100 dias de ALTERNATIVAcom com o convidado Paulo de Morais a defender a libertação do poder local do domínio partidário. Foto: mediotejo.net

O movimento ALTERNATIVAcom completou 100 dias reforçando a sua posição como uma alternativa política em relação às forças partidárias, se quisermos, ao sistema. Tem como principal bandeira o concelho de Abrantes manifestando duas preocupações: a falta de uma identidade a Abrantes e a fixação de jovens, propondo “estancar” a sua saída para outras zonas do País ou para o estrangeiro. Paulo de Morais foi o convidado de um jantar que reuniu apoiantes do movimento independente, e que decorreu na sexta-feira, num restaurante da cidade. Com uma imagem ligada à luta contra a corrupção, Paulo Morais falou na importância do debate na sociedade portuguesa, referiu os “apaniguados do partido”, defendeu a necessidade do poder local se libertar do domínio partidário e criticou uma “futebolização total da política: quem não é por mim, é contra mim”.

Grande parte da mensagem difundida pelo movimento independente à Câmara Municipal de Abrantes, o ALTERNATIVAcom, durante os últimos 100 dias, pode ser resumida num objetivo: “estratégia que se preocupe em preparar o futuro da próxima geração” no concelho, explicou o líder, Vasco Damas, num jantar para assinalar os 100 dias do movimento independente, apartidário, que juntou cerca de 90 pessoas, em Abrantes.

Manifestando duas preocupações: “a falta de uma identidade a Abrantes e a necessidade de fixação de jovens, estancando a sua saída para outras zonas do País ou para o estrangeiro”, cem dias depois do início de “uma aventura política” o balanço foi considerado “positivo”.

Vasco Damas afirmou que o ALTERNATIVAcom fez “em 100 dias aquilo que muitos com maiores responsabilidade não conseguiram fazer. Tendo em conta que somos amadores e estamos a construir uma máquina que outros já têm, o balanço é claramente positivo, pela experiência, por aquilo que conseguimos, pela nossa intervenção de forma sempre positiva”.

O cabeça de lista pelo ALTERNATIVAcom às autárquicas de 2021 considera que o nascimento do movimento independente “acabou por contagiar as outras forças políticas” no sentido de “serem melhores e, no fundo, era isso que também queríamos. No dia 11 de novembro [de 2019] dissemos que estávamos a dar a primeira vitória à cidade e ao concelho de Abrantes”.

Estes primeiros 100 dias de vida do ALTERNATIVAcom mostrou que “estávamos certos porque muita coisa já aconteceu em pouco tempo, muitas delas não feitas por nós mas certamente contagiadas pelo nosso aparecimento” notou.

Jantar comemorativo dos 100 dias de ALTERNATIVAcom. Créditos: mediotejo.net

Para o líder, o movimento independente “despertou consciências. Quando se está em situações de poder, há demasiado tempo sozinhos, entramos na nossa zona de conforto e acabamos por não ter necessidade de nos reinventarmos nem de criar desafios. Entra-se numa rotina e que não é boa para o concelho”.

Por seu lado, Paulo de Morais, convidado do movimento, centrou a sua mensagem numa ideia: “Os apaniguados do partido têm destruído o poder local e a própria democracia”. Defende por isso a importância de um poder local fora do domínio partidário criticando a “lógica mafiosa de gestão de Portugal”. Fala numa “rede clientelar cujo cacique máximo é o presidente da Câmara” existente em todo o País mas acentuada nos territórios despovoados, onde por regra a Câmara Municipal é o maior empregador do concelho, deixando de fora, “sem emprego, nem possibilidade de progressão de carreira” aqueles que não militam no partido do poder.

Nascido em Viana do Castelo, licenciado em Matemática, professor universitário, ex-vice presidente da Câmara Municipal do Porto e ex-candidato à presidência da República, apresenta-se como um crítico do atual estado da política nacional e local. Paulo de Morais, fundador da associação cívica ‘Transparência e Integridade’ é também o presidente da associação Frente Cívica.

O convite do ALTERNATIVAcom deveu-se ao “melhor exemplo daquilo que queremos ilustrar relativamente aos exercícios de cidadania e à importância dos movimentos independentes nos equilíbrios democráticos. Não podíamos ter escolhido melhor convidado, tendo em conta a sua projeção nacional, para mostrar a validade e legitimidade da nossa candidatura e do nosso movimento”, explicou Vasco Damas.

