O Casal da Coelheira conquistou uma Grande Medalha de Ouro no prestigiado Concours Mondial de Bruxelles com a colheita de 2019 do vinho tinto Mythos. Na edição deste ano foram premiados 356 vinhos portugueses, mas só 10 obtiveram a Grande Medalha de Ouro – sendo o Mythos o único vinho do Tejo distinguido neste patamar de excelência.

“Foi um grande reboliço por aqui…”, começa por confessar Nuno Falcão Rodrigues ao mediotejo.net, naturalmente feliz com o anúncio desta Grande Medalha, num concurso com grande importância internacional. O produtor e enólogo da casa vinícola de Tramagal, no concelho de Abrantes, explica que, além do reconhecimento do trabalho que desenvolvem, um prémio como este traduz-se naturalmente em mais vendas e pode também abrir portas noutros mercados.

“É um orgulho para toda a equipa estarmos entre os melhores de Portugal e do mundo”, diz, lembrando que já no mês passado o mesmo Mythos tinha sido distinguido com uma Medalha de Ouro no Concurso Nacional de Vinhos.

Em anos anteriores, este vinho da Coelheira também captou as atenções dos mais exigentes críticos nacionais e internacionais, mas será que a colheita de 2019 é ainda mais especial? Tudo é uma questão de gosto mas Nuno Falcão Rodrigues diz que ficou expectante logo na altura das vindimas e, depois, “muito satisfeito com o resultado”. São já muitos anos a fazer vinhos e, sobre este, “tinha um feeling” de que iria ser ainda mais apreciado. Receber uma Grande Medalha de Ouro em Bruxelas acaba por ser a confirmação de que tinha razão.

Vindimas na Quinta do Casal da Coelheira, no Tramagal. Foto: mediotejo.net

Esta é a segunda vez na sua história que a Quinta do Casal da Coelheira recebe uma Grande Medalha de Ouro em Bruxelas: a primeira distinguiu o vinho Rosé, em 2010. Nesse ano, recebeu ainda um “Best Wine Trophy”, no mesmo concurso – o que o levaria a ser cobiçado como “o melhor rosé do mundo”.

O Mythos é produzido apenas em anos de excepcional qualidade, selecionando-se a melhor uva de todas as parcelas – cerca de 2% da vinha. Após a fermentação de todas as castas em separado, ocorre o estágio de 12 a 14 meses em barricas de carvalho Francês (80%) e carvalho Americano (20%). Um vinho moderno de elevada concentração, produzido a partir de vinhas antigas que chegam a atingir os 35 anos de idade. O Mythos surge rico em aromas florais e intenso em sabores de frutos vermelhos maduros e confitados. Com uma estrutura robusta apresenta grande volume e taninos sólidos, transmitindo dimensão e exuberância. Ao guardar irá ganhar complexidade com 8 a 10 anos de garrafa, mas está perfeito para beber, sendo preferível para refeições mais ricas, como pratos de borrego ou de caça vermelha.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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