Alexandra Simão, 26 anos, estreou-se na "casa da democracia" de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Alexandra Simão tem 26 anos e estreou-se na sexta-feira na Assembleia Municipal de Abrantes (AMA) como deputada eleita nas listas do PS. A oportunidade do ‘batismo’ político surgiu quando foi chamada a substituir um eleito em falta e as primeiras impressões não podiam ser melhores, referindo o “orgulho” em ter integrado a que denomina de “casa da democracia”, um espaço que bem conhece, por afinidades familiares. Afirma acreditar nos jovens e no futuro por eles a desempenhar e, dos pontos em discussão, Alexandra Simão destacou duas moções: uma sobre o aeroporto em Tancos, outra sobre o IC9 e a nova ponte em Abrantes.

Alexandra Maria Riachos Simão, 26 anos, é solteira e Mestre em Psicologia Clínica, tendo uma ativa participação na comunidade abrantina, ao nível social, politico e desportivo, entre outros. O dia de sexta-feira foi especial por se ter sentado pela primeira vez ao lado dos experientes eleitos, mas também por partilhar responsabilidade politica na mesma sala que a sua mãe, Celeste Simão, 56 anos de idade e 10 enquanto vereadora na Câmara de Abrantes. Celeste Simão teve a sua primeira experiência política aos 23 anos, fazendo parte da Assembleia de Freguesia da Golegã, eleita como Independente, e iniciou a vida política nas Eleições Autárquicas em 2005, fazendo parte das listas à Assembleia Municipal em Abrantes, pelo Partido Socialista, integrando a mesma em 2007 na sequência de um pedido de renúncia de um dos seus membros, cargo esse que ocupou até 2009, tinha então 44 anos.

Alexandra Simão e Celeste Simão, mãe e filha, na Assembleia Municipal de Abrantes (AMA). Foto: mediotejo.net

Alexandra Simão também começou cedo, aos 17 anos, mas logo pelo PS, em Abrantes, tendo nos seus a principal fonte de inspiração, quer política, quer de vida. A jovem deputada municipal conta a sua experiência deste dia e relata-nos a sua visão da política.

mediotejo.net – Conta-nos como e onde começou a tua atividade política

Alexandra Simão – Desde cedo que a política ocupou um lugar importante na minha vida. Não só pelo facto de ter, na família, pessoas ligadas à mesma, mas porque sempre foi uma área pela qual despertei interesse. Quando surgiu a oportunidade, integrei a Juventude Socialista em Abrantes, em 2011 integrando, nessa altura, a lista que se candidataria à Concelhia de Abrantes. Fui eleita Presidente da Mesa da Assembleia, cargo esse que desempenhei durante todo o mandato.  Por considerar que seria a altura certa e que, naturalmente, estaria preparada para tal, candidatei-me, o ano passado (em 2019) a Presidente da Juventude Socialista de Abrantes, cargo esse que ocupo actualmente.

Como começou a dar os primeiros passos na política, quem a incentivou, e o que a move?

Os primeiros passos na política foram dados, naturalmente, em Abrantes. Tinha 17 anos quando dei, de facto, o primeiro passo.  Fui incentivada por muitos quantos estavam perto de mim nessa altura e que, muitos deles, continuam a estar actualmente. Os meus pais. Quando decidi, a determinada altura, filiar-me na Juventude Socialista tive a certeza de que seria uma das decisões mais importantes da minha vida. Fi-lo consciente de que essa decisão acarretava uma grande e verdadeira responsabilidade. Move-me o facto de ter um enorme poder de responsabilidade para com as pessoas e, naturalmente, para com os jovens. Isso sim, é a minha maior motivação.

Como comenta o tão falado “alheamento” e “desinteresse” dos jovens pela política?

Será que eles estão, de facto, “alheados”? Ou será que nós é que ainda não conseguimos chegar até eles? Parece-me que o caminho passa, sobretudo, por aí. Se não se relacionam com a política é porque, de facto a política ainda tem um longo caminho a percorrer. Felizmente conheço jovens a quem a política lhes é uma área querida. E é através desses, a quem a política faz sentido, que eu acredito que conseguimos chegar “aos outros”.

Como surgiu esta oportunidade de se estrear como deputada na Assembleia Municipal?

