Foto: Massimo Esposito

Apesar do clima actual chegamos ao período em que muitos artistas vão pintar ao ar livre, normalmente por duas razões: uma é poder captar as cores da natureza directamente e a segunda, conviver com a natureza e sentir um melhor contacto com ela.

Mas exactamente o que é a pintura ao ar livre e quando começou realmente?

Uma obra de referência cita: A pintura ao ar livre se populariza no século XIX com o desenvolvimento de novos equipamentos, como a bisnaga descartável para a embalagem de tinta, criada em 1841 e logo produzida comercialmente. A disponibilidade de tintas prontas encoraja os artistas a experimentarem novos tons e a saírem dos ateliês.

A arte estava estática neste período e a Academia fossilizou o ímpeto artístico, a não ser o grande Courbet que começou a movimentar as ideias e, sobretudo, o seu modo de pintar “fora do atelier”. Logo depois Claude Monet, Auguste Renoir, Alfred Sisley, Frédéric Bazille, Camille Pissarro, Paul Cézanne, Edgar Degas e outros impressionistas saíram à rua e começaram a desenvolver esta prática.

Estar em contacto cada mais intensamente com a natureza observada de perto, juntar as cores com os perfumes e sons aumentaram a realidade e a vibração as obras em “plain air” que agora todos nós temos o prazer de apreciar, sobretudo no Museu d’Orsay em Paris.

Em Portugal houve uma série de pintores que seguiram esta linha de pensamento artístico e um dos últimos e de quem gosto muito foi Silva Porto, sem esquecer Henrique Pousão naturalmente, e uma série de obras deste tipo podemos encontrá-las aqui perto no belíssimo Museu dos Patudos em Alpiarça.

Também Constable e Turner foram os precursores desta tendência na Inglaterra Vitoriana. Lembramos Richard Parkes Bonington na pintura de paisagens inglesas, junto a Constable e os seus esboços a óleo feitos rapidamente chamados pochades.

Os impressionistas, pintavam as suas obras realmente ao ar livre, não somente esboços como muito pensam (excluindo naturalmente os quadro de grande envergadura), e isto criava uma diferença cromática nas representações da natureza. Poucos contornos e suaves claros-escuros davam a possibilidade de aproveitar mais a luz e o uso das cores complementares.

Um exemplo claro são as paisagens de Monet, que privilegiava os temas dos reflexos da água, as sombras nos relvados e as manchas de sol entre as árvores (por exemplo, a série de quadros realizada em Argenteuil La Grenouillère pintados entre o 1860 e 1870).

Por estas razões e “descendências”, nesta altura em Portugal, entre outros países, começam a existir muito encontros e concursos de pintura e ultimamente os grupos de urban-sketchers que se estão desenvolvendo muito bem no Ribatejo e no Médio Tejo.

O que podemos fazer? Participar ou simplesmente ir acompanhando os artistas.

Massimo Esposito

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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