Tramagal assinala 30 anos de elevação à condição de vila e outros tantos com a designação de Vila Convívio, por força da animação e encontros de sociabilização dos mais diversos grupos onomásticos, dos Josés aos Antónios, dos Joões às Marias, dos Joaquins aos Josés, dos Ruis aos Manuéis, entre tantos outros.

Este ano, cerca de 40 Marias de Tramagal assinalaram no dia 1 de maio, dia da Mãe e das Marias, o seu 28º almoço convívio.

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Equipa organizadora do almoço convívio das ‘Marias’ 2016, grupo onomástico que convive há 28 anos consecutivos. Foto: mediotejo.net

Os Joões, (este ano pouco mais de duas dezenas marcaram presença), assinalaram o seu 46º convívio consecutivo, sendo o mais antigo grupo onomástico de Tramagal a iniciar este tipo de encontros que chegou a reunir mais de 200 Joões, “noutros tempos”, relataram ao mediotejo.net dois dos organizadores, João Brunheta e João Caroço.

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O grupo onomástico ‘Os Joões’ reúne há 46 anos consecutivos e chegou a juntar mais de 200 Joões em convívio no Tramagal. Foto: DR

A dinâmica não é a mesma de outrora e a idade dos participantes é mais avançada, como confirmaram ao mediotejo empresários da restauração de Tramagal, e os próprios organizadores e tramagalenses que participam nos convívios. Fomos conhecer por dentro como se vive atualmente o espírito da Vila Convívio, onde, apesar de se viver uma época de menor fulgor, continuam-se a encontrar motivos para se conviver e socializar.

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O grupo onomástico ‘Os Joões’ reúne há 46 anos consecutivos sendo um dos pioneiros destes encontros na Vila Convívio. Foto: mediotejo.net

O relato é feito pelos empresários José Rosa Granja e Jorge Rei, que há quase 4 décadas servem os grupos onomásticos e trabalham no setor da restauração em Tramagal, por Manuel Tomás, o ‘pai’ da designação de Tramagal – Vila Convívio, e por alguns dos mais idosos e fervorosos adeptos desta característica tramagalense, como Maria Oliveira, de 92 anos, ou João Dias Amaro, com 94 anos.

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Maria Oliveira tem 92 anos e não falta a um almoço convívio das ‘Marias’. “É pena que a malta nova não ponha os olhos em nós e participe mais nestas coisas”. Foto: mediotejo.net

Foi Manuel Tomás, hoje com 82 anos, quem batizou Tramagal como a “Vila Convívio” do Ribatejo, já lá vão 30 anos, e na sequência dos inúmeros almoços convívio organizados pelos mais diversos grupos onomásticos.

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A boa disposição é uma constante nos almoços convívio em Tramagal, reunindo diversas gerações nos encontros promovidos pelos diversos grupos onomásticos. Foto: mediotejo.net

E até quem tinha um nome menos vulgar não tinha motivo para ficar de fora porque depressa se encontrou uma solução para as Carlotas e Perpétuas, e para os Aurélios e afins: juntaram-se nos almoços convívios dos nomes ‘Diversos” e “Diversas”, isto sem contar com os almoços convívio das inspeções militares ou das amizades forjadas pelos membros das equipas que representaram o Tramagal Sport União (TSU).

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João Dias Amaro tem 94 anos e, apesar da sua idade, não falta a um almoço convívio dos ‘Joões’. “Já fomos mais de duzentos, hoje somos pouco mais de meia dúzia. É uma pena não participarem mais nestas coisas”, lamenta. Foto: mediotejo.net

Manuel Tomás, jornalista à época, colaborava com o jornal Abarca e com as rádios Tágide e Ral, e deu-se conta das inúmeras notícias que elaborava sobre os convívios que se realizavam em Tramagal. “Se Abrantes era a Cidade Florida e Constância a Vila Poema, porque não Tramagal ser conhecida como a Vila Convívio?”, lembra hoje ao mediotejo.net.

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Foi o jornalista Manuel Tomás, hoje com 82 anos, quem ‘batizou’ Tramagal como sendo a “Vila Convívio” do Ribatejo. Foto: mediotejo.net

A ideia saiu plasmada num artigo publicado no jornal Abarca, de Tramagal, e desde aí até hoje Tramagal passou a ser conhecida por Vila Convívio do Ribatejo, apesar dos tempos não apagarem a história e a localidade continuar a ser designada por Vila Metalúrgica.

“A ideia pegou porque em Tramagal as pessoas gostam muito de conviver e existem numerosos grupos que todos os anos fazem o seu convívio, apesar de ter menos gente e ser uma localidade menos pujante do que era há 30 anos.

Mas a tradição mantém-se, depois de todos estes anos, e até os Manuéis, que são cada vez menos, continuam a conviver. Se aparecer só um Manuel ao encontro, não dá. Mas, se aparecerem dois Manuéis, aí o almoço convívio é mais do que certo”, brindou.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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