Não raras vezes vemos esta imagem a circular nas redes sociais e comentários de algumas pessoas a corroborarem o que está escrito. Não concordo. Principalmente quando se associa esta ideia ao trabalho realizado pelas entidades do terceiro sector.
Longe vão os tempos, na minha opinião, em que as instituições, misericórdias e outras entidades semelhantes praticavam a chamada “caridade”. O novo paradigma da intervenção social é tudo menos assistencialista. É certo que continuam a existir práticas assistencialistas, e por vezes são necessárias. Mas a regra não é essa. O objetivo da intervenção social é empoderar as pessoas, dar-lhe capacidade para serem autónomas e não dependerem da ajuda de terceiros. No entanto, muitas vezes, antes de ensinarmos a pescar, temos de dar o peixe.
Muitas vezes, e quem trabalha no terceiro sector sabe-o muito bem, as ações destas entidades são olhadas com desconfiança. Primeiro porque são privadas, depois porque ainda há quem sinta estas entidades como uma ameaça ao estado social. Sou defensora a 100% do estado social. Mas também sou defensora e admiradora do trabalho realizados pelo terceiro sector.
Senão vejamos: Trabalham da mesma forma que o sector publico. Têm menos burocracia. Conhecem melhor o território e estão mais próximos das pessoas. São entidades geridas por pessoas que em regra não são remuneradas (embora o possam ser). Os mandatos são limitados e são eleitos pelos associados. A qualquer momento, podem ser destituídos, se não fizerem um bom trabalho ou se verifiquem irregularidades. São punidos criminalmente pelas suas “más” gestões. Os profissionais ganham, na maioria dos casos, metade do sector publico e trabalham as mesmas ou mais horas. Não têm subsistemas de saúde especial, nem outras regalias significativas. Entre outras coisas.
Podem, no entanto, dizer-me que nem todas as entidades do sector social funcionam assim, que há interesses, etc. É verdade. Mas lobbies existem em todo o lado, seja no sector publico ou no sector privado. Podem dizer que o terceiro sector gasta dinheiro público, mas também é verdade que a passagem de competências geralmente acontece porque é mais barato, e porque a qualidade não é inferior.
Em muitos casos, as comparticipações do estado às instituições não é suficiente para pagar as despesas da prestação de um determinado serviço e a comparticipação dos utentes nem sempre acontece. Por esse motivo, as instituições têm de recorrer à criatividade e ao mecenato para colmatar o que falta.
Há que respeitar e valorizar as entidades que se sabem colocar na comunidade onde estão inseridas, dando resposta às necessidade das pessoas, procurando responder prontamente a quem precisa, sem assistencialismos e em estreita articulação com entidades públicas e privadas, independentemente da cor politica.
Aliás, nem compreendo o que ganham as instituições em estarem de costas viradas umas para as outras, ou para com o poder politico. Não ganham elas, nem as pessoas a quem se destina a sua atuação. Sejamos justos, sejamos cooperantes, sejamos solidários. Mas não façamos caridade. Ninguém precisa de caridade. Ninguém. Todas as pessoas merecem respeito.
