Como é possível continuarmos indiferentes a toda a morte que os Homens “civilizados” continuam a espalhar?
Deparei-me ontem, num local que deveria ser um Santuário – não propriamente religioso, nem tão pouco pagão, apesar de acreditar na religião da Natureza -, rapinado pela ganância sem escrúpulos de alguns homens!

Este Santuário encontra-se em Montalvo, Constância, e está amplamente identificado como tal. Um Santuário onde várias espécies de pássaros deveriam estar protegidas! Um Santuário onde os Abelharucos, após uma emigração desde o Norte de África, descansam, constroem os seus ninhos, acasalam, ensinam as suas crias a serem adultos, para depois poderem regressar ao seu outro lar.
Espécie essa, adorada por muitos, belíssima, colorida, que cada vez tem menos locais em Portugal onde pode nidificar. Espécie essa, que é protegida, e que não pode ser tratada de qualquer maneira por qualquer delinquente. Espécie essa, odiada por outros, assassinada, envenenada, armadilhada, por ter uma alimentação insectívora, por gostar de abelhas…

Relatos são ouvidos de armadilhas com fios de coco e anzóis, pendurados, para que os Abelharucos sejam apanhados, simplesmente para não se alimentarem das abelhas do mel, das colmeias de alguns homens! Relatos são ouvidos de ninhos que são impregnados com enxofre, para matar todas as aves!
Multiplicam-se os casos de Abelharucos que aparecem mortos, nos próprios ninhos, ou caídos na estrada, sem causa aparente, e esses casos têm sido fotografados e denunciados!
Para que alguns ignorantes saibam, a dieta dos Abelharucos não é nem de longe nem de perto exclusivamente feita de abelhas, muito menos somente das abelhas do mel, como são chamadas. Alimentam-se de libélulas, vespas, formigas voadoras, gafanhotos e muitos outros insetos, alguns considerados pragas! Se os Abelharucos desaparecerem, o equilíbrio natural desaparece e as espécies que eles comem tornam-se pragas por falta de predadores.
Este Santuário foi profanado pela ganância dos homens e, por meia dúzia de euros em areia, destruíram dezenas de ninhos, sem qualquer espécie de consciência!
Chega, eu ACUSO!

Não há explicação para a tristeza que senti, ao chegar a este santuário e não ter encontrado qualquer sinal dos grandes grupos de Abelharucos que ali costumava fotografar. Apenas silêncio e o cenário que se pode ver nas fotos: pilhagem sem qualquer escrúpulo, por alguns quilos de areia, provocando também derrocadas em algumas zonas das barreiras arenosas, destruindo os ninhos restantes.

Espero, do fundo do meu ser, que essa ausência não se deva a terem morrido às mãos de homens sem escrúpulos, que não tenham perecido às mãos deste cobardes pilhadores, mas tenham simplesmente completado o ciclo de vida, após toda esta violência e destruição, e que tenham regressado a África!
Aguardarei com esperança que regressem no próximo ano, e que as medidas que irão ser tomadas os protejam e assegurem a continuidade da espécie a nidificar neste local.

Há uns meses tirei fotografias de uma carrinha, com dois homens, cobardes, que escavavam essa areia, em zona onde estavam ninhos ocupados. É agora publicada a foto, e aviso que foi feita queixa, na altura, na GNR em Abrantes!

Irei bradar aos céus e às Autoridades competentes para encontrarem os responsáveis! Não me irei calar! E a prova disso está nesta primeira forma de protesto!
Chega! Eu ACUSO!

A publicação de Flávio Catarino, acerca da destruição do santuário de Abelharucos de Montalvo-Constância, apesar de remontar ao ano de 2019, está perfeitamente actual , pelo que pude observar nas minhas duas recentes visitas que fiz ao local e pela informação que me foi dada por pessoa amiga, residente em Abrantes e fervororo amante das aves, que oserva e fotografa com a grande paixão que acompanha a todos nós, que praticamos o mesmo hobby. Aquele lugar devia merecer um estatuto especial, como outros, naturalmente, que reunem as mesmas condições e são escolhidos pelos abelharucos, ave que é considerada das mais lindas que nos visitam sasonalmente e que mais contribuem para o equilíbrio do meio ambiente, como o Fávio Catarino aqui bem explica. Como só agora li este escrito, graças a um amigo que acaba de me enviar, não posso deixar de me associar aos gritos de revolta e acusações bem explícitas pelo mesmo apresentadas, apelando a todos que pensam como o Flávio para que nos organizemos num grupo forte e façamos tudo ao nosso alcance junto das autoridades, a começar por uma exposição ao Presidente da República, com conhecimento ao Primeiro Ministro, Ministro do Ambiente, ICNF, Presidente da Camara e proprietário do terreno, apelando a que ainda se possa salvar o que ouço dizer ser o melhor lugar no país para proteger o abelharuco enquanto está no nosso país a cumprir a sua importante missão que a Natureza lhe atribuiu. Já passaram três anos depois do grito de revolta do Flávio Catarino e das suas queixas à GNR, e a bandalheira desses miseráveis transgressores está a ameaçar de novo o local, como observei num derrube de ninhos para levarem as terras que são vendidas para jardins privados, e provavelmente públicos. O que vem acontecendo neste e noutros locais é um verdadeiro atentado à natureza, impróprio de qualquer país do mundo, muito menos num país membro da UE. Há que tomar medidas e estas pertencem aos políticos, a começar pelos representantes do povo na Assembleia Nacional, que ali foram colocados para defender os interesses do país. Gastam-se milhões em investimentos privados e públicos que apenas serviram para desvios de verbas e falências fraudulentas, mas não se gastam tostões em pequenos projectos que são essenciais para a sustetabilidade ambiental da qual depende a vida humana!…
Meu abraço de parabéns ao Flávio, que pode contar com o ampoio do mais velho.
Nada de mal vem ao mundo um ou outro erro ortográfico nos comentários que se fazem nas redes sociais, como aconteceu no meu de há dois dias atrás acerca da excelente reportagem do Snr. Flávio Catarino sobre a situação do santuário dos abelharucos de Montalvo-Constância. O pior foi que ali cometi um erro grosseiro, inadvertidamente, chamando de Assembleia Nacional à nossa venerável Assembleia da República. E por não ter acesso a corrigir o dito comentário após submetê-lo à publicação, não podia deixar de o fazer desta forma, com o meu pedido de desculpas. Já agora, aproveito para deixar as palavras certas dos quatro dos tais erros ortográficos: “fervoroso”, “observa”, “sustentabilidade” e “apoio”.