Foto: Mario Trainotti
No que toca à maternidade, sinto-me um bocado como o Salvador Sobral “maternidade não é fogo de artifício, maternidade é sentimento”.

Não me interpretem mal, mas agora que virou moda falar mal da maternidade, vou utilizar este espaço para fazer uma reflexão exaustiva sobre a diversidade cultural que existe:

Pais Suécia: Façam o que fizerem sai tudo certinho e sincronizado. Fogo de artifício é com eles e fazem questão de o demonstrar em toda e qualquer rede social que se apresente. Não há cá narizes ranhosos, nem meias rotas. As crianças têm actividades didáticas a todas a horas sem esquecer o devido contacto com a natureza.

Pais Inglaterra: É tudo à risca! É assim porque sempre se fez assim e não venham cá com tretas porque antigamente é que era. Birras? É manha… Colo? Mau hábito… Alimentação? No meu tempo foi assim e não morri… Parece que resulta mas no final o resultado sai ao lado e não percebem porquê.

Pais Itália: Apostam essencialmente na educação. O importante é passar a mensagem correcta. De vez em quando lá aparece um macaco pelo meio mas é só para enganar a audiência. Eles, na verdade, são Ingleses a querer fazer-se passar por Suecos. Geralmente resulta em termos de popularidade entre pais.

Pais Noruega: Vivem o sonho intensamente. Estão “in love with a fairytale“. Tentam ao máximo fazer tudo bem de acordo com a liberdade e o respeito infantil porque adoram isto da maternidade. Não lhes confere grande popularidade porque, em geral, fazem ao contrário do resto do Mundo. Em geral ficam no fundo da tabela com 0 pontos por parte dos pares, mas curiosamente a prole nem sai assim tão má.

Pais França: Também são parecidos com os Pais Inglaterra mas geralmente dão o benefício da dúvida aos Pais Noruega. Chegam a cantar em inglês mas rapidamente desistem porque não querem fugir da sua essência. Funcionam por tentativa erro. Se isto não resultar, experimentamos outra coisa (nem que seja o oposto).

Pais Islândia: Estão completamente focados na maternidade. Leem tudo quanto é livro e blogue. Estão ao corrente de todos os desenvolvimentos em neurologia infantil. Praticam parto natural, amamentação prolongada, baby led weaning, parentalidade consciente e afins. Ainda não ganharam a Eurovisão mas entraram há relativamente pouco tempo nestas lides. É dar tempo dos putos crescerem para vermos o resultado.

Pais Portugal: É a lei do desenrasca. É mandar vir e logo se vê. Às vezes dá bom resultado, outras vezes não. Quando acertam não sabem muito bem como conseguiram…

Pais Espanha: São bastante parecidos com os Pais Portugal apesar de não o admitirem. Há muitos muitos anos tiveram uns miúdos prodígio que começaram a andar com 6 meses e a ler com 2 anos mas, não sabem porquê, hoje os filhos têm 40 anos e ainda não saíram de casa.

Pais Irlanda: Acumulam sucessivas vitórias e ninguém os cala com isso. Os filhos fazem tudo mais cedo e mais rápido que os outros. Se algo corre mal a culpa é do povo que não sabe apreciar a qualidade.

Pais Rússia: Estão em todas. Têm aquela pretensão que sabem algo que tu não sabes e que a maternidade tem de ser da maneira deles senão não funciona. É um bocado difícil e inglório discutir com eles. São um bocado como os pais Islândia mas no final não concordam nada com aquilo e dão o seu cunho pessoal. Muito frequentemente dá bom resultado a nível de votos, mas poucas vezes ganham o concurso da simpatia.

Pais Montenegro: Eles bem que tentam mas não fazem ideia do que andam a fazer…

Eu enquadro-me em vários. Outros há que me irritam profundamente. Não percebo esta tendência moderna de dizer que a maternidade é horrível e que é tudo muito duro. Eu pergunto: Estavam, muito honestamente, à espera de quê? Que nascesse um boneco? Ou não será esta geração uma geração que se habituou a ter tudo de mão beijada? Ou talvez a falta da aldeia para cuidar da criança. Efectivamente as pessoas hoje vivem muito isoladas…

Seja como for, com todo o “mau” que se lhe possa apontar, eu acho que um bom resultado final depende essencialmente de uma boa canção, de um bom intérprete e de um contexto favorável. O que se projecta cá para fora é apenas isso, Fireworks!

Marta Gameiro Branco

Médica dentista especializada em endodontia, 31 anos. Mãe, para os bons e os maus momentos. Gosta de questionar, gosta de perceber, ainda que a questão seja óbvia. Porque o mundo é um livro aberto onde há sempre a possibilidade para mais uma leitura.
(E lavem os dentes todos os dias!)

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