O "homem mais forte do mundo" e um corajoso voluntário equilibram uma bola de mais de 50Kg Foto: Câmara Municipal de Abrantes

A companhia “Trupilariante de Arte e Circo”, com um espetáculo que conta com dois artistas apenas mas que se transformam em seis personagens distintos, apresentaram o “Circo Malaquias” que é denominado o menor circo do mundo, no Teatro São Pedro em Abrantes. O melhor da festa circense numa homenagem ao Circo Tradicional Português.

À porta do Teatro, a alguns minutos de começar a apresentação, os dois artistas propuseram-se a contar ao mediotejo.net uma parte da trajetória pessoal e da história desde a criação da “Companhia Trupilariante”. Em pouco menos de 10 minutos foi possível conhecer os bastidores e a visão dos artistas e da própria companhia circense. O apelo deles para todos os cidadãos portugueses: “vão ver espetáculos, não só o nosso, mas tudo que consigam ver, porque a arte é uma mais valia na nossa sociedade e, cada vez, está mais posta de lado”.

O espetáculo tem como referência o “saltimbanco, onde ia o pai, a mãe e os dois filhos, no máximo, e eram os mesmos artistas a fazerem o espetáculo, mudavam sempre o nome dos países de onde vinham, mudavam a roupa e mudavam o número, aqui fazemos homenagem ao circo onde só temos um artista e um apresentador” explica Nuno Galamba que, no espetáculo, é “o apresentador, o dono do circo, o mágico, quem faz a limpeza e o faz tudo”, como ele mesmo se apresentou.

A companhia foi criada em 1997 por Nuno Galamba e outros artistas que começaram a “fazer espetáculos para crianças e para o público em geral”, pois “as crianças não vão sozinhas”, explicou o artista. Ele andou a estudar e fazer “circo” na escola do Chapitô.

“Todas as personagens são cómicas e não há nenhuma personagem séria durante os espetáculos. Desmascaramos truques e, sobretudo, o que estamos a tentar fazer é homenagear o circo tradicional português de uma forma mais contemporânea e tentar, a partir daí, criar um imaginário na cabeça das pessoas que seja diferente de tudo que elas tenham visto”, declarou Nuno Galamba.

No início do espetáculo o apresentador explicou toda a dinâmica que ocorrerá após a abertura das cortinas, fez menção aos animais do circo para induzir a plateia a acreditar que estão por perto e que a qualquer instante entrarão em cena. “O público está na sala, os artistas estão preparados, maestro, música!” assim deu início à abertura da grande cortina da sala de teatro de Abrantes, seguido de muitos aplausos.

O apresentador chama o “homem mais forte do mundo”, que parece estar atrasado. Mal disposto, chama-o novamente e com voz de desânimo, mais uma vez, até que, por uma saída lateral, o personagem resolve aparecer devagar e sem ser percebido e a plateia começa com as primeiras risadas. De roupa amarela e com o físico à mostra, é verdade que ele não tinha aparência de ser realmente forte, mas foi o suficiente para levar o público a entrar em cena. O homem, que vem dos “Estados Unidos”, abaixa-se e segura bem firme numa “barra de puro ferro com vários quilos” e com força tenta retirá-la do chão, mas por causa do peso não segura os gases ou, pelo menos, os sons parecidos emitidos pelas caixas de som. As crianças e os adultos soltam às gargalhadas.

O “Homem mais forte do mundo” e o apresentador Foto: mediotejo.net

De uma maneira contemporânea, a dupla apresentou as artes de circo num palco teatral para as pessoas desfrutarem do circo de maneira mais moderna e “não só levá-las ao circo tradicional, mas tirá-las do circo tradicional”, disseram.

Ao ver o espetáculo deparamo-nos com MooossAlsa, o misterioso faquir dos confins da India que engole uma espada, só que não, e também adestra uma feroz serpente. Ao engolir a espada logo desvenda o mistério demonstrando que a mesma possui uma lamina retráctil e também a cobra adestrada é a própria mão do personagem. Ao serem questionados se ainda utilizavam a tenda de circo, logo com bom ânimo disseram:  “só não temos a tenda porque ela é “tão grande, tão grande que não cabia aqui e só pudemos trazer a porta e é como os animais. Nós somos uma companhia de teatro e não uma família de circo e não temos camiões, transportes e aquelas coisas todas”

MooossAlsa o misterioso faquir dos confins da Índia Foto: mediotejo.net

Pegamos nos “clichés e trazemos para aqui, mas de uma forma contemporânea”, afirmaram. Essa é a semelhança entre cada personagem, performances utilizadas em apresentações tradicionais adaptadas para os dias de hoje e para o ambiente do teatro. O mágico, com a cartola e o carrinho cheio de truques com a ajuda de uma voluntária pequenina da plateia. O malabarista com os pinos e argolas, equilibrando com o queixo uma vassoura com o guarda-chuvas e argolas e a fazer malabarismos. Os animais a serem apresentados, mas por não passarem pela porta não conseguem chegar até o palco. Cada número é exposto com a intenção de fazer a plateia rir assemelhando-se ao trabalho do palhaço em cena, entre quedas e trapalhadas.

Nuno Galamba confessa que “em anos anteriores havia mais públicos, depois deixou de haver e agora está a voltar” e trabalhamos muito para escolas, vamos à escola. Quando é escola está sempre cheio”, frisou.

Interprete de cinco dos personagens apresentados, Nuno Figueiredo, mais conhecido por Figam diz: “sou artista de circo desde os 18 anos e tenho agora 36 anos, há 18 anos que sou artista de circo”. As suas especialidades são malabares e equilíbrios e atualmente dá aulas de circo no Chapitô e compõe a equipa dos trupilariantes desde 2005. “Estamos a espalhar a magia por Portugal”, revela.

Os personagens saem de vários países, “vem dos Estados Unidos da América, ele vem do Casaquistão, vem da Russia, o Homem Bala vem aqui de Abrantes. As criações dos Trupis são todos feitos em geral pela companhia. A criação é coletiva”. O Homem mais forte do mundo, Mussalsa, é o domador de cobras e engolidor de espadas, e ao mesmo tempo o homem bala e yuri, o melhor malabarista do mundo.

“Muito engraçado” disse uma mãe ao fim do espetáculo. É circo ou teatro? No “Circo Tradicional português” era comum se ver espectáculos com animais em tendas e com picadeiro. As artes circenses são isto e muito mais e todas elas fazem parte da história do fazer rir à portuguesa.

Vinicius Alevato, 30 anos, estudante de comunicação, está a aprender a
observar uma região com o olhar atento aos factos. Acredita no
jornalismo de proximidade e na importância de servir as pessoas através
da boa informação.

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