Jantar comemorativo dos 100 dias de ALTERNATIVAcom. Créditos: mediotejo.net

Na iniciativa, Paulo de Morais levou os apoiantes do movimento a refletirem sobre a realidade do poder local, ou seja, “quais foram os princípios que fizeram com que o poder local democrático tenha vindo a nascer logo a seguir à Revolução de Abril e qual é a situação que hoje encontramos?”, questionou.

Do seu ponto de vista, “a Câmara Municipal tem duas funções fundamentais: organizar e gerir o território em função do interesse coletivo, e prestar um conjunto de serviços aos cidadãos”.

Paulo de Morais lembrou que o Orçamento Municipal deve corresponder “realmente às necessidades dos cidadãos”. Ora, esse valor, no caso de Abrantes, cerca de 36 milhões de euros, “em média corresponde a mil euros por munícipe” valor que, em sua opinião, “têm de ser utilizado no interesse comum” sem incluir  “tratamento de resíduos, água, etc porque pagamos esses serviços, com taxas”, vinca.

Paulo de Morais lembrou que o presidente de Câmara “é mandatário do poder popular, porque o poder popular reside no povo, mas comportam-se como mandantes”, criticou, opinando que o poder local “precisa de refrescamento e os movimentos independentes podem mudar a situação”.

O convidado considera que “o grande problema” em Portugal passa pelo facto de “os autarcas que deviam tratar em primeira instância do espaço coletivo e dos serviços aos cidadãos preocupam-se com dois tipos de atividades completamente diferentes: empregos aos amigos e negócios a outros amigos”.

Destaca estas atividades como “as principais” do poder local em Portugal, que, segundo diz, “têm destruído não só o poder local como a própria democracia […] dão emprego a filhos, afilhados, sobrinhos, compadres mas muito mais grave aos apaniguados do partido que garantem a eternização deste tipo de situação através da lógica partidária”, criticou, dando conta de “tráfico de interesses”.

A noite não contou com “grandes novidades” nem a apresentação de novas caras no movimento, apenas agradecimentos a “pessoas que fazem parte do projeto e que já estão a trabalhar connosco”, notou Vasco Damas.

“Não as apresentamos formalmente porque queremos fazer essa apresentação numa outra iniciativa”. Nesta sexta-feira deram conta do trabalho realizado pelo ALTERNATIVAcom nos últimos 100 dias , “até porque somos acusados de não termos ideias, de não apresentarmos programa e fica claro que apesar de termos feito pouco fizemos mais do que parece que fizemos e queremos dar voz aos cidadãos”, afirmou Vasco Damas.

Nesse âmbito da colaboração ativa, durante o jantar o movimento distribuiu folhas em branco pelos presentes no sentido de partilharem com o ALTERNATIVAcom “as suas opiniões relativamente às insuficiências da cidade e do concelho”.

“Para que comecemos então a construir o programa com base não apenas nas nossas ideias mas nas ideias que as pessoas também têm para que exista coerência com a realidade em relação aquilo que falta no território”, referiu.

Jantar comemorativo dos 100 dias de ALTERNATIVAcom. Créditos: mediotejo.net

Vasco Damas confessa que “esperava maior número de pessoas” no encontro, mas observou que este avanço do movimento independente faz-se “num concelho ideologicamente inclinado há mais de quatro décadas, onde há muita gente que ainda não sabe o que valemos, e vai ficar fora a olhar para dentro, para avaliar. Certamente numa próxima iniciativa vão-se associar porque percebem que temos a nossa força e viemos para ajudar a construir”.

Outras variáveis como “o dia, sexta-feira de Carnaval” também contaram, segundo Vasco Damas, para a contabilidade, mas “100 dias são 100 dias e não fazia sentido comemorar daqui a duas ou três semanas. Hoje foi o relançamento da nossa candidatura”, frisou.

Antes do final do jantar comemorativo decorreu ainda um período de debate onde os presentes colocaram algumas questões que passaram por diversos temas desde a campanha, ao financiamento e a abstenção popular.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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