assembleia geral foi decidido, também por unanimidade, que “a entrada de novos associados passa a poder ser aprovada por uma maioria de dois terços, assim como a exclusão de associados”.
A união e o foco nos objetivos originais da entidade mantêm-se
João Gomes, considerou ainda como fundamental a união e o foco nos objetivos originais da entidade, que disse manter a sua pertinência em resposta às necessidades de empresas, municípios, entidades públicas, privadas e a particulares.
“Ao longo destes nove anos em que fui nomeado pela Câmara para ser o presidente da direção, tive o gosto de trabalhar com todas as forças políticas e com todos os municípios e sempre houve um entendimento por unanimidade”, frisou, tendo lembrado que Abrantes é o município com a representatividade mais expressiva.
“O município de Abrantes é o município que tem a representatividade mais expressiva, temos à volta de 98% do capital, mas como eu digo, e isso acho que é o ponto que nós temos de salientar, é que os outros municípios, independentemente da participação ser menor ou maior, sempre tivemos o mesmo rumo, as mesmas ideias e um trabalho sempre de equipa entre todos e é isso que pretendemos manter e desenvolver no futuro”, assegurou.
Trajetória de consolidação para continuar a prestar serviços de qualidade
Criado em 1997 em Abrantes, tendo vários municípios como associados, então com o nome de CEGAT, adotando em 2004 a atual designação, a A.Logos, teve em 2020 pela primeira vez um resultado positivo, na ordem dos 25 mil euros (24.315,48 euros), tendo atingido desde aí o seu equilíbrio financeiro. Agora, e apesar da associação não ter o lucro na sua linha de ação, o objetivo é consolidar a trajetória e poder avançar para novas candidaturas de investimento e continuar a prestar serviços de qualidade.

“Como é conhecido, é uma associação sem fins lucrativos, não é para dar lucro, mas também não é para dar prejuízo. Como foi de conhecimento público, em 2020, nós pela primeira vez conseguimos ter resultados positivos e tivemos à volta de 20 e poucos mil euros de resultados positivos, o que foi um marco histórico para nós e também um sinal de recuperação da A.Logos e da vitalidade e da necessidade de ela existir. Depois, no ano passado fechámos com resultados ligeiramente negativos, à volta dos 7 mil euros, mas também foi os efeitos da pandemia, subida dos combustíveis e essas questões todas, mas hoje, a novidade que nós temos, e com o trabalho que temos feito, é que novamente este ano contamos no final apresentar um resultado positivo”, avançou João Gomes.
A direção é composta hoje pelo município de Abrantes, que preside à A.Logos, e pelos municípios de Constância e de Mação. A assembleia geral é presidida pelo município de Tomar, contando ainda este órgão com a participação da Câmara de Ferreira do Zêzere e os Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA).
“Estamos a fazer tudo o que é necessário para estabilizar este laboratório”
Com laboratório de análises especializado e instalado em Abrantes, no Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, João Gomes, considera que o “laboratório teve que fazer o seu caminho, atravessou um período muito difícil até pela rentabilidade que o próprio laboratório apresentava. Como era do conhecimento público e foi falado ao longo dos anos, até às vezes pela oposição, os resultados apresentados eram negativos. A A.Logos fez o seu caminho, fez uma reestruturação a nível financeiro, ao nível dos recursos humanos, a nível do equipamento, e mudou também muito o paradigma de propostas”, notou o responsável.

“Acho que o dado mais relevante no meio de tudo é, para já, a fundamentação e o porquê da criação de um laboratório de análises clínicas, sobretudo a nível do alimentar, das águas de consumo e das residuais, e isso é muito importante em relação à finalidade na altura para dar uma resposta a uma região, que foi para isso que foi criado na altura o CEGAT (em 1997), mais tarde (em 2004) alterada a designação para A.Logos, bem como, a fixação depois no Tecnopolo (atual Tagusvalley).
“Nós não vamos concorrer para perder dinheiro, temos uma empresa que tem que fazer o seu caminho e que está no mercado como qualquer outra, sendo composta só por municípios, mas é uma empresa de mercado que concorre não só para a nossa região, uma vez que hoje vamos muito mais longe do que a própria região do Médio Tejo. Neste momento temos uma variedade muito grande de clientes, numa área que vai desde Coimbra a Vila Franca de Xira até ao Alto Alentejo. Tivemos que fazer esse caminho, sobretudo na recuperação financeira da entidade e nos resultados finais da mesma, também fruto do trabalho e da dedicação dos seus trabalhadores, a quem muito agradecemos”, afirmou, dando conta que a empresa equilibrou as contas em 2020.
A aposta na modernização e investimento
Depois de atingir uma certa estabilidade financeira, espera-se que o ajuste estatutário permita relançar a empresa intermunicipal em termos de modernização e investimento.
“Sim, porque nós sabemos que estas entidades também têm de renovar equipamentos. Estamos a falar de equipamentos caríssimos e por isso temos que nos preparar para concorrer a fundos comunitários, para podermos dar outra resposta, que não nos era permitida, como disse, e conseguirmos um equilíbrio financeiro. Volto a dizer que a finalidade não é ganhar dinheiro, mas também não é o prejuízo, por isso queremos continuar a trabalhar porque acreditamos, e reconhecemos, a importância da continuidade do laboratório.”, concluiu o presidente a direção, num mandato que exerce até 2025.

A atividade principal da A.Logos centra-se no apoio a autarquias, empresas, organismos do Estado e público em geral, desenvolvendo trabalhos no âmbito do controle de qualidade de águas de abastecimento, efluentes, piscinas, géneros alimentícios e alimentos para animais.
Com 10 funcionários, a A.LOGOS é uma organização especializada no fornecimento global de serviços analíticos para a indústria agrícola e alimentar, assim como, implementação de programas de gestão de qualidade e segurança, assegurando serviços ao nível de análises alimentares, microbiologia de alimentos e água e análise nutricional, com clientes de vários municípios do Médio Tejo e de vários pontos do país.