Devo dizer-lhe que foi “a oportunidade”. Nas últimas Eleições Legislativas fui convidada, pelo Partido Socialista, para poder integrar a lista de suplentes à Assembleia Municipal de Abrantes. Em momento nenhum hesitei em aceitar. Considerava que, pertencer à lista de suplentes à AMA, poderia dar-me, um dia, a possibilidade/oportunidade de me sentar naquele lugar. E assim foi, no passado dia 28 de Fevereiro.  Uma vez que me apresentava como suplente, e havendo faltas à lista efectiva de deputados na Sessão Ordinária de 28 de Fevereiro, fui contactada para poder estrear-me como Deputada Municipal naquela mesma sessão.

Que sentimento pode ilustrar esta sua estreia na AMA?

É um sentimento de grande responsabilidade! É mais do que ouvir. É poder votar e com isso orientar os caminhos do Município de Abrantes. Costumo também denominar a AMA como a nossa “casa da democracia”. É naquele espaço que se discute o rumo e os caminhos a dar aos cidadãos abrantinos.

Alexandra Simão estreou-se aos 26 anos na Assembleia Municipal, lado a lado com os experientes políticos e autarcas abrantinos. Foto: mediotejo.net

Teve alguma preparação para os temas em análise e votação? Como foi recebida pelos seus camaradas de bancada?

Tive conhecimento da Ordem de Trabalhos atempadamente e sabia quais os temas que estariam para análise. Preparamo-nos para eles quando, no dia-a-dia, estamos atentos/as à actualidade. Às decisões que se vão tomando, às posições que se vão desenhando e, por isso, estava preparada.  Fui muito bem recebida pelos meus camaradas de bancada! São pessoas que conheço há já alguns anos. Ficaram tão felizes quanto eu de poder estar ali, ao lado deles.

Algum dos pontos na Ordem de Trabalhos lhe mereceu particular atenção?

Existiram dois temas em análise na Ordem de Trabalhos que me mereceram especial atenção, nomeadamente uma moção, apresentada pela bancada do PS, sobre a valorização do Aeródromo de Tancos, enquanto aeroporto regional civil-militar, como também uma moção apresentada pela construção do IC9 – Troço Abrantes Ponte de Sôr e da nova ponte.  Sabemos que são dois pontos necessários à discussão e, por isso, relevantes o suficiente para merecerem a nossa maior atenção. Pelo impacto e importância que tem na vida dos cidadãos, estes foram e são dois pontos que merecerão a minha atenção até que existam posições e decisões finais.

Gostava de repetir a experiência? Via com bons olhos um percurso na carreira política?

Repetirei a experiência sempre que me for possível e solicitado e é claro que gostaria que pudesse voltar a acontecer.  Sou da opinião que não precisamos de ocupar cargos para exercer política. Política devemos fazê-lo todos os dias, sem que isso nos seja exigido. É óbvio que o facto de termos poder de decisão e, naturalmente, responsabilidade nos dá a possibilidade de levar os nossos ideais mais longe… E sim, se o meu percurso se decidir desenhar dessa forma, tudo farei para que o percorra com a responsabilidade, sensatez e inteligência necessária.

Como foi partilhar a mesma condição de eleita e representar os cidadãos de Abrantes lado a lado com a sua mãe, vereadora na autarquia? O trabalho desenvolvido por Celeste Simão é uma fonte de inspiração para a Alexandra Simão?

Devo dizer-lhe que a situação só foi nova pelo facto de, naquele dia, ter ocupado o lugar de Deputada Municipal. Desde muito cedo que acompanho as sessões da AMA, no público. Recordo os tempos em que a minha mãe era Deputada Municipal e sabia o quanto ela gostava! Parece que, naquele dia, foi ocupar um lugar que já tinha sido da mãe. Posso dizer-lhe até que foi emocionante!  Sem dúvida alguma que a actividade e o trabalho desenvolvido pela minha mãe é uma verdadeira fonte de inspiração! Sempre o foi. E também por isso é que a política passou a ocupar um lugar importante na minha vida! Não me recordo sequer de existir algum momento em que a política não fizesse parte. Arrisco-me a dizer que cresci a viver, lado a lado, com a política e penso ser, também por esse motivo, que a área não me é estranha, entranhou-se desde cedo.  E mais do que o trabalho que a minha mãe desenvolve, é o gosto e a paixão com que o faz! Costumo dizer que “fossem todos os políticos como ela”.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